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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

A rapariga dos olhos tristes e o namorado ternurento.

 

Ela chegou sozinha e sentou-se na mesa ao nosso lado. Parecia triste, abatida. Deveria ter vinte e poucos anos, algum excesso de peso, óculos, o cabelo negro preso num rabo de cavalo e vestia de preto, o que ainda lhe conferia um ar mais abatido e  pesado. Nada nela combinava com a sua juventude. Apenas o ar de menina amuada, a fazer uma birra, lembrava o facto de ainda ser novinha. Com quem estaria? Parecia esperar alguém...

 

Após um minuto ou dois, ele veio ao pé dela, oriundo do balcão do snack bar, mas não se sentou. Era um rapaz pela idade dela, ruivo, elegante. Debruçou-se sobre ela, perguntou-lhe algo delicadamente e ela esboçou um trejeito de enfado e disse que não, abanando a cabeça e ostentando um beicinho. Continuava miseravelmente infeliz, pelos vistos. Ele insistiu e ela agora soltou impacientemente "Já disse que não quero. Já comi!". Estava nitidamente a tentar marcar uma posição. Ele, por seu lado, não podia ser mais ternurento e dedicado a ela. 

 

Quando ele chegou novamente com um tabuleiro com duas bifanas no pão (que ela nunca viria a comer), o clima manteve-se. Ela com os olhos tristes, um olhar vago. Mas os olhos dele!... Os olhos dele, esses não enganavam! Fixavam-se nela com tanto amor! Amor...e medo da birra dela, não fosse ela perder o controle ali em público a qualquer momento. Mas não. Manteve-se em silêncio. E ele tentava calmamente resgatar a normalidade àquele relacionamento, como de resto fazia sempre. Ele sabia que ela costumava ter aqueles momentos e era melhor deixá-la acalmar. Só tinha que lhe provar o seu amor. E isso era tão fácil! Aquele homem move montanhas por aquela mulher. Só ela existe. Só ela importa. E aparentemente, só ela é que não percebe isso. 

 

(Nota: São só cenas das pessoas que vou "alservando" e das vidas que vou imaginando ...)

 

(Imagem: https://www.tumblr.com/) 

 

 

 

Termos de Pesquisa (ontem: 31/05/2017)

  1. posições mais usadas para fazer amor 

 

É isto!... 

Eu bem tento ser credível na blogosfera, mas já vi que nada feito, não consigo. Bem, pelo menos com isto dão-me ideias para temas de segunda-feira. Sim, porque se há coisa que eu nunca abordei aqui foram as posições mais usadas para fazer amor sexo. O Google anda marado de todo, é o que é! 

Anda por aí o vírus da felicidade!

Estou em condições de dizer que o vírus da felicidade foi identificado nas lojas do Vasco da Gama (talvez trazido por um turista português que esteve recentemente no Butão), mas parece estar a propagar-se para outras superfícies comerciais e mesmo outros locais. Podemos estar perante a ameaça de uma pandemia, meus amigos! 

 

Passo a  explicar. 

 

Como bem se lembrarão, ontem fui à consulta de imunoalergologia (ainda hei de falar sobre isso). Como me despachei cedo e fazendo justiça à gaja que sou, dei uma voltinha no Vasco da Gama para ver as novidades nas minhas lojas de eleição. Gaja que é gaja gosta de dar uma voltinha nas lojas!

 

Ora, nesta volta que eu dei houve um elemento comum em vários estabelecimentos comerciais onde entrei: a necessidade  das lojistas, mais evidente do que nunca, apregoada aos quatro ventos, de que o cliente se sentisse feliz. Ora tomem nota:

Entrei numa loja de roupa de senhora que até tinha uma fashion adviser e tudo e que me deu a conhecer um novo site de promoções de subscrição gratuita. Trata-se de Promofans. Vão lá espreitar, que talvez vos interesse. Eu já lá fui. A menina até me queria inscrever lá na loja, mas eu, nestas coisas, gosto de palpar primeiro o terreno. Gosto de estudar a coisa com tempo. Já subscrevi a plataforma, mas ainda não explorei o suficiente para vos dizer se as promoções e descontos valem a pena.

