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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

Esta vida de motoristas dos filhos!...

Domingo foi dia de concerto. Ariana Grande já retomou a digressão, após os acontecimentos de Manchester, e lá fez o seu concerto prometido para Lisboa desde que falhou o Rock in Rio do ano passado.

Levámos os nossos filhos e os respetivos namorados. E lá foram eles, todos contentes e felizes. Quanto a nós os dois, os cotas, ficámos um bocado à fresca a observar as medidas de segurança. Não me pareceu haver grande reforço de segurança, a não ser ausência de circulação automóvel e alguns (poucos) agentes a pé e de mota. 

Aproveitámos o restante tempo de espera para um jantarinho a dois, na esplanada do Vasco da Gama, eu sempre com o olho no espaço circundante ao Meo Arena e o ouvido nos sons do concerto que se conseguiam ouvir. Confesso que demorei a conseguir desligar-me da consciência de que os miúdos estavam lá dentro num contexto tão conotado com o atentado do concerto de Manchester. Irracional, eu sei! Afinal, normalmente esses atentados acontecem onde e quando menos se espera. Mas o que é que hei de fazer? Mães... 

Ah! Os miúdos adoraram o concerto. E eu fiquei feliz que se tenham divertido.

 

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É isto que significa estar engalinhado ou enguiçado!?

 

Sei que as nossas preocupações mundanas são muito pequeninas perto das mortes que novamente ocorreram por culpa de um alegado fanático que se resolveu fazer explodir em nome de um deus ou de um profeta ou o raio que o parta. Nem há nada que eu diga que descreva o terror que me suscitam situações como a que se passou no Arena de Manchester, Reino Unido, no final do concerto da Ariana Grande, na última segunda-feira.

 

Mas há um aspeto que quero partilhar convosco e que nos leva para o título deste post.

 

A minha filha é fã incondicional desta cantora. Delira com as canções dela, vá-se lá saber porquê! Por esse motivo, um concerto da Ariana Grande seria a melhor prenda que lhe poderíamos dar. 

 

Ela merecia, por isso demos! Comprámos bilhete para o Rock in Rio no ano passado, mas a cantora falhou a presença, alegando motivos de doença. Apesar de podermos reaver os bilhetes, acabámos por ir na mesma ver Charlie Puth, Avicii e Ivete Sangalo (esta última acabou por atuar duas vezes no Rock in Rio 2016).

 

"Não faz mal, filha. Ela prometeu vir cá no próximo ano e compramos-te o bilhete nessa altura". E comprámos! 11 de junho será (ou seria?) a data do concerto inserido na Dangerous Woman Tour, no Meo Arena. Mas agora tenho a impressão que ainda não é desta, uma vez que alegadamente a cantora suspendeu a digressão europeia. Nada que eu não adivinhasse logo que vi a notícia do atentado em Manchester. 

 

Eu confesso que sinto medo, cada vez que me encontro em locais apinhados de gente. Ocorre-me sempre a possibilidade de que algo como o que se passou no Reino Unido, e em tantos outros locais anteriormente, aconteça. E o facto de ter ali os bilhetes guardados para os meus filhos irem assistir a um concerto da mesma cantora, em cujo último concerto aconteceu aquilo que aconteceu, aterroriza-me. Que agonia tão grande imaginar que poderia ser com os meus...

 

Repito: a eventualidade de não se realizar novamente o concerto não tem importância nenhuma ao pé do sofrimento dos familiares e das vítimas atingidas por mais este ato suicida. Mas que está engalinhado ou enguiçado, lá isso está!

 

 

 

À terceira foi de vez!

Finalmente, já cá cantam os bilhetes para o NOS ALIVE! 

 

Se eu vos contasse a dificuldade que foi comprá-los... Até fico embaraçada de falar nisso. Está bem. Eu conto. 

 

Compro quase todos os bilhetes para espetáculos online, através de Blueticket e, mais recentemente tenho usado mais Ticketline. Todos devem conhecer, certo? É mais prático e os custos da operação não são assim tão elevados.

