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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

Agora é que é! Vou fazer dieta!

Pronto! Agora é que é mesmo a sério! Vou fazer dieta. A sério que vou! Hoje vi um vestido liiiindo ao qual não resisti. Experimentei dois tamanhos. Fiquei com dúvidas qual o que assentava melhor. Um parecia largo, o outro apertado. 😩 Na dúvida, trouxe o mais pequeno. Agora tenho mesmo que emagrecer para o vestir e ele me ficar como uma luva. 😉 É assim que eu resolvo. Recuso-me a subir nais um número. E mais nada! (Será?... Bem, tenho um mês para poder trocar o bendito vestido. É lindo lindo, o vestido. 😞 Ai ai...)

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“Tenho más notícias: estou morta.”

 

Cada vez são mais os relatos de casos de mulheres e mães que em fases terminais de cancro, antecipando a própria morte, deixam cá testemunhos emotivos para os entes queridos, como é o caso que acabei de ler. Como as compreendo! Deve ser a maior angústia de um(a) doente terminal saber que vai deixar os seus, principalmente para uma mãe.

 

É como se assim contrariassem a própria morte e continuassem por cá mais um tempo… Neste caso, admiro o humor com que esta mãe lidou com a sua sentença de morte. Só me ocorre dizer aquela palavra agora muito em uso no futebol, mas que ganha um significado muito mais rico neste e noutros casos como este: “RESPECT”!

 

Eu, como já aflorei aqui há uns dias e posts atrás, sinto o fantasma do cancro sempre presente desde 2010 e tenho uma certeza angustiante de que será ele que me levará. E, como também já confessei, não é nada fácil viver com esta certeza.

 

Criar esta página e escrever sobre este assunto, e outros que me vão moendo o juízo ou adoçando os dias (nem tudo é mau!) foi uma forma de mais tarde ser recordada pelos meus amores. É como um diário, mas sem cadeado, já que não quero escrever só para ser lido por mim. Gosto de audiência! LOL! Só lamento a fraca assiduidade com que escrevo, por falta de tempo, e o facto de não ter muitos seguidores e de ainda não ter tido muita interacção por parte desses mesmos seguidores… Enfim, tenho alguns poucos mas bons!

 

Esta página, ou blogue pessoal, é também a terapia de que eu necessitava para manter alguma sanidade mental. (Bem, esta parte é difícil, que eu sou um bocadinho destrambelhada da cabeça, confesso!!! Eh eh eh )

 

E foi assim que eu iniciei este mês a “Maria Mocha” (que não é o meu verdadeiro nome, mas tem um significado muito especial para mim … um dia talvez fale sobre isso aqui.) E pronto: espero dar continuidade à “Maria Mocha” por muitos saudáveis e felizes anos. Porque eu sou das que fintou a morte. Tenho boas notícias: estou viva! (o caso de que falo está em http://www.alucinados.pt/tenho-mas-noticias-estou-morta-a-carta-de-despedida-desta-mae-fez-100-000-pessoas-chorarem-e-rirem-no-facebook/)

Falar sobre cancro.

Foi criada uma plataforma de comunicação relacionada com a doença oncológica em: https://falarsobrecancro.org/

Uma medida a louvar. Falar sobre cancro não é fácil e sabemos que ainda é um bocado tabu, mas é importante que a comunidade oncológica, da qual eu faço parte, tenha acesso ao conhecimento sobre esta doença e troque experiências, até no sentido, muitas vezes, de dar algum alento e esperança aos doentes oncológicos.

 

Brava!!!

Brava! Com neura! Assim estou eu hoje!

Cá em casa optam por não perguntar qual é o problema. Eles lá sabem... E assim, cá estou eu, na MINHA cozinha a fazer um belo arroz de pato para o jantar. A neura acaba sempre por passar enquanto eu ando de volta de tachos e panelas. Cozinhar é, no meu caso, uma ótima terapia.

(Nota de rodapé: Registo com agrado a qualidade da "foto" que partilho! Espero que gostem.)

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Pequenas coisas fazem-me feliz!

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Gosto de estar em casa! Na minha casa está quem mais me faz feliz. Talvez porque passe pouco tempo aqui, é aqui que me sinto bem. Nenhum outro lugar lhe é comparável. Acho que nasci para ser dona de casa. Pena não ter um marido rico. Acho que iria gostar de não ter que contribuir para o orçamento familiar, não ter um emprego fora ou então fazer qualquer actividade a partir de casa… Adiante! Tenho que trabalhar e pronto! E felizmente tenho emprego, coisa que um grande número de portugueses infelizmente não tem. Tenho que ser agradecida por isso.

