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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

Membros partidos, gente estropiada, pulseiras da triagem e redes sociais

 

Pela quantidade de posts de pessoas que orgulhosamente mostram fotos de braços com pulseiras da triagem do hospital ou de entes queridos (normalmente os próprios filhos) estropiados, com membros com ligaduras ou deitados na cama ligados aos fios do soro, fazendo referência a estarem novamente no hospital e serem uns azarados porque "outra vez no hospital e blá blá blá", sinto-me tentada a concluir que anda por aí muito boa gente a provocar uns acidentezitos ou a dar marteladas de propósito nos membros para ter assunto para apresentar nas redes sociais. 

 

Just saying... 

 

 

A propósito dos planos de contingência acionados para os sem-abrigo...

Não há dúvida de que é uma medida importante, é de louvar. Já que a triste realidade de haver pessoas que não têm um teto para dormir existe, há que acionar todas as ações possíveis para que seja menos penoso para aquelas pessoas sobreviver ao frio intenso que se tem feito sentir.

 

Mas deixem-me dizer que é tão triste que haja necessidade disso! É tão angustiante para mim! E imagino-me numa situação dessas e penso: foda-se, será que quem dorme na rua, só agora é que sente frio? Então e na semana passada e nos últimos meses, tem estado calor à noite, é? E só faz frio em Lisboa e no Porto? Merda Raio de organização económica a da nossa sociedade, em que uns têm tudo e outros não têm nada...

 

Que triste realidade a dos "ninguéns" privados de direitos, discriminados, excluídos, de que fala Eduardo Galeano. Uma realidade presente aqui e em todos os cantos deste mundo tão injusto e cada vez mais desumanizado. Vale a pena ver, ler e ouvir, na voz do próprio autor. E parar para pensar um bocado nisto... mesmo já tendo passado a época do Natal em que somos sempre todos tão solidários e caridosos. 

 

 

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"As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não choveu ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata."
 

Eduardo Galeano, in O Livro dos Abraços

 

 

Notas mentais da consulta médica desta semana.

Charge Ivan Cabral.jpg

(Autoria: Ivan Cabral)

 

Na terça-feira, enquanto decorria a primeira cerimónia fúnebre com honras de Estado em democracia (É assim, não é?), eu fui usufruir do Serviço Nacional de Saúde, conquista dessa mesma democracia. Fui à médica de família solicitar prescrição para a mamografia que deverá ser feita brevemente e também pedir ajuda na questão da rinite que, vocês não sabem porque eu não vos tenho querido maçar com isso, mas só eu sei o que sofro com esta condição que ganhei depois de "velha". Um horror quase diário, estes meus ataques de rinite! 

 

Bem, e o que retirei desta consulta?, perguntam vocês, interessadíssimos. Muita coisa! Muitas sensações e emoções. Senão, vejam:

 

  • A médica, muito atenciosa e aparentemente competente, é cubana, mas já fluente em português. Pois é! Inexplicável e incompreensivelmente, a nossa pouco ou nada consolidada democracia ainda não conseguiu dotar o SNS de médicos portugueses. E tantos estudantes todos os anos afastados dos cursos de medicina... Afinal, parece que a "ditadura" cubana tem algumas coisas a ensinar-nos... 

 

  • O esfigmomanómetro (Claro que não sabia o nome do instrumento, mas fui procurar ali ao vizinho Google. E acho que amanhã já não sei outra vez. Raisparta estes termos que inventam em medicina!), o  esfigmomanómetro, dizia, não conseguiu funcionar para me medir a tensão, porque além de manual, analógico e obsoleto, estava avariado. Teve a médica que ir à procura de um mais moderno e digital que, esse sim, nos disse no seu automatismo eletrónico que eu tenho a tensão baixa. Qualquer coisa como 57/110, e isto já com dois cafés no bucho. E quanto à frequência cardíaca? Consegui o número "místico" de 69 batimentos por minuto... claro... um número que me arranca sempre um sorriso de orelha a orelha.  

 

  • A médica pesou-me e o raio do peso anda a ver se atinge também aquele número natural mágico, mas isso é que não hei de permitir! 

 

  • A médica prescreveu-me não só a mamografia, como uma série de análises, nomeadamente às alergias, para ver se conseguimos controlar melhor a rinite e a asma. Também me receitou medicamentos com novos princípios ativos para experimentar se têm melhor efeito sobre a rinite do que os que já tomo. Estou otimista, apesar de ter sido confrontada com a tendência para que piore com o advento da menopausa. Merda p'ra isto! Uma mulher nunca pára de sofrer, gaita! 