 

Ora, o procedimento é preencher o formulário com os nossos dados online e, no meu caso, opto que me enviem referência multibanco para a caixa de correio eletrónico. A partir do momento da reserva, temos 3 dias para efetuar o pagamento no multibanco. Pois eu fiz a primeira vez e esqueci-me, deixei passar os 3 dias. Fiz a segunda vez e, admirem-se, esqueci-me, deixei passar os 3 dias. Fiz justiça ao ditado popular e à terceira foi de vez.  Paguei e já recebi os bilhetes na caixa de correio. Ó pra eles aqui!

 

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E sabem de quem é a culpa dos meus esquecimentos? Não! Não é do Benfica! É vossa, que são uns queridos e eu passo quase todo o meu tempo livre a deambular por aqui.  

 

 

No concerto ("Alservando"... # 1)

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(fonte referida no cartoon)

 

Sabem aquelas pessoas que não conhecemos de lado nenhum e damos com elas a fixar-nos com o olhar parado, a observar algo em nós de forma insistente? Daquelas situações em que, como não conhecemos a pessoa, instintivamente olhamos à volta para confirmar se é para nós que está a olhar? E quando verificamos que é, sentimos vontade de ir lá perguntar: "Passa-se alguma coisa?" Arrepiante, não é? 

 

Pois bem! Se alguma vez passarem por isso... posso muito bem ser eu.  Por isso, antes de começarem a disparatar com a pessoa perguntem: "És tu, Maria? Dá cá um abraço, melhere!" 

 

Efetivamente eu sou muito observadora do que me rodeia. Eu disseco tudo à minha volta e construo até estórias à volta daquilo que vou observando: desde razões para determinados comportamentos, a circunstâncias da vida alheia, a finais felizes ou não,... Até empatia, admiração ou hostilidade crio com quem observo, dependendo do que observo. E tudo isto sem conhecer as pessoas de lado nenhum. Mas não se preocupem, que eu faço tudo isso de forma muito discreta. E quando corre mal, tenho sempre um truque na manga para disfarçar (sou pouco esperta, sou!), nem que seja assobiar para o lado. Resulta sempre. 

 

Se eu fosse a contar todas as vidas observadas só no outro dia (do concerto), tanto na confusão para jantar no Vasco da Gama como no Meo Arena, era matéria para uma dissertação de mestrado. Aquilo era uma autêntica incubadora de estórias. Mas não posso contar tudo, senão nunca mais me visitam, né? Escolho só duas, então.

 

Uma:

 

A da mulher diligente dona de casa, despachada e dedicada a arranjar mesa para ela e para o maridinho que havia de chegar com os tabuleiros de comida já que, pelo aspeto do pintas, pequenino e franzino saltitão, convinha ter tudo orientado assim que ele aparecesse.

Por isso, ela vai e dirige-se a uma mesa com espaço para 4 pessoas, e como se estivesse em casa a pôr a mesa do jantar, retira os tabuleiros usados que ali foram deixados, inclusivamente o que estava à frente do homem que ainda se encontrava sentado na mesa a olhar para o telemóvel.  Assim, sem mais nem menos, como quem diz: "Sai lá daí, que tu já comeste e agora é a minha vez e do meu morzinho!". E ele saiu. Estava mais preocupado em ir ver "The Cure", foi a sorte dela.

Dali a pouco, estava já o casal enamorado instalado em duas mesas encostadas (logo, o espaço de 4 lugares), quando chega um grupo de raparigas que se lhes dirigem a pedir espaço na mesa (educadas, estas pediram.). Sem meias medidas, a (para mim já nesta altura) viril mulher-home, afasta de forma decidida mas com alguma má vontade uma das mesas encostadas para elas se poderem sentar, bem longe do morzinho dela, como se as coitadas tivessem a peste.

Não acompanhei mais a cena porque chegou a hora do concerto. Afinal, a estória da vida daquele casal talvez tivesse mais a ver com domínio dela sobre ele e consequente aniquilamento do coitado do que o que me pareceu à primeira vista. 