Segui para outra loja, de gangas e afins, cuja lojista quebrou logo o gelo com uma expressão do tipo "Olá. Sente-se bem? Aqui temos todas as condições para que se sinta feliz!" E eu "Ah!... Hummm... Ainda bem! Obrigada." WTF?!

Dirigi-me a uma livraria, onde pude assistir a uma cena rara. A uns metros de mim, a lojista deixou cair uns livros no chão e uma cliente ali ao pé prontamente apanhou tudo do chão. "Obrigada, não era necessário." "Não tem de quê. Não há problema."

Mau! Nesta altura já comecei a desconfiar... Há aqui qualquer coisa estranha hoje! O que é que se passa para haver tanta alusão à felicidade, simpatia e amor ao próximo no ar? Só pode ser de origem viral! O melhor é abalar daqui, senão amanhã (hoje) ainda me dá para abraçar aquela megera que me detesta lá no trabalho e que fala mal de mim nas costas!... É caso para dizer: também não exageremos, que essa coisa bíblica de dar a outra face não é para mim!

Segui para casa, mas parei num restaurante de uma cadeia de fast food, para lanchar. Gaja que é gaja às vezes também come fast food... Enquanto esperava pelo pedido junto ao balcão (só lá estava eu), a menina disse-me que me podia sentar, o que eu declinei com o argumento habitual: "Deixe estar. Estou farta de estar sentada." "Ah! Sabe? É que é nossa política que os clientes se sintam satisfeitos." "Também tu?", pensei. Mas disse: "Sim, sim. Eu estou satisfeita aqui em pé. Não se preocupe." WTF?! Olhei distraidamente para os avisos na parede e até isto lá estava: 

 

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"Pronto! Já está espalhado.", concluí eu. "Não me resta outra alternativa senão ser amiguinha da megera... Amanhã (hoje) tenho que lhe dar dois beijinhos, dizer que está mais magra, que a blusa que traz vestida lhe favorece o decote e perguntar pela família." 

   

Naaaa!!!! 

 

Butãopaís ao sul da China, única nação no mundo cuja religião oficial é o budismo tântrico, daí o objetivo principal de governo seja fazer com que os cerca de 700 mil habitantes sejam felizes, algo que até está consagrado na Constituição do país. Uma das perguntas que é feita aos butaneses nos censos é "Você é feliz?", assim como dão mais ênfase à Felicidade Interna Bruta do que ao Produto Interno Bruto. Até existe um Ministério da Felicidade! 

 

 

 

Hoje o dia é para cuidar de mim! E mai nada!

 

 

 

 

Não vos tenho maçado com as minhas mazelas, mas nos últimos meses tem sido muito difícil lidar com as crises quase diárias de rinite, associada à asma. Congestionamento, sequências de 20 espirros seguidos várias vezes ao dia (quem me dera fossem antes sequências de abdominais e pranchas!), olhos lacrimejantes, corrimento constante no nariz, ausência de olfato, tudo isto são sintomas com os quais tenho que lidar "on a daily basis". É complicado viver com rinite permanente (sim, porque a minha não é sazonal, que comigo é tudo em grande!). Para além do incómodo dos outros sintomas, imaginam o que é não sentir o cheiro das flores, dos perfumes, da terra molhada, dos meus cozinhados, do mar, e mesmo o cheiro do meu marido? É mau mesmo... mas, como costumo dizer, há coisas piores. 

