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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

À minha mãe...

Um poema de Miguel Torga, um poeta de que gosto muito, a assinalar a morte da minha MÃE.  Faz amanhã, 1 de março, um mês. Apesar de a minha vida pessoal e profissional, a partir de certa altura, não me ter permitido viver perto dela, ia vê-la sempre que podia. Perder a mãe é uma falta irreparável. Sinto a falta dela como se a tivesse tido todos os dias da minha vida ao pé de mim. Que saudades, minha querida mãe...

 

Mãe

 

Mãe:

Que desgraça na vida aconteceu,

Que ficaste insensível e gelada?

Que todo o teu perfil se endureceu

Numa linha severa e desenhada?

 

Como as estátuas, que são gente nossa

Cansada de palavras e ternura,

Assim tu me pareces no teu leito.

Presença cinzelada em pedra dura,

 

Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.

Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.

Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes

Por detrás do terror deste vazio.

 

Mãe:

Abre os olhos ao menos, diz que sim!

Diz que me vês ainda, que me queres.

Que és a eterna mulher entre as mulheres.

Que nem a morte te afastou de mim!

 

Miguel Torga, in 'Diário IV'

1 - Uma receita de Tarte de Frutas deliciosa

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Quase todos os fins de semana faço um bolo, normalmente um bolo seco para poder ser apreciado ao pequeno-almoço, principalmente pelo guloso mais velho cá do sítio, o meu Homem (como diria uma amiga minha, que não usa o termo “marido” – e convenhamos, Homem tem outro peso!).

 

Desta vez apeteceu-me experimentar uma tarte de fruta que vi na revista de culinária “Cozinha Prática de Sucesso”. Não fiz exactamente igual. Adaptei e ficou óptima. Eu estava com receio porque nunca tive muito jeito para engrossar natas em chantilly. Mas correu bem e os miúdos já provaram ao lanche e adoraram.

 

E como as coisas boas têm que ser partilhadas, cá vai:

Estende-se a massa quebrada redonda (já se compra feita) numa tarteira de fundo amovível e pica-se o fundo.

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Para o recheio, põe-se ao lume 1,25 dl de água com 250g de açúcar e deixa-se ferver 2 minutos.

À parte mistura-se 1 colher de sopa de farinha com 7 gemas e umas gotas de aroma de baunilha ou baunilha em pó.

Verte-se a mistura em fio na calda e leva-se novamente a lume brando, mexendo sempre, até espessar.

Verte-se de seguida o creme na tarteira.

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Vai ao forno, a 200ºC, por cerca de 20 minutos.

Depois de cozida, retira-se e deixa-se arrefecer.

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Faz-se o chantilly. Usei um pacote de natas arrefecido no frigorífico, que bati bem com 50g de açúcar em pó.

Por fim, é só decorar. Eu nem sequer usei o saco pasteleiro. Limitei-me a colocar o chantilly por cima do creme de ovos e espalhei as frutas cortadas aos pedaços. Na receita original usava-se manga, framboesas e amoras. Como não tinha, substituí por morangos e usei também pêssego em calda, quivi e ananás natural. Assim fui mais de encontro ao gosto cá de casa.

Coloca-se no frigorífico e cá está! Uma forma diferente de comer fruta. Muito boa, fresca e nada enjoativa! A repetir!

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Aprender a ser mãe

Aprender a ser mãe! É mesmo isso! Hoje, com filhos já adolescentes, tenho cada vez mais convicção de que não soube e não sei ser mãe!

Acabei de ler um artigo do Jornal I (http://ionline.pt/496459?source=social) e pareceu-me que a autora me conhece de algum lado. É que ela descreve-me a mim como mãe, com a triste diferença de que eu ainda não atingi a maturidade que a autora diz ter atingido. Gostava de alcançar esse patamar de descontração, mas não consigo. Continuo a pensar que consigo mudar o mundo, que os meus filhos ainda vão ser um bocadinho mais ambiciosos, responsáveis, arrumados, focados, obedientes. Será que tenho que desistir? É mesmo inevitável que eles mantenham certas características que, no meu coração de mãe, sinto que os vão prejudicar na sua vida futura? Devo mesmo deixá-los aprender com os próprios erros? Conheço essas teorias psicológicas e educacionais todas, mas custa tanto, quando não aceitamos menos do que a idealização de uma vida perfeita para os nossos filhos...