Mas, francamente, há coisas simples que me fazem tãaaooo feliz!!!

Fazer um bolo para, ainda morno, adoçar as bocas do pessoal cá em casa;

Colocar flores frescas nas jarras e olhar para elas milhentas vezes durante o dia;

Ter a casa organizada e limpa (por mim!);

Ler um bom livro, escrever ou ver um filme em família;

Sentir a chuva lá fora e acender a lareira nos dias frios de inverno;

Ficar em pijama todo o dia;

Eu sei lá!…

Um sem-número de coisas simples e despretensiosas fazem-me feliz, talvez porque as usufruo menos vezes do que desejaria.

No passado fim-de-semana consegui desfrutar verdadeiramente de alguns destes momentos. Quanto ao bolo, tenho por aqui três gulosos, por isso quase todos os fins de semana faço um bolinho. Desta vez fiz uma torta de geleia, receita da minha mãe. Uma das preferidas cá em casa! Agora as flores, essas têm sido raras as vezes em que coloco flores frescas nas jarras. Quando eramos só eu e o meu marido, até o fazia todas as semanas. Desde que nasceram os miúdos, só muito raramente o tenho feito. Alteraram-se as prioridades e o tempo de uma mãe esgota-se facilmente em mil e uma solicitações. Quais flores quais quê!? Escolhi estrelícias. São bonitas, não são?

Saldos é comigo!

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 Afinal ontem foi dia de passear no shopping.

Qual é a mulher que não gosta de passar um dia a ver lojas de vez em quando?! Acabei por encontrar umas belas pechinchas! Nesta fase dos saldos em que está quase tudo escolhido e já encontramos peças com 50% e até 70% de desconto, é ótimo para fazer alguns achados interessantes. Lá comprei umas coisitas… Aliás, grande parte das minhas compras são feitas em época de saldos ou, fora da época de saldos, em outlets. Os tempos não estão para esbanjamentos e chego até a achar imoral gastar carradas de dinheiro, quando sabemos que dali a uns meses podemos pagar metade pelo mesmo artigo. Desta forma até acabo por apostar na qualidade dos artigos. Prefiro comprar menos peças, mas de qualidade, do que ter o armário cheio de peças sem qualidade. Também já há bastantes peças da nova colecção, coisas bem giras. Adorei aquela mala, da “Massimo Dutti”. Tenho um fraco por malas…e botas…e sandálias…e lenços… e…

Acabámos também por ir ao cinema em família. Depois de alguns desentendimentos porque cada um queria ver um filme diferente, lá conseguimos chegar a acordo. Às vezes vamos ver um filme e os miúdos vão ver outro, mas de vez em quando queremos ir ao cinema todos juntos e ontem foi assim. A minha filha entrou para a sala com uma tremenda birra (sim, já é adolescente e ainda faz birras!), mas saiu mais bem disposta. Gostou, portanto!

Acabou por ser um dia de compras, cinema, comida de plástico, regresso a casa já bastante tarde. Foi um dia bem passado em família. Venham muitos assim!

Adoro o sábado!

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Adoro o sábado! Levanto-me cedo e vivo o sábado intensamente, de uma forma que só quem (sobre)vive a um trabalho exigente de segunda a sexta, a correr, pode entender. Adoro poder usufruir da minha casa, algo que não consigo fazer durante a semana de trabalho. Nem que seja para organizar a casa, tratar da roupa, passar a ferro, etc. Adoro o sábado. Seja ficando em casa a fazer limpezas ou em pijama todo o dia com a lareira acesa, seja a fazer um passeio em família, ir às compras, ver lojas, adoro o sábado. O sábado é aquele dia em que qualquer atividade lhe fica bem! Ainda não sei o que vou fazer hoje, mas sei que vou adorar! Que querem que vos diga? Adoro o sábado! Bom sábado! Ponham um sorriso e vão atrás da vida!

Põe quanto És no Mínimo que Fazes

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Põe quanto És no Mínimo que Fazes

Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.

Pões quanto és, No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.”

 

FERNANDO PESSOA/RICARDO REIS (14/2/1933)

 

Um amigo, com palavras de Miguel Torga aguçou-me a vontade de ler poesia e de recordar Fernando Pessoa. Desta vez Ricardo Reis. De vez em quando regresso a Fernando Pessoa. Às vezes é um estado de espírito que me leva até ele, hoje foi um amigo. E vou dormir mais inteira hoje… Bons sonhos!

