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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

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Quando o trabalho me persegue no fim-de-semana.

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 (Fonte na imagem)

 

A natureza humana continua a surpreender-me. Cada vez mais estou convencida que as pessoas só olham para o seu próprio umbigo, só o seu interesse pessoal importa. 

 

A funcionária da contabilidade lá da chafarica concorreu a outro emprego e foi selecionada. Até aí tudo bem. Pessoalmente é melhor para ela e temos que aceitar isso. Ninguém é insubstituível e a sê-lo alguém, não seria certamente ela. No entanto, eu, como responsável máxima da chafarica, sinto-me obrigada a defender o interesse do serviço. E, no interesse do serviço, a funcionária só poderá sair quando passar o testemunho para o sucessor e participar inclusive no fecho do ano económico. Afinal, é a responsável da contabilidade, a mesma que sempre pretendeu encarnar o exemplo máximo de dedicação e zelo. Além disso, eu própria, como dirigente, preciso de garantia da área da contabilidade assegurada sempre, e muito mais nesta altura do ano. Senão, em última instância, eu é que tenho que responder por erros cometidos.

 

Mas esta mesma profissional competente não aceita muito bem a ideia de que tenha que esperar mais umas semanas para sair. E a mim faz-me muita confusão que não entenda a pertinência desta exigência. Uma boa profissional entenderia, or so I think... 

 

Os argumentos utilizados vão da vitimização à chantagem e ameaça velada, do tipo: "Então e se eu ficar doente, como resolvem? Alguém terá que fazer o trabalho." Ou seja, para bom entendedor (neste caso, basta conhecê-la um bocadinho): "Se não me deixarem ir já, posso sempre meter baixa e ficam sem mim na mesma".

 

Nada que eu não estivesse à espera. E disse-lho, que já passou o tempo em que eu deixava coisas por dizer.

 

Pois é. A funcionária exemplar, sempre que há uma fase de mais trabalho ou algum problema surge e é preciso resolver, mete baixa. Poderia dizer "fica doente", mas não acredito que seja isso. Ela sempre foi assim: por vezes quase parece desejar estar doente para ter desculpa para não ir trabalhar. Constrói imensas narrativas à volta da sua saúde e parece acreditar mesmo que está a bater as botas. Ou não, e é mas é uma espertalhona que pensa enganar todos. Parvos são os que vão trabalhar todos os dias, mesmo com úmeros partidos e ciáticas e com os efeitos colaterais de quimioterapias. Parvos são os que trazem as ralações do trabalho para o fim-de-semana. Esses é que são parvos. Tal e qual Halberstam, a personagem do cartoon, que se tornou empregado do ano depois de morrer atrás da secretária em vez de meter baixa médica. 

 

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