 

  • A médica fez-me uma coisa que nunca, em dias da minha vida, algum médico me tinha feito. Mediu-me o perímetro abdominal (um pouco abaixo da cintura). Ainda não percebi muito bem a pertinência deste dado. O que é certo é que, tendo em conta as referências das medidas perfeitas do corpo feminino (os míticos 86 - 60 - 86), digo-vos que não estou assim tão mal. 92 cm. É verdade que estava deitada e a barriga encolhe naturalmente... e que a médica talvez tenha medido mais próximo da cintura...  

 

E pronto. Não vos maço mais por hoje. 

 

(Este post, não percebo bem como, esteve publicado ontem mas eu devo ter colocado inadvertidamente em rascunho e, como ontem andei mais ausente daqui, só à noite é que me apercebi. Não há problema. Sai hoje outra vez. Não sei é se se perderam alguns comentários entretanto. Peço desculpa se isso aconteceu. Nabices...)

 

 

Será falta de sensibilidade?

"Only dead fish go with the flow", disse Andy Hunt. Por isso, para fugir ao mainstream de hoje e dos últimos dias, não vou falar das qualidades e/ou defeitos do falecido. Todos os mortos me merecem respeito, sejam eles quem forem, mas... digamos que já chega, vá. 

 

Ups! Estou também a seguir a corrente, né? OK... Mas em minha defesa digo que trago toda uma diferente abordagem.

 

Não utilizarei os termos "pai da democracia", porque esses foram vários: desde os que todos conhecemos da televisão e dos livros de História, àqueles homens e mulheres do povo anónimos que sofreram torturas e viveram na clandestinidade no tempo da velha senhora e ainda aos militares do Dia D português (Inventei esta designação agora, acho eu... Fica bem!). Parece-me, portanto, manifestamente injusto centralizar esse capital numa pessoa só, mesmo estando morta, que é quando se fazem tendencialmente todas as vénias e se tecem todos os elogios, à boa maneira portuguesa.

 

Porque é terreno que não conheço, não falarei também da outra face da mesma moeda que remete para suspeições relacionadas com o melhor amigo das mulheres, na canção da eterna Marilyn ou com aquele material de que são feitos os dentes dos elefantes e que o ex-rei de Espanha também gostava de ir procurar nas suas caçadas em África.

 

Trago antes um conjunto de questões muuuuiiiiiito pertinentes (se eu não achar, quem achará?) que me lixam a mona, que por si só já não anda grande coisa. 

 

Então, a quem souber!

 

Questão 1:

  • Porque é que os três dias de luto nacional só começaram dois dias depois da morte? Só se decreta luto nacional para dias úteis? Eu, que sou uma pessoa pragmática, penso logo com os meus botões: ainda se isso significasse tolerância de ponto ou feriado nacional aqui para o povo que está tão sensibilizado, ferido e agonizante mesmo!, com a morte de um jovem de 92 anos... 

 

Questão 2:

  • Esta é mais uma curiosidade que tenho. Será que houve quem (não sendo profissional da informação, que esses entendo porque é o seu trabalho) rascunhasse/agendasse por aí posts/artigos na presunção de que o senhor morreria dentro de pouco tempo, ficando depois sinistramente à espera que a sua morte se concretizasse para publicar o escrito? À quantidade de referências que se tem visto por aí repetidas ad nauseam... Creepy...  

 

Questão 3:

  • Qual é a bruxa/taróloga/cartomante/mãe de santo de serviço na SIC?  É que ainda corria o ano de 2016, finais de dezembro, e uma imagem do agora defunto com a legenda 1924-2017 foi vista num noticiário daquele canal (tenho pena de não ter imagem). Quero saber quem é a bruxa para eu própria ir a uma consulta. É que deve ser mesmo boa na arte, a tipa... 

 

E é isto que me apraz dizer. Tudo o resto já foi dito. Mesmo tudo!  

 

 

 

Carta aberta à vizinhança.

 Cara vizinhança do Sapo e arredores:

 

É impressão minha, ou a moda que infesta o Facebook de mandar indiretas (daquelas que nunca acertam o alvo ou acertam em vários porque a carapuça pode assentar a qualquer um e, muitas vezes, até acontece que a quem se dirige é que não chega porque essa pessoa está mas é a cagar para a opinião de alegados invejosos e ressabiados...), a moda de mandar indiretas, dizia eu, e de fazer moralismo bacoco sobre os comportamentos dos outros, alastrou-se à blogosfera? Ou já é tradição antiga? Elucidem-me, que eu gosto de saber com quantas linhas me coso.