 

Duas:

 

A da jovem à minha frente no concerto, que surgiu acompanhada de um homem mais velho, muito delicado e amoroso com ela e que excluí logo que fosse pai e filha. Toda ela era mimo, todo ele era amor. Que romântico! Até me apeteceu dar uma cotovelada ao M, que estava a meu lado sem me ligar nenhuma, enquanto aquele homem lhe acariciava quase em permanência o braço e o ombro que envolvia num abraço quentinho.

Naquele casal, o mundo circula à volta dela, dos caprichos dela, das vontades dela. A não ser o concerto, porque ali era nítido que ela estava por ele e não por ela. Apercebi-me disso quando verifiquei que passou o concerto com alguma hiperatividade. Ora mexia na mala, ora olhava fixamente para o lado, ora para trás.

Pensei:"Eh lá! Esta é das minhas. Fixa o povo em redor, observa tudo. Está a olhar para mim, agora?" Toca de olhar à minha volta, para ver se era comigo a fixação, mas não consegui perceber.

Continua a irrequietude. Saca de uma sandes, que devora com apetite. Olha para trás, muitas vezes. Na cara estampado um sofrimento inexplicável. Pega numa écharpe e coloca à volta do nariz e da boca, que eu imagino estar a fazer beicinho por baixo. Segura com a mão para não cair, compõe um sem-número de vezes, tosse, olha para trás, volta a tossir, encosta a cabecinha no seu amor e ambos colocam as mãos na barriga dela. Estico o pescoço para lhe ver a barriga. Fez-se luz. Estava grávida, daquelas gravidezes que se confundem com uma doença.

Espera aí! Já percebi! Ela está tão inquieta é com o fumo do tabaco. Olho para trás. Exatamente. Lá em cima, em pé, uma fila de pessoas a fumar. Era para aí que ela olhava, como quem dizia: "Vejam bem o que estão a fazer, que eu estou aqui!" Mas, espera. Olho para a sala. Há fumo por todo o lado. Se fossem só os de lá de trás, estava ela bem. Elementos mais presentes: fumo e telemóveis levantados.

Inadvertidamente eu tusso. A asma. Ela olha. Dirige-se ao companheiro e imagino que lhe diz que há ali gente solidária com ela. E eu fiquei muito contente, não sei bem porquê. Acho que senti que aquela espécie de solidariedade podia dar-lhe algum conforto.

Logo me lembrei que, em 5 de maio de 2002, grávida de 6 meses do caçula, estava eu lá em baixo na plateia com o M, em pé, com uma barriga mais proeminente do que a jovem, a assistir ao In The Flesh World Tour, do Roger Waters. E se havia fumo! Fumos! De todos os tipos. Até aromatizados com ervas, se é que me entendem.

Penso que não é permitido, mas efetivamente fuma-se nestes espaços. No entanto, não consta que o meu filho tenha sido prejudicado na sua saúde por a mãe ser doida de ir para o meio da confusão e do fumo assistir a um concerto num dos dias dos 9 meses e um dia que ele viveu em mim. Por outro lado, que hoje adora Roger Waters e Pink Floyd, isso é verdade! Coisa rara na idade dele. Se calhar o que aquela noite fez foi apurar-lhe o ouvido e conferir-lhe algum bom gosto musical...

Oxalá esta grávida soubesse disto e talvez tivesse aproveitado muito mais o concerto. 

 

 

Sobre o concerto de ontem

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 (Foto Blitz)

 

O que dizer? Foi bom. Surpreendentemente bom. Um Robert Smith igual a si mesmo, que não desiludiu. A voz inconfundível e inalterada, parecia ainda a do rapaz de 30 anos nos anos 80 ao som da qual eu tanto dancei nas discotecas da moda na cidade onde estudei. Só a cabeleira desgrenhada  já grisalha o afastava do negro integral a que estávamos habituados. Os olhos borrados de preto e os lábios vermelhos esborratados não consegui confirmar, lá do alto do balcão 2. 

 

Um som agradável, como todos os que me remetem para os anos de uma idade em que não pensava muito na vida e limitava-me a viver, porque podia. Uma inconsciente responsável, assim era eu. Tenho saudades dessa "eu".