 

Sou muito avessa a ir ao médico e encontro sempre razões profissionais que me impedem de frequentar consultórios médicos. Mas cheguei a um ponto em que tenho mesmo que tentar contornar alguns dos sintomas da rinite. É que é uma doença que interfere com a nossa qualidade de vida, acreditem! Por isso, é hoje que vou a um imunoalergologista que me aconselharam. Não vou à procura de milagres, mas vou insistir para que me façam de uma vez por todas aqueles testes das picadas para ver as reações e verificar se há alguma coisa específica que devo evitar para diminuir os sintomas da rinite. Vamos ver como corre esta consulta... Até logo!

 

 

Espaço para a ciência (sim, porque aqui também se escreve sobre assuntos sérios!)

Hoje é mesmo um assunto sério. Escrevo sobre ciência e genética. Hoje excecionalmente peço-vos que leiam o post com toda a vossa atenção, que o assunto é mesmo sério. Não saltem parágrafos, senão a abordagem não vos fará sentido. Só hoje, por favor. 

 

Como sabemos, estudos científicos que sequenciaram o genoma de primatas revelaram que existe uma semelhança maior que se imaginava entre o genoma de primatas como chimpanzés e gorilas e os humanos, o Homo (às vezes muito pouco) sapiens. As conclusões, se não me engano, apontam para diferenças genéticas mínimas (na ordem de à volta de 1%) entre eles, sendo que os primatas que têm a sequência genética mais parecida com os humanos são os chimpanzés e os bonobos. O gorila, cuja sequência genética foi mapeada pela primeira vez em 2012, é o que se afasta mais, mas apresenta diferenças genéticas de apenas 1,6%.

 

Poderá não ter qualquer relação com os mapeamentos genéticos de uns e de outros, mas é engraçado verificar nos primatas atitudes e comportamentos em tudo idênticos aos dos humanos. Determinadas poses, a forma como as mães dão colo aos filhos bebés ou lhes catam os piolhos são imagens ternurentas muitas vezes captadas nos programas de vida selvagem ou mesmo observáveis ao vivo em espaços como os jardins zoológicos.

 

Era mesmo uma dessas imagens que eu queria trazer hoje aqui. Na impossibilidade, deixo esta, também ela ilustrativa das semelhanças comportamentais entre uns e outros. 

 

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Afinal não me esqueci que hoje é segunda-feira!    

 

 

(Fonte da imagem: https://www.facebook.com/tbhgc/) 

 

 

 

Saudade, saudade... dessa 'nha terra...

Hoje venho carpir as minhas mágoas. Tenho saudades de ir ao Minho. Sinto falta. Não vamos lá desde a Páscoa. Com filhos em idade escolar é difícil encontrar um fim-de-semana prolongado, sem testes, para podermos ir lá acima. Ainda para mais, no final do ano letivo... É assim... 

 

Ainda fiquei mais desacorçoada quando recebi boas novas sobre a produção frutícola da nossa quintinha. A senhora que me faz alguma manutenção do jardim e limpezas esporádicas à casa foi lá e colheu os frutos da época que lá temos: nêsperas e cerejas, dois dos meus frutos preferidos. Biológicos! E a querida enviou-me fotos. Vejam só esta maravilha:

 

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Só tenho é pena de não poder colher eu própria os frutos. E degustá-los também, já agora. Mas já fico feliz por não se estragarem nas árvores. Ai que pena! Ai que saudades! 

 

 

 

Poesia, Religiões, Doutrinas e Dogmas

Se calhar já todos conhecem, mas eu só agora dei de caras com este pedacinho de sensibilidade e lucidez. Achei bonita, de tão simples, esta forma de  dizer não à intolerância religiosa e ao fanatismo religioso, à hipocrisia e à arrogância dos que acham que têm um lugar ao pé de Deus porque o veneram em orações mas não em ações, aos que se dizem cristãos mas são incapazes de manifestar atitudes cristãs para com os seus semelhantes. Isto tudo dito ao jeitxinho brasileiro, gentxi. Jóia!