 

 

 

No norte...

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Hoje o M., por motivos profissionais, teve que vir ao norte. Como temos cá casa, desta vez convidou-me a acompanhá-lo. E cá estou eu a matar saudades. “Ganda” maluca! Tirei um dia no trabalho, coisa rara!

 

Viemos ontem ao final do dia, encontrámos tudo em ordem, dormimos na nossa casinha e hoje, aproveitando que não chove (finalmente!) já fiz os trabalhos de jardinagem que eu tanto gosto. Podei as hortênsias. Uma poda leve, que elas já estão a despontar. Vamos ver se este ano florescem como deve ser… Mas há ainda tanto para fazer! Enfim… Ainda apanhei tangerinas, limões e salsa para levar para baixo.

 

Adoro isto e, no entanto, usufruo tão pouco…

Cheirinho de mar…

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Já há bastante tempo que queria dar um saltinho ao mar. Tenho insistido, sem sucesso, nesse programa de fim-de-semana. O problema é que a cara-metade cá de casa só concebe ir à praia se puder entrar no mar para uns valentes mergulhos. Ora, no inverno é difícil…

 

Mas eu cá gosto do mar no inverno. Arrisco-me a dizer que gosto mais do que no verão. Para mim a praia seria verdadeiramente o refúgio ideal para descansar nas férias de verão, não fosse a confusão de gente, de trânsito, de filas, que me aumentam os níveis de stress já por si elevados depois de um ano de trabalho. É complicado, porque eu adoro o verão e adoro a praia. Só queria era que os outros não gostassem…

 

Enfim, este fim-de-semana lá fomos ver o mar. Foi ontem, sábado, lá para os lados do pinhal mandado plantar pelo rei lavrador. Estava um dia agradável, soalheiro, uma temperatura amena. Corria uma brisa relativamente suave para esta altura do ano, mas que cortava o ar e desalinhava os cabelos, prejudicando as fotos da praxe. Mesmo assim, foi possível à primogénita dar um ar de sua graça na arte da fotogenia. O mar, esse, sempre majestoso e respeitável, apresentava-se neste dia calmo e quase convidativo. Dividimos a praia só com as gaivotas que, vaidosas, se passeavam nos seus domínios desenhando um rasto de pegadas na areia lisa e húmida da mais recente investida do mar. Ao longe, um cão e o seu dono brincavam e treinavam habilidades que mais tarde repetiriam certamente às crianças lá de casa ou lá da rua. Onde as ondas chegaram na última maré alta, viam-se despojos que o mar não quis: pequenos pedaços de madeiras e outros fragmentos de algas e conchas que fizeram as delicias do caçula que, com uma cana na mão, brincou qual D. Quixote imaginando outros mundos de aventuras em que ele era certamente um herói bravo e destemido.

 

Nada de toalhas, corpos estendidos, farnéis, lixo com mão humana, corta-ventos e chapéus-de-sol. Nada que impedisse a nossa comunhão com a paisagem, e a visão do céu, da areia, do mar.  Só nós! Nós e o cheirinho de mar…

Dieta mediterrânica

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Eu gosto é de cozinhar!

Hoje, para o almoço, estou a preparar um belo de um Cozido à Portuguesa com enchidos e tudo o mais que é suposto (de vez em quando não há de fazer mal!), acompanhado com um suminho natural de laranjas biológicas apanhadas directamente da laranjeira. Para sobremesa uma vitamínica salada de frutas. Bem bom! A dieta mediterrânica no seu melhor, hoje aqui em casa. 

Ai o tempo!...

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Esta semana foi bastante exigente e cansativa, com reuniões fora de horas, etc. Fica explicado porque é que nos últimos dias não tenho sido tão assídua a este cantinho do desabafo, que me faz tão bem. Falta de tempo!

 

Ai o tempo!... É incrível como as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos passam a este ritmo tão acelerado! Já é fim de semana outra vez! Passamos da desolação da segunda-feira para a excitação da sexta-feira num abrir e fechar de olhos. Mesmo esta última semana, em que, como dizia, o trabalho exigiu mais tempo e dedicação de mim, passou tão depressa…

 

Desde há algum tempo que considero o tempo o meu pior inimigo. Tenho muitas dificuldades em lidar com o tempo, confesso. Não é que seja desorganizada, não! Até sou muito orientada, cumpridora de horários e responsabilidades, metódica, em tudo na vida. Mas, mesmo assim, sinto que 24 horas não chegam para fazer tudo o que tenho para fazer. E quando se trata dos planos que habitualmente tenho para o fim de semana, nem se fala. Na sexta-feira (hoje, portanto!), tenho sempre imensas expetativas em relação ao que vou fazer nos próximos dois dias. E invariavelmente, chega-se o domingo à noite e pouco do que planeei se cumpriu. E essa é uma das causas da angústia de domingo ao final do dia.

