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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

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Não há pachorra!

 

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Desempenho há quase uma década as tarefas de direção de uma chafarica. Sou uma pessoa muito organizada e empenhada no meu trabalho. Gaba-te cesto! Não, sou mesmo.

Por isso, há anos que levo a cabo reuniões às quais presido, como foi o caso de ontem. As mesmas pessoas têm participado dessas reuniões, salvo raras oscilações.Preparo essas reuniões com brio e envio a todos, com antecedência, os documentos a ser analisados na reunião. Para todas essas reuniões faço ainda um guião onde coloco os pontos da ordem de trabalhos, tudo explicadinho e escarrapachado, as informações com todos os pormenores relatados e com cumprimento rigoroso das regras de pontuação e de ortografia. Não há nada pior do que uma ata cheia de erros e, por via das dúvidas, segue tudo escrito para o secretário. Desta forma, nem precisa, em muitos assuntos, tirar notas para a ata. O guião é um auxiliar importante, portanto. Este método facilita também o decorrer das reuniões, já que o pessoal fica com a informação organizada e, como dizia, quase fica feito o trabalho de quem secretaria a reunião.

 

Repito que há anos que é assim! Pois... Mas há pessoas muito mal agradecidas e, além disso, muito leeeentas! Não sei como conseguiram tirar um curso, sinceramente...

 

Situação, ontem:

 

Eu apresentava um determinado assunto por minhas palavras, assunto esse que tinha anteriormente, como sempre faço, escarrapachado no guião, uma vez que era uma mera informação que não carecia de deliberação.

 

Pessoa X (encarregue de fazer a ata, apontando para o texto que se referia ao que eu estava a apresentar): "Isto que aqui está no guião é para a ata?"

 

Esmoreci completamente. De repente senti-me como se tivesse andado anos a fio a trabalhar para alguém que nem sequer percebeu a ajuda que eu dava cada vez que lhe passava um guião para a mão com meio trabalho de redação da ata feito. Alguém com preguicite mental de tal ordem que nem se quer dar ao trabalho de ler um ou dois parágrafos de texto para ver se coincidia com o conteúdo que eu tinha apresentado oralmente. Será que tinha pelo menos ouvido alguma coisa do que eu dissera? Alguém que deveria era ter dito: "Espetáculo! Já aqui tens o texto sobre esse assunto! Obrigada!"  Que coisa! Mas porque é que eu idealizo situações? Porque é que eu insisto em considerar a inteligência, gratidão e sentido de oportunidade alheios à medida dos meus? Para que é que eu crio expetativas com as pessoas? Felizmente não é geral, mas aquele é mesmo um caso crónico. Os restantes, felizmente, perceberam  o quanto inoportuna era aquela pergunta.

 

Eu (o que é que se responde àquilo?): "Se é para a ata? Não. Dei-me ao trabalho de colocar isso aí só para enfeitar."

 

Pronto! Depois cresce em mim a sarcástica e bruta que cá mora!

 

Truz! truz! Está aí alguém? Nem quando as coisas são rotineiras, esquemas repetidos anos a fio??? Há pessoas que não gostam mesmo de usar a massa cinzenta. Deve ser para não gastar. É mais fácil assim. E depois, daqui a uns anos, eu é que tenho alzheimer ou qualquer coisa do género, e eles frescos que nem alfaces! 

 

Não há pachorra! 

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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