 

Uma menina ainda, Anamari Souza. Lembra-me eu quando era da idade dela, com o sentido de justiça e o questionamento constante das convenções e dos dogmas. Isso sempre fez parte de mim, sim. Em tudo, e no que diz respeito a religião também. Li a Bíblia (Antigo e Novo Testamento) por volta dos 14 anos, por auto-recriação, porque quis e porque me questionava sobre aspetos daquilo que me ensinavam na catequese. E sabem uma coisa? É um grande livro com uma grande narrativa, que mistura a componente histórica com ficção e o fantástico. Todos deviam ler. 

 

 

 

O mundo luso está em altas!

 

Está em altas e proporciona cenários que eu nunca pensei vir a testemunhar em dias de minha vida.

  • Ganhámos o Europeu de Futebol!
  • Ganhámos o concurso Eurovisão da Canção!
  • Agora até ganhámos a atenção da raínha do pop, que se rendeu à nossa capital... e ao Benfica!

 

"Glorioso! 🌝 Lisbon I had so much Fun! I cant wait to come back one day and unlock all of your secrets. 🔑🗝🌈💘😂"

-Madonna

 

(Fonte : https://www.facebook.com/madonna)

 

 

É isto que significa estar engalinhado ou enguiçado!?

 

Sei que as nossas preocupações mundanas são muito pequeninas perto das mortes que novamente ocorreram por culpa de um alegado fanático que se resolveu fazer explodir em nome de um deus ou de um profeta ou o raio que o parta. Nem há nada que eu diga que descreva o terror que me suscitam situações como a que se passou no Arena de Manchester, Reino Unido, no final do concerto da Ariana Grande, na última segunda-feira.

 

Mas há um aspeto que quero partilhar convosco e que nos leva para o título deste post.

 

A minha filha é fã incondicional desta cantora. Delira com as canções dela, vá-se lá saber porquê! Por esse motivo, um concerto da Ariana Grande seria a melhor prenda que lhe poderíamos dar. 

 

Ela merecia, por isso demos! Comprámos bilhete para o Rock in Rio no ano passado, mas a cantora falhou a presença, alegando motivos de doença. Apesar de podermos reaver os bilhetes, acabámos por ir na mesma ver Charlie Puth, Avicii e Ivete Sangalo (esta última acabou por atuar duas vezes no Rock in Rio 2016).

 

"Não faz mal, filha. Ela prometeu vir cá no próximo ano e compramos-te o bilhete nessa altura". E comprámos! 11 de junho será (ou seria?) a data do concerto inserido na Dangerous Woman Tour, no Meo Arena. Mas agora tenho a impressão que ainda não é desta, uma vez que alegadamente a cantora suspendeu a digressão europeia. Nada que eu não adivinhasse logo que vi a notícia do atentado em Manchester. 

 

Eu confesso que sinto medo, cada vez que me encontro em locais apinhados de gente. Ocorre-me sempre a possibilidade de que algo como o que se passou no Reino Unido, e em tantos outros locais anteriormente, aconteça. E o facto de ter ali os bilhetes guardados para os meus filhos irem assistir a um concerto da mesma cantora, em cujo último concerto aconteceu aquilo que aconteceu, aterroriza-me. Que agonia tão grande imaginar que poderia ser com os meus...

 

Repito: a eventualidade de não se realizar novamente o concerto não tem importância nenhuma ao pé do sofrimento dos familiares e das vítimas atingidas por mais este ato suicida. Mas que está engalinhado ou enguiçado, lá isso está!

 

 

 

De dieta!

 

Hoje celebro dois meses sem tocar em pão, massas, fritos, e sem beber qualquer tipo de bebida açucarada ou com álcool. Dois meses sem comer bolos, biscoitos ou qualquer outro doce.

A mudança foi enorme, sinto-me óptima, perdi peso e estou muito mais concentrada e positiva.

Os hambúrgueres são uma memória distante, substituí-os por legumes, especialmente o aipo.

O meu último jantar foram apenas quatro amêndoas, um pouco de tofu e chá verde.