 

Não tenho visto isso propriamente nos vizinhos mais próximos (vocês!), mas que os críticos compulsivos andam aí, lá isso andam! Que raio! Às vezes até criticam quem critica, ou seja, fazem críticas a si próprios. Será falta de discernimento, falta de assunto ou regra blogueira? Para me sentir inserida na comunidade, tenho que passar por esta etapa? Então, pronto: aqui têm este post/carta. Eu a criticar quem critica. Que tal? Mas garanto que será o último e foi mesmo porque tenho um problema de regurgitação do pensamento reflexivo: não consigo evitar uns refluxos e umas golfadas em sequência das minhas indignações. Can't keep my mouth shut!, digamos... (Fica sempre bem umas tiradas em inglês...)  

 

Não havia "nexexidade", como dizia o outro... Deixemo-nos de m&$das! O que é que me interessa a mim que me dêem a vossa perspetiva pessoal crítica sobre o vizinho A, B ou C anunciar a nova estação ou fazer ver a sua alegria por ser sexta-feira ou repetir e copiar o assunto X ou Y, tudo assuntos que vocês ao abordar, lá está, acabam também por abordar e passam também a ser alvos das próprias críticas? Chegaram lá? Como vêem trago aqui um assunto altamente complexo e pertinente. É ou não?

 

Meus amigos, hoje em dia já ninguém inventa nada! Nem mesmo os blogs in do pedaço, lamento dizê-lo com toda a frontalidade. Já está tudo inventado!  Além disso, cada um faz com o seu espaço o que bem entender! Há lugar para todos! Quem somos nós para criticar o que quer que seja? E outra coisa: há mais vida para além dos blogs (e, já agora, para além do vosso umbigo!)! Esta faceta das nossas vidas é, em alguns casos, a meu ver, nitidamente sobrevalorizada, não será? O melhor será cada um de nós olhar em volta e ver se não estamos a perder alguma coisa importante na nossa vida na sequência dessa sobrevalorização... 

 

Quero a propósito deste assunto aqui lembrar uma máxima de uma velhinha que sabia as coisas da vida, com aquela sabedoria popular que já é rara nos nossos dias. Dizia ela: "Nós só semos (sim, "SEMOS"!) aquilo que semos. Não semos o que pensemos." Paremos para pensar nisto. Dêmos-lhe ouvidos e contrariemos então os nossos egos, que só lhes fica mal - aos egos - tanta arrogância e sobranceria, ok? 

 

PEACE AND LOVE, my friends! E assuntos de interesse, se faxavor! Até leio de bom grado a opinião de cada um sobre a relação entre Física Quântica e espiritualidade ou sobre o estado da economia mundial. Se tiver que ser, seja... Argh!!!  Ou simplesmente episódios engraçados das nossas vidas ou conselhos práticos. Isso sim! Não estou é para perder o meu precioso tempo a ler considerações morais sobre os outros. Quero conhecer a vizinhança, não o que uns vizinhos pensam dos vizinhos do lado. E, se não tivermos nada de interessante para dizer sobre nós ou para ensinar aos outros (acontece aos melhores!), não nos caem os parentes na lama se nos calarmos um bocado e "ouvirmos" o que os vizinhos têm para dar a conhecer sobre si próprios. Mesmo que não concordemos com a forma como varrem o seu quintal ou não separam o lixo nos caixotes. Sim? 

 

Mas isto é só uma novata por estas bandas a falar... Sei que esta abordagem poderá parecer um bocado rude, mas, que se lixe!, já não tenho idade para ter pudor em dizer o que penso. E por essa mesma razão desandarei daqui pra fora, se começar a ver que isto se torna "tóxico" na minha vida. Toxicidade, não! Já tenho/tive a minha dose... Quero é rir-me e aprender qualquer coisa com todos os que encontro, como tão bem já me têm provado saber fazer.

 

Os que tiveram pachorra para ler as minhas humildes palavras, agora sintam-se à vontade para fazer o gosto ao dedo. Desboquem-se sem dó nem piedade. Sem censura, mas também sem ofensas, como eu gosto! Também não espero outra coisa. Agradecida! 

 

Beijos e abraços,  

Maria.

 

 

PS:

Reparem que me incluo também como objeto da reflexão. Não é necessário lembrar-me, que eu tenho consciência disso, ok? Sou sujeito e objeto da reflexão, portanto também contra mim falo e de futuro pretendo seguir o meu próprio conselho.

Acho que não me safo de vir a ser um caso de estudo de um qualquer estudante de psicologia... ou mesmo psiquiatria...  

 

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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