 

Eu e o tempo temos uma relação complicada... E esta dicotomia semana/fim de semana, tudo tão rotineiro, previsível, todas as semanas, over and over again…

 

Enfim, vamos tentar dar a volta ao tempo e tentar fazer render este fim de semana…

Regras cá de casa… LOL

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Pois é! Seria tão bom se estas regras fossem cumpridas cá em casa!

Seria o paraíso se tudo fosse perfeito como naquelas famílias com casas em que tudo está no seu devido lugar, brancas, imaculadas, lindas, algumas retratadas em blogs participadíssimos que falam de vidas perfeitas e das vivências de dondocas que não aparentam ter nenhuma atividade profissional (digo isto porque passam a vida em lojas, bricolages, cabeleireiros, passeios, etc) e mesmo assim têm criadas que lhes fazem tudo. Realmente, seria muito mais apelativo falar de cenários de sonho do que da minha realidade que é a realidade que a maior parte das pessoas conhece tão bem quanto eu. Uma realidade mais dura, mas menos vazia.

Voltando às regras. Nesta casa, para dizer com toda a honestidade, só se cumpre a 100% a parte de perguntar à mãe tudo e mais alguma coisa, mas normalmente sem intuito de fazer e sim à espera que a mãe faça. Gostava de poder dizer outra coisa, mas seria mentira.

Já tinha partilhado um bocado do meu dia difícil hoje. Pois bem, chegar a casa cansada, ao final do dia, com a cabeça a estourar, e ver as camas por fazer e a loiça do pequeno-almoço e almoço espalhada no lava-loiças, apesar de ser o cenário habitual, foi a gota de água neste dia.

E pronto, é isto! Ralhei, ralhei e passou-me. Porque, no fundo, a culpa é minha. Eu é que habituei o pessoal muito mal cá em casa. Tenho mesmo que deixar de fazer tudo pelas 3 crianças (2 pequenas e 1 grande) que aqui tenho. Será que ainda vou a tempo? Talvez com o rolo da massa isto vá…

 

Há dias difíceis!...

Está difícil o dia, hoje!
Lidar profissionalmente com pessoas é das tarefas mais difíceis em qualquer organização. E em cargos de chefia, ainda pior! Hoje já fui chamada a mediar uma situação de conflito em que a vontade que eu tinha era mandar todos os envolvidos pentear macacos, para não dizer já aqui um palavrão.  
As pessoas gastam energias com coisas tão sem jeito, nesta vida! Incapazes de perceber que ela passa a correr e que as oportunidades de ser feliz e de aproveitar a vida ao máximo voam.
É caso para dizer:

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(Imagem retirada de: https://www.facebook.com/369318129821266/photos/a.369321356487610.90615.369318129821266/944218362331237/?type=3&theater)

O meu namorado não me deu flores…

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O meu “namorado” de há 25 anos, mais uma vez, não me deu flores. Ele não é dessas coisas! Nunca foi um homem romântico, nem é dado a manifestações públicas de carinho. Antigamente eu ressentia-me com isso e fazia questão de que esse ressentimento fosse bem notado. Como nunca fui uma pessoa amorfa, fazia birras, beicinho, “pés-de-vento”, ao ponto de ele se sentir na obrigação de aceder ao meu desejo adolescente de ter uma atenção especial no dia 14 de fevereiro. Ou seja, quando o fez – quando registou de alguma forma este dia, admito que foi mesmo por obrigação. Hoje, genuinamente, já não ligo a esta data. Mas tenho que reconhecer que ele não é, neste aspeto, realmente, o namorado perfeito…

 

E, no entanto, ele é o melhor namorado, marido, pai dos meus filhos, companheiro, amigo, amante, que eu poderia ter tido.