Vou continuar a manter esse estilo de vida e tentar fazer ainda mais. Os resultados são fantásticos e levam-me a continuar em frente. Sem álcool, sem gordura, saudável e acima de tudo fazendo uma corrida de uma hora, todos os dias.

Já não me lembro de quem era este post, mas dizia para copiar e colar...!!!  

 

Oral Love: um episódio da infância.

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Quem se lembra da minha participação na rubrica One Smile a Day, da Chic'Ana? Aquele post que falava de uma criança que fez cocó nas cuecas... Essa, essa...

 

A propósito disso, e para cumprir o tema da segunda-feira, lembrei-me de um outro episódio engraçado, que conto hoje aqui.

 

Pouco mais velha do que quando fiz cocó nas cuecas, mas ainda pela idade da inocência, descobri um livro didático sobre sexo lá em casa na estante dos meus pais. Aquilo passou a ter sobre mim um fascínio terrível. Sempre fui uma rapariga curiosa sobre o assunto sexo anatomia humana e assim, vá. 

 

Como se não bastasse ir de vez em quando folhear o livro às escondidas com aquela excitação única do fruto proibido, ainda me deu na cabeça ir, às escondidas (vejam lá a inocência!), mostrar ao vizinho mais ou menos da minha idade. Tão nova e já tão seletiva nas "amizades" e nas partilhas! 

 

Escusado será dizer que a minha irmã, na primeira oportunidade (fazíamos isso normalmente na primeira zanga que tínhamos pós-conhecimento da infração de uma de nós) foi contar aos meus pais e ainda levei uma bofetada do meu pai, por insistência da minha mãe. Lembro-me bem que o meu pai não viu mal nenhum naquilo mas deu-ma por encomenda dela, que eles educavam em uníssono, como deve ser e vem nos livros.

 

O livro chamava-se Oral Love, mas era, como disse, didático. Com imagens, mas nada explícito. Título sugestivo, hã? Escrito em inglês, era uma relíquia raramente encontrada nas casas de família à época, que naquela altura (início dos anos 80, apesar de haver alguma emancipação), suspeito que não deveria haver muitos curiosos e praticantes da arte do oral... Coitadas das senhoras e das pessoas em geral... 

 

Ainda conservo o livro lá na minha casa no Minho (está na estante ao lado dos livros na língua inglesa). Guardei-o de recordação. Sim, porque já não há nada ali (no livro) que me surpreenda assim tanto, no que diz respeito a este assunto em particular, como surpreendia os olhos curiosos e ávidos de conhecimento de uma miúda de pouco mais de 10 anos.

 

E pronto, esta é a pérola da infância que deixo por cá hoje. Confesso que a minha esperança é que, com este post, a minha imagem fique associada à de uma ninfomaníaca libertina sexualmente precoce, fazendo assim esquecer a porca cagada. 

 

 

P, o baldas!

 

O P é um rapaz de 16 anos, com alguma irreverência própria da idade mas com bom coração. Só não liga à escola. Nem sequer leva os livros para casa. Ficam no cacifo durante todo o ano. Não vale a pena levá-los. Afinal, não iria estudar mesmo. Corre, por isso, o risco de chumbar, mais uma vez.

Vive com a mãe e uma irmã mais nova, com muitas dificuldades, numa habitação humilde, sem as mínimas condições, com algumas divisões em terra batida. A mãe é uma boa mãe, trabalhadora, e luta diariamente para criar aqueles dois filhos sozinha. Conta também com a ajuda de terceiros.

O P tem o pai preso. Disparou contra um homem na sequência de uma briga. Mas não teve culpa, diz o P. Vão visitá-lo ao fim-de-semana. A mãe, esposa extremosa, leva-lhe sempre dinheiro para os gastos na prisão, apesar das dificuldades em criar os filhos. 

