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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

O valor negocial de um "Bacalhau à Brás" cá em casa.

 

Ao fim da tarde de um dia da semana passada (talvez sexta-feira), em casa, deitados na cama a descansar do dia de trabalho extenuante, como gostam de fazer antes de retomar as rotinas familiares de final de dia:

 

Mulher: "Estou cansada. Não me apetece fazer jantar. Podíamos ir jantar fora hoje..."

Marido: "Não me apetece sair. Eu faço o jantar."

Mulher: "Fazes? O quê? Tu não sabes cozinhar!"

Marido: "Tu dizes-me como fazer..."

Mulher: "Deixa estar... O que é que EU faço para jantar, então? Queres Bacalhau à Brás?"

Marido, agradavelmente surpreendido, arregala o olho e passa a mão insinuante no corpo semi-nu dela (estavam trinta e tal graus!), numa promessa de diversão na horizontal, a muito curto prazo: "Eh pá! Se fizeres Bacalhau à Brás, logo à noite até "ganhas qualquer coisa"..." Conversas de casais... 

 

Et voilà! Cá está ele:

 

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Moral da estória: os negócios são para ser cumpridos e há que honrar os compromissos. Nunca perdi a esperança... até hoje... 

 

 

"Amor meu"

 

Vou-me apercebendo, com o passar dos anos, que sou uma romântica incurável. Derreto com narrativas de amores longos e felizes. Como o dos meus pais, apesar das dificuldades que enfrentaram ao longo da sua vida em comum. Lamechas em último grau é o que eu sou, afinal. "Melosa", como diz o M.

 

Recentemente eu e o M. fomos convidados para um jantar na casa de um casal sexagenário, pelas mãos da sua filha e do seu genro, nossos amigos, que nos convidaram para lá ir jantar uma especialidade da região. Os anfitriões eram pessoas extraordinárias, excelentes comunicadores com muitas histórias de vida para contar daquelas em que eu fico deleitada a ouvir como acontece na leitura de um livro que devoramos mas ao mesmo tempo cujas páginas não queremos que cheguem ao fim.

 

Há amor mais inspirador do que aquele de um homem apaixonado que, ao fim de dezenas de anos de vida em comum, identifica a sua mulher nos contactos do telemóvel como "Amor meu"? Não há, pois não? O mesmo cujo lar, uma casa modesta, abre as portas aos visitantes com uma pequena tabuleta colocada na parede com a frase "Contigo serei feliz" (na imagem)? Questionei-me se seria um apontamento religioso, mas escolhi não perguntar. Não queria correr o risco de que me dissessem que sim. Prefiro acreditar que seja uma máxima de vida daquele casal tão inspirador, uma dedicatória mútua. 

 

Fiz questão de lhes transmitir a minha admiração pela sua história de vida, que ouvi embevecida, diga-se. E tenho que partilhar que à conta desta história de amor, o M. teve que "levar" com a síndrome "os maridos das outras" que me ataca nestes momentos de confronto com o romantismo alheio e ausente em nós enquanto casal. Mas não há nada a fazer! Ao fim de 25 anos, já desisti de ser o "Amor meu" no telemóvel dele. Tenho que me contentar em sê-lo efetivamente (e na realidade sou-o!), mas sem grandes ostentações ou manifestações exteriores. Talvez seja só isso que é preciso...

 

 

A rapariga dos olhos tristes e o namorado ternurento.

 

Ela chegou sozinha e sentou-se na mesa ao nosso lado. Parecia triste, abatida. Deveria ter vinte e poucos anos, algum excesso de peso, óculos, o cabelo negro preso num rabo de cavalo e vestia de preto, o que ainda lhe conferia um ar mais abatido e  pesado. Nada nela combinava com a sua juventude. Apenas o ar de menina amuada, a fazer uma birra, lembrava o facto de ainda ser novinha. Com quem estaria? Parecia esperar alguém...

 

Após um minuto ou dois, ele veio ao pé dela, oriundo do balcão do snack bar, mas não se sentou. Era um rapaz pela idade dela, ruivo, elegante. Debruçou-se sobre ela, perguntou-lhe algo delicadamente e ela esboçou um trejeito de enfado e disse que não, abanando a cabeça e ostentando um beicinho. Continuava miseravelmente infeliz, pelos vistos. Ele insistiu e ela agora soltou impacientemente "Já disse que não quero. Já comi!". Estava nitidamente a tentar marcar uma posição. Ele, por seu lado, não podia ser mais ternurento e dedicado a ela. 

 

Quando ele chegou novamente com um tabuleiro com duas bifanas no pão (que ela nunca viria a comer), o clima manteve-se. Ela com os olhos tristes, um olhar vago. Mas os olhos dele!... Os olhos dele, esses não enganavam! Fixavam-se nela com tanto amor! Amor...e medo da birra dela, não fosse ela perder o controle ali em público a qualquer momento. Mas não. Manteve-se em silêncio. E ele tentava calmamente resgatar a normalidade àquele relacionamento, como de resto fazia sempre. Ele sabia que ela costumava ter aqueles momentos e era melhor deixá-la acalmar. Só tinha que lhe provar o seu amor. E isso era tão fácil! Aquele homem move montanhas por aquela mulher. Só ela existe. Só ela importa. E aparentemente, só ela é que não percebe isso. 

 

(Nota: São só cenas das pessoas que vou "alservando" e das vidas que vou imaginando ...)

 

(Imagem: https://www.tumblr.com/) 

 

 

 

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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