Porque sei que me continua a amar com todos os meus defeitos, assim como eu o amo a ele;

Porque eu não sou fácil e ele atura as minhas neuras e mudanças de humor, sem vacilar;

Porque me é e sempre foi fiel (uma mulher sabe!);

Porque ainda me faz sentir desejada e sexy, tantos anos e alguns quilos e rugas depois;

Porque não é nada egoísta no que diz respeito à nossa vida sexual e porque me ensinou a adorar ser mulher e a viver a minha sexualidade de forma plena;

Porque gosta da vida familiar, é caseiro e não troca um fim de tarde ou serão em família por uma ida ao café para beber cervejas e contar piadas de gajas (só vai ver a bola, mas é cada vez mais raro fazê-lo e quando vai, leva o filho ou vamos mesmo todos, já que todos gostamos de futebol);

Porque foi ele que, encenando uma aparente normalidade no ato, me cortou o cabelo quando este começou a cair com os efeitos da quimioterapia, enquanto eu chorava e ele (acredito que a chorar por dentro) tentava desvalorizar esse momento tão duro para mim, como certamente o é para qualquer mulher;

Porque me ajudou (por acaso, foi ele e os meus filhos!) a escolher a peruca que usei durante mais de 6 meses durante os tratamentos, e cuja visão e cheiro ainda hoje não suporto, mas que tenho cuidadosamente guardada, escondida no fundo do armário, para qualquer eventualidade;

Porque nunca deixou de me desejar, nunca permitiu que eu me sentisse feia, mesmo careca, inchada e com todas as outras marcas dos tratamentos;

Porque me acompanhou a todos os médicos e consultas e permaneceu junto de mim durante os dias infindáveis de tratamentos na dura batalha contra o cancro; ainda hoje me continua a acompanhar a todos as deslocações que se relacionem com o meu estado de saúde;

Porque há 5 anos, na perspectiva de poder ter que vir a fazer uma mastectomia (o que não veio a acontecer), me disse que isso não era importante para ele, que essa eventualidade não mudaria nada no que ele sentia por mim e que o importante era que eu ficasse curada, mesmo que o caminho fosse esse (não me esqueço de relatos e das leituras que fiz de testemunhos de tantas mulheres abandonadas por bestas nesta fase tão difícil, quando elas mais precisam de apoio e de se sentir amadas!);

Etc, etc, etc...

 

Pois é, o meu namorado não é perfeito! Não me dá flores no Dia dos Namorados!... Mas é o melhor namorado do mundo nos restantes dias do ano, desde há 25 anos, e eu não podia ter um namorado melhor! Bem, e sem qualquer humildade digo: acho que também faço por merecê-lo.

 

Nota final: A foto é ilustrativa do nosso Dia dos Namorados de hoje: em família, os quatro, em pijama, embrulhados em mantas, a ver um filme sobre a 2ª Guerra Mundial, “Jacob, o mentiroso”, com o Robin Williams (é habitual fazermos sessões cinéfilas educativas para os filhos). Não há flores que paguem isto!

Portugueses e portuguesas.

Este MEC é o máximo! Já leram este texto?

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/calemse-1723007

 

Está bem visto! Também já tinha reparado neste tique de linguagem dos últimos tempos. Parece que hoje em dia corremos o risco de ser considerados os piores inimigos do género feminino se não dissermos portugueses e portuguesas.

Portugueses somos todos, homens e mulheres! A língua portuguesa (e não português, note-se!) convencionou que fosse assim, evoluiu dessa forma. Não me sinto menos digna na minha identidade de género por ser assim. Nós mulheres já não temos que provar nada ao nível da igualdade de género.

Get over it! Sisters rule!

 

Por acaso, esta "moda" traz-me à lembrança a reivindicação da Natália Correia (se não me engano, acho que foi ela), de que Portugal fosse terra Mátria e não Pátria. Só que aí pelo menos tínhamos um trocadilho interessante e inteligente. Já desconsiderar as marcas e convenções da língua portuguesa não me parece nada inteligente.

 

 

Escola, memorização e inteligência

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Chegada da viagem de regresso a casa, a fazer a ronda pela net. O jantar ha de ser pizza, portanto "tá-se bem"! Nos últimos dias não tenho usado o portátil e continuo a orientar-me melhor no pc do que no tlm. Sou uma cota de acordo com os meus filhos, portanto.

A minha "cria" mais velha amanhã tem uma ficha de avaliação e como não estudou nada durante a estada no norte (o que é compreensível, porque ela e o irmão vão lá tão poucas vezes que têm que aproveitar todos os momentos para socializar e brincar com os primos!), tem agora que o fazer. Escolheu fazê-lo ao pé de mim, na cozinha. Está mesmo aqui à minha frente. Há momentos pareceu-me distraída. Chamei-a à atenção. Como é habitual, disse-me que já sabia tudo (às vezes até sabe!). Perguntei-lhe porque é que, então, no 1º período ainda não tinha tido 5 à disciplina em questão. Respondeu-me que compreendia a matéria porque era fácil e até tinha feito apontamentos, só que não sabia tudo de cor, e a Escola não valorizava a inteligência, mas sim a memorização. Insisti para que estudasse mais um pouco, mas não contra-argumentei porque, apesar de ser do meio, também partilho um bocado essa opinião e até tenho tentado contrariar isso. 

Mas o que retirei desta conversa foi mais uma evidência de que a minha filha é um ser pensante que já formula opinião própria e demonstra espírito crítico! Que delícia!   Um dia falo aqui do feminismo dela...

On our way home...

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Cá vamos nós para sul, a caminho de casa, da rotina, da esperada normalidade. Mais uma vez a perder o meu norte. (Eu perco o norte muitas vezes, por acaso... nos seus vários sentidos! 😩)

Acabamos de passar ao pé do Estádio do Dragão. O FCPorto era o clube com o qual a minha mãe simpatizava. Caso raro na família... No entanto, duas figuras importantes para mim, ela e o meu avô paterno, os dois já desaparecidos, eram adeptos do FCPorto, embora com graus diferentes de entusiasmo futebolístico. Poucos mas bons, os portistas da família! 💖

Farta de chuva!

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Mais uma vez a passar uns dias na minha terra natal, no minho, e tem estado sempre a chover...

Tinha tantos planos de aproveitar este fim de semana prolongado para jardinar e, tal como aconteceu no Natal, vai ficar tudo por fazer. Ervas aos molhos, laranjas no chão, hortênsias por podar, eu sei lá!...

Estou farta de chuva! Venham os dias soalheiros de primavera, por favor! 

É Carnaval, ninguém leva a mal!

Sou só eu que não acha graça nenhuma ao Carnaval? Nem sequer tem a ver com o contexto que estou a viver. É que nunca gostei mesmo do Carnaval! Nada! Lembro-me que a única vez que a minha mãe me conseguiu enfiar num traje de Carnaval, tinha menos de 10 anos certamente, foi com muita dificuldade e durante o tempo em que fui espanhola ou sevilhana ou lá o que era aquilo, detestei e senti-me desconfortável, ridícula ao máximo. Não gosto de vestir uma pele que não seja a minha! São gostos... 😀

Limpezas!

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Sábado! Aquele dia para pôr em ordem tudo o que temos desordenado. Hoje ocupei-o a transferir os posts deste blog que estava alojado noutra plataforma, para aqui, o SAPO Blogs. Não sei porquê, mas nunca me senti muito confortável lá no outro lado. Aqui parece que me sinto mais em casa. Tontices minhas! O que é certo é que, na falta do marido, hoje ocupado nas suas andanças, fiz bom uso da falta do que fazer. Falta do que fazer porque nos últimos dias, infelizmente em casa pela morte da minha mãe, limpei meticulosamente a casa, tratei da roupa, fiz tudo o que pude para me distrair! Tenho tudo feito!

Em caso de saudade, quebre o silêncio…

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Em caso de saudade, quebre o silêncio...

Na última segunda-feira, dia 1 de fevereiro, a minha mãe não chegou a acordar do sono profundo em que mergulhou nessa noite. Foi-se embora aos 75 anos (quase a completar 76) como ela sempre disse que gostaria de deixar a vida, no sono, em paz, sem sofrimento. Pelo menos é o que quero acreditar que tenha acontecido. Apazigua-me a alma a convicção de que a minha mãe, uma Mulher forte e Mãe dedicada, que tanto sofreu em vida, tenha tido uma morte pacífica e sem sofrimento.

A morte da minha mãe afastou-me deste cantinho, até hoje, dia em que resolvi cá voltar. Cheguei a pensar que nunca mais faria sentido escrever e partilhar aqui o meu dia-a-dia e as suas inerentes experiências, vivências e ralações. O que importa tudo isso quando se perde uma mãe? Perder a mãe é perder um bocado bem grande de nós, é imergir numa angústia e momentos de ataque de pânico terríveis, sem igual, para o resto da vida. Mas, por outro lado, não poderá a “Maria Mocha” ser uma preciosa ajuda para o que resta da minha vida sem mãe? Afinal, tem-no sido na minha vida pós-cancro… Ainda que desde há bem pouco tempo, a “Maria Mocha” faz-me bem, traz pessoas novas à minha vida, ajuda-me a perspectivar os problemas e a própria existência, liberta-me de alguns recalcamentos, enriquece-me...

Mas há um detalhe ou triste ironia em relação à “Maria Mocha”, que me tem transtornado um bocado depois da morte da minha mãe, e que é o facto de a minha mãe estar na essência desta minha iniciativa, desde logo pelo nome que escolhi. Começo a achar que nada na minha vida pode ser desvinculado da minha mãe…

Iniciei a “Maria Mocha” no dia 2 de janeiro deste ano, exactamente um mês antes do funeral da minha mãe, num tempo em que não se perspectivava a sua repentina morte. Nessa altura tive em mente outro nome para este blogue, um mais bonito, alusivo ao cancro de mama, esse “bicho” que marcou a minha vida da forma mais profunda possível, a partir dos 40 anos. No entanto, optei por “Maria Mocha”, um nome que não é tão bonito e apelativo mas que me leva à infância, às minhas raízes, que marcaram de forma indelével tudo o que sou hoje e das quais, para o bem e para o mal, nunca me consegui e conseguirei desvincular… e nem quero!

Ora, “Maria Mocha” foi uma criação da minha mãe, inspirada numa personagem da vida real, figura típica da terra, dos meus tempos de infância. Maria Mocha era, invariavelmente, a personagem principal das histórias que a minha mãe contava, principalmente à hora das refeições, para conseguir enfiar algumas colheradas de sopa pelas goelas abaixo da minha irmã, ela que, ao contrário de mim (mais anafadinha), parecia um pisco a comer. Eu sempre comi melhor, mas à custa da falta de apetite dela, ouvia as histórias da minha mãe a cada dia com redobrada atenção, em cada nova história da Maria Mocha à espera de novas peripécias e aventuras. A inspiração da minha mãe para as histórias que contava partia de desenhos na loiça estilo (só estilo!) Limoges, de cujas imagens vagamente me lembro de serem cenas rupestres, nas quais se incluía uma dama antiga, que os meus débeis conhecimentos do vestuário / indumentária históricos julgo remeterem para o século XIX. Esses pratos desirmanados em uso nessa altura na nossa casa tinham na borda essas imagens em tons vivos desde vermelho carmim a dourado, ao jeito da imagem que tenho aqui na foto de perfil e de capa (fica assim explicada a escolha!). A minha mãe apresentou-nos essa figura feminina como sendo a Maria Mocha. Nesta altura, a minha mãe, só preocupada em que a minha irmã comesse, não imaginava o interesse que eu tinha por aqueles momentos, nem o peso que eles tiveram inclusivamente para a promoção do meu gosto pelos livros e pela leitura, pela vida fora. Mais recentemente aqui, de forma pública, pela escrita também. Uma escrita despretensiosa, mas que não deixa de ser escrita, e que é feita com o coração carregando tudo o que é de mais profundo em mim, o meu âmago, a minha essência.

Assim, num certo sentido, aflora-se-me à mente hoje o cariz premonitório desta minha recente urgência em iniciar esta página na qual, a seu tempo, pretendia também falar das minhas recordações da infância obviamente impregnadas da memória minha mãe, da mesma forma que eu estarei toda a vida impregnada da minha mãe. E agora, mais do que nunca, algo me impele a escrever sobre ela, no intuito de, dessa forma, eternizá-la no meu coração e no dos seus netos que, espero, lerão mais cedo ou mais tarde estas minhas incursões pela escrita.
E como acredito que as memórias, assim como os retratos, ganham um valor muito maior e um outro sentido se os partilharmos, ver-me-ão por aqui ainda a falar muito da minha mãe.
Porque, em caso de saudade, devemos quebrar o silêncio...

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DIREITOS DE AUTOR (Decreto-Lei n.º 63/85 com as posteriores alterações)

Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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