O P sabe que precisa ajudar a mãe no orçamento familiar. Trabalha muitos finais de dia, depois da escola. E quase todos os fins-de-semana, na agricultura. Pagam-lhe 5 euros à hora. 30 euros por dia. É uma boa ajuda, diz ele. 

O P não estuda. Mas podia estudar, em cima da sua cama, diz ele. Dormir lá é que não pode, desde que o soalho do quarto abateu. Agora tem dormido no chão, no quarto da mãe, ao lado da cama onde ela dorme com a irmã mais pequenina. 

O P é um bom menino, só não liga à escola. 

 

 

Os bezerros é que abocanham as tetas das vacas em cenários bucólicos!

 

O título parece saído de um romance de António Lobo Antunes, passo a arrogância de comparar uma frase minha à escrita desse grande escritor. Digo isto porque aparenta não fazer sentido, mas acabarão por perceber que faz todo o sentido. Senão, leiam o episódio que tenho hoje para vos contar. Acreditem: isto é verídico, aconteceu mesmo! 

 

Ainda estou incrédula com o que vi ontem, ao final do dia, no supermercado. Eu vi, com estes olhos que a terra há de comer, uma mãe e uma filha que devia ter uns 3 anitos. Pareceu-me uma mãe extremosa, à distância em que as observei, estava eu na charcutaria e elas na padaria. A criança agia como qualquer criança, sempre a falar "mãe isto e mãe aquilo" e a esticar os braços em direção à mãe, a exigir atenção, pensei eu. A mãe, sempre com muita paciência, ouvia e respondia como que implorando que a criança tivesse também, ela própria, paciência. Mas a criança não dava descanso.

 

Até que se calou, em algum instante entre o meu pedido de fiambre e o de queijo ou enquanto eu pedi à menina para verificar a data de validade do queijo fresco. A mãe cedeu e deu-lhe finalmente o que ela queria, pensei. E como é que eu me apercebi do que ela realmente queria, como foi? Apercebi-me porque a mãe caminhava agora na minha direção, a empurrar o carrinho e a criança sentada dentro do dito cujo, a abocanhar o mamilo da mãe, mãe esta que tinha sacado a mama para fora da roupa e caminhava assim com a filha pendurada nela com a maior naturalidade. Conseguem imaginar a cena?

 

Fiquei chocada, a sério!  Eu amamentei os meus filhos, acho a amamentação a coisa mais natural do mundo e não vejo problema nenhum em que as mães o façam em público, de forma recatada, para suprir as necessidades alimentares dos filhos bebés. É humano que isso aconteça. Agora esta mãe levou a discussão para todo um outro nível. Aquilo não se tratava de alimentar um filho! O que aquela mãe fez foi ceder a um capricho de um "bebé" grande mimado que articula perfeitamente o discurso e já tem idade para entender as regras da vida em sociedade e, mais, que já tem idade para comer a sopa ou um naco de pão! E ainda circular em público naqueles preparos, como se fosse a cena mais natural do mundo? Alto lá!

 

Acredito que a aspirante a vaca no prado percebeu a minha incredulidade e guardou a mama dentro do vestido, sem que eu proferisse qualquer palavra. Certamente percebeu! Sou transparente demais e fiquei literalmente de boca aberta, sobrolho franzido e olhos fulminantes. 

 

Não sei... Às vezes acho que sou uma valente besta insensível que não consegue ter empatia por uma criança de 3 anos (ainda se tivesse 3 anos e meio, podia criticar!...) que quer o conforto da mama da mãe (sim, porque leite não tinha de certeza!), nem com aquela mãe ruminante que faz tudo para que a sua cria se sinta feliz.  Sou mesmo uma pessoa e uma mãe má...

 

 

A subalternização da dieta mediterrânica?