 

De volta aos "The Cure": à volta de três horas de concerto, muitas músicas novas (pelo menos eu não conhecia muitas delas) e fizeram não uma, nem duas, mas sim TRÊS encore. Tudo programado, claro, como é da praxe. Até deixaram algumas das mais conhecidas para essa altura do concerto. Mas pronto, denuncia ainda uma certa confiança dos velhinhos na casa dos 50. Já contavam ser chamados ao palco três vezes, quero dizer. 

 

Se por ventura eu tivesse filmado e partilhasse aqui um video de muita má qualidade (ou dois ou três ou...) corria o risco de ir presa? E se fossem só pequenos excertos? Hã??? É melhor jogar pelo seguro, não é? Então, está bem. Partilho uns de dador anónimo, assim que conseguir...  

 

 Parece que não consigo.  Mas estão no Facebook! É dar lá um saltinho. 

 

 

 

Um azar nunca vem só...

Tudo nesta vida é relativo. As questões que para nós são de importância vital alteram-se e as prioridades invertem-se num abrir e fechar de olhos. As circunstâncias da vida a isso obrigam.

 

E eu sou lembrada desse facto demasiadas vezes, mais vezes do que gostaria. Desde os 39 anos que vou acumulando problemas de saúde, desde o mais grave de todos a outros mais pequenos, mas que parece que vêm ter comigo para me lembrar a todo o momento da vulnerabilidade da existência humana, da minha existência.

 

Cá continuo cheia de dores e a coxear com a maldita lombociatalgia. Coxear é um eufemismo. Pareço uma boneca (des)articulada agarrada às paredes e aos móveis. No outro dia, já lavada em lágrimas com as dores , dizia a uma amiga que sinto que estou sempre a ser posta à prova. Amiga que é, ela respondeu-me que isso acontecia porque eu sou lutadora e aguento tudo. Ou seja, segundo ela os problemas graves de saúde aparecem a quem tem estofo para suportar. Será? Nesse caso, triste destino o das pessoas fortes! Preferia ser uma flor de estufa.

 

Desculpem o tom choroso deste texto. Estou mesmo aflita com as dores que não vejo jeito de irem embora. É hoje de todo impossível conferir algum humor a isto...

 

E, para além das dores, como um azar nunca vem só, tenho uma questão que me está a preocupar. Como é que vou dar a volta a esta ciática para conseguir ir ver "The Cure" no Meo Arena na próxima terça-feira? Começo a ficar convencida que não vou... Porque é que eu nunca pago a quantia extra do seguro para o caso de um infortúnio como este? Bem, é melhor não pensar nisso, que o mais certo seria a ciática não estar coberta para devolução do preço dos bilhetes. Com seguros não é de fiar. 

 

Meus ricos bilhetes! Meu rico dinheirinho! Minha rica saúde! 

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Tiradas familiares #6 (B - Medir as palavras)

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Filha: "No fim-de-semana há um festival de música em...  Os nossos amigos X, Y e Z vão e nós também queremos ir. São 15€ cada um."

 

Mãe: "E quem vai atuar?"

 

Filha: "A banda tal, o DJ coiso..."

 

Mãe: "Mas isso não tem jeito nenhum! Querem pagar 30€ para ver isso?"

 

Filha: "Ó mãe, a gente também não vai lá para ver os concertos. Vamos é conviver com os amigos!"

 

Mãe: "Então, isso podem fazer em qualquer lado. Não precisam pagar para o fazer."

 

Filha: "Não, afinal queremos ver os concertos, queremos!" E entredentes, num esgar de desdém, revirando os olhos: "Já me esquecia que contigo temos que medir as palavras..."

 

Espertalhona!

 

Chama-se a isto:

  • Capacidade de adaptação rápida às circunstâncias, jogo de cintura, inteligência emocional

         ou

  • "Troca-tintice" descarada? 

 

 Deixo ou não deixo? 

 

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DIREITOS DE AUTOR (Decreto-Lei n.º 63/85 com as posteriores alterações)

Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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