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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

Rescaldo do dia de ontem.

Já passou já passou, mas quatro ordens de razões levam-me a voltar à carga com o dia dos namorados:

 

Primeira:

Como muito bem se lembrarão, sofro do mal de falta de timing... de oportunidade, vá. 

 

Segunda:

Confessar-vos que ontem ao final do dia quase questionei tudo o que pensava sobre o dia dos namorados. Enquanto fazia o jantar, dei uma volta pelo Facebook e quase entrei em estado depressivo grave de tanta declaração de amor e fotografias de casalinhos. Senti-me mesmo deslocada. Honestamente, por momentos detestei a ideia de não ter um homem romântico ao meu lado. No gráfico circular abaixo, eu passei rapidamente da larga maioria rosa velho que pensa "Fuck this shit" para a pequena minoria rosa choque que acha tudo aquilo à volta dos casais a mostrar o seu amor ao mundo muito fofinho.  

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Terceira:

Passou-me depressa o estado depressivo porque (vejam lá se não é isto que é o amor?!) o M deve ter adivinhado o quão desolada eu fiquei, que me apareceu com isto em braços. "Isto" não é pejorativo. É só porque eu não sei como se chama porque não percebo muito de plantas... nem tenho paciência para cuidar delas... às vezes até me esqueço de as regar... e deixo-as morrer muitas vezes também