Visita à casa cor-de-rosa

 

Já fiz a minha visita anual à casa cor-de-rosa! Eu, que nunca gostei muito de cor-de-rosa, passei a ter esta cor tão intrinsecamente ligada à minha história de vida dos últimos anos…

 

“Como é que tem andado esta rapariga?”

 

Reconheci logo a mesma voz doce e ao mesmo tempo incisiva que há cinco anos me disse que eu tinha um cancro na mama. E nessa altura disse-mo sem margem para dúvidas, enquanto as lágrimas já prevenidas me rolavam pela cara. Disse-mo com o sofrimento cansado de quem já deu essa notícia mais vezes do que desejaria. Mas eu até já sabia… Soube-o desde que palpei uma protuberância estranha na mama, algumas semanas antes, deitada na minha cama, sozinha, a recuperar de uma infeção urinária, no dia 26 de abril de 2010. Soube-o desde o início! É mesmo verdade! O nosso organismo avisa que algo não está bem. No meu caso sinto como se o meu corpo, ao obrigar-me a parar e a centrar-me em mim própria, me tivesse criado as condições para eu descobrir o que se estava a passar. Em boa hora o fez!

 

“Estou viva, doutor!”

 

Sorriu, enquanto se encaminhava para a cadeira que o esperava ao pé de mim, deitada a aguardar a segunda parte do exame, a ecografia mamária. É nesse momento, nas frações de segundo em que o doutor entra na sala, que eu avalio a sua expressão, vindo de analisar a mamografia já feita. Desta vez pareceu-me logo bem-disposto. Aquietei-me. Quando está enigmático, como aconteceu em 2012, quando tive que repetir a mamografia, o tempo para e os minutos que se seguem são eternos e de um sofrimento atroz. Indescritível! A consciência da hipótese, sempre em aberto, de ter que passar por tudo outra vez é terrível! E essa consciência está comigo sempre, todos os dias da minha vida, desde 2010.

 

Invariavelmente, de há cinco anos a esta parte, todos os anos por esta altura volto à casa cor-de-rosa. E este dia passou a ser o dia do aperto no coração, o dia em que sou pequenininha, o dia que não me deixa esquecer que a qualquer momento a vida dá uma volta de 180° e, quando menos esperamos, a única certeza que temos é que não valemos nada, não controlamos coisíssima nenhuma, porque o bem mais precioso, que é a nossa vida, não a temos nas nossas mãos. Há cinco anos que tenho que lidar com o sentimento de sobrevivência, um sentimento que me confere alguma sobranceria sobre o comum dos mortais, mas que também me obriga a conviver com um fantasma que me acompanhará o resto dos meus dias. E viver com o fantasma do cancro é tão difícil!… Só quem passou por esta triste experiência é que pode avaliar. Pior do que viver com este fantasma só mesmo sucumbir a ele. E isso eu não posso permitir que aconteça!

 

“Estou viva, doutor!”

 

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Olá! Gosto de ti!

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Finalmente decidi concretizar esta ideia que me perseguia há vários meses: criar um espaço que servirá para partilhar as preocupações, os sentimentos e vivências de uma mulher que já passou por momentos difíceis, que valoriza a vida como só quem já viu a morte de perto o pode fazer, realizada profissionalmente e com uma vida familiar preenchida ao lado de um marido e filhos adolescentes que me dão cabo da cabeça e exigentes do cumprimento do meu papel de mulher e mãe, mas que me fazem uma pessoa muito feliz. Embora admita que às vezes não parece, já que eu me “descabelo” facilmente com eles… Aqui pretendo expurgar as minhas feridas e, quem sabe, encontrar alguma empatia em quem seguir esta página. Isto, se houver quem tenha pachorra para os meus devaneios!… Mas isso também não é o mais importante! Só quero que a página cumpra o seu papel de manter algum equilíbrio na minha mente e na minha vida, que os minutos que eu passe aqui se transformem no momento do dia onde eu possa parar e refletir sobre o que se vai passando na “vida real”, como se de terapia se tratasse. Terapia, é isso! Esta página vai ser a minha terapia! Sempre é mais barato… Não sei se vou conseguir conciliar esta página com as exigências da minha vida familiar e profissional, mas vou tentar. Terei certamente que roubar tempo ao sono! Vou entender isto como um regresso à adolescência, como o diário que nunca tive, um testemunho de vida para os meus filhos seguirem e um dia se recordarem da mãe. Para ti que me segues: Olá! Gosto de ti!

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DIREITOS DE AUTOR (Decreto-Lei n.º 63/85 com as posteriores alterações)

Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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