 

Fiz recentemente uma atualização dos meus conhecimentos sobre as características da dieta mediterrânica. Quis conhecer melhor esse estilo de vida (sim, não é só uma dieta, é antes um estilo de vida!), com a intenção de a introduzir o mais possível cá em casa. Bem, na realidade nunca estivémos muito afastados dela. Posso afirmar com orgulho que sou daquelas mães que conseguiu incutir nos filhos bons hábitos aimentares. Só para dar alguns exemplos: os meus filhos nunca saem de casa sem tomarem um bom pequeno-almoço, comem alimentos variados, de todos os tipos, incluindo legumes, leguminosas, fruta, peixe, a bela da sopa, etc. Não são grandes apreciadores de fast food nem de batatas fritas. Na minha casa é muito raro fazer fritos, aliás. Não há, pois, adolescentes obesos cá em casa, nem perto disso. O pai e a mãe é que estão um bocadito mais rechonchudinhos, mas nada de muito cuidado. 

 

Ora bem! Qual não foi o meu espanto quando ontem foi apresentado o Relatório da OMS, que analisa 27 países e regiões e, pasme-se, entre os países com mais crianças/jovens obesos está Portugal, em 5º lugar. É verdade! Os adolescentes portugueses estão entre os mais obesos da Europa. Só a Grécia, a Macedónia, a Eslovénia e a Croácia apresentam valores mais negativos.

 

E eu pergunto: Se os maus hábitos alimentares e a reduzida atividade física estão entre as causas do elevado índice de obesidade, onde é que anda a tão nossa dieta mediterrânica nas casas dos portugueses? Nós que somos um país que carrega esse património histórico de uma alimentação saudável e de uma gastronomia saborosa e apreciada em todo o lado, estamos completamente americanizados, rendidos ao hamburguer e afins? Acordai, educadores portugueses, acordai! As futuras gerações agradecem!

 

 

(Foto: http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-05-17-Portugal-entre-os-5-paises-europeus-com-mais-adolescentes-obesos) 

 

 

 

Sobre mim: a malcriadona!

 

Se há coisa que detesto é que me apareçam a bater à porta desconhecidos para me impingir alguma coisa. Seja um vendedor para propor uma transação comercial, sejam os jeovás para me apresentarem o paraíso, seja quem for. Até mesmo conhecidos, às vezes não me cai bem que apareçam sem avisar para alterar a minha rotina e invadir a minha privacidade. Gosto de visitas, sim, mas planeadas e combinadas. Fora isso, gosto de usufruir do sossego da minha casa, lá está!, em sossego. 

 

Um dia destes calhou aparecer um indivíduo da eletricidade, que eu nem sequer cheguei a ver, por sinal. Está a pessoa no seu lar, em t-shirt e cuecas a pavonear orgulhosamente a sua celulite, no curto tempo ao fim do dia em que consegue usufruir da sua casa, e aparece-lhe alguém a atrapalhar, o que é que a pessoa faz? Esta pessoa pergunta quem é sem abrir a porta, ouve a resposta, pede imensa desculpa e diz que respeita muito o trabalho do indivíduo mas naquele momento não pode abrir sequer a porta e atender porque está em trajes menores. Tudo verdade! E do outro lado? Uma reação de desconcerto e um pequeno esgar de riso quase inaudível. Foi evidente que nunca lhe tinham apresentado o argumento da (semi)nudez... Mas, sem mais insistência, lá se foi. 

 

Por isso, já sabem. Se não quiserem ser incomodados(as), não cheguem sequer a abrir a porta e digam que estão nus, para não dar hipótese de começarem a desenrolar-vos o fio de uma conversa que depois é mais difícil interromper. Esse é o segredo. Malcriada? Bicho do mato? Não quero saber! Hoje em dia já só abro a porta se, e quando, eu quero e a quem eu quero. Seja a porta de casa, seja a do coração. Literal e metaforicamente, portanto!  Malcriadoooona!!! 

 

 

(Imagem: http://www.cacodarosa.com/admin/fotos_noticias/15_01_2015_jgmiokek.jpg)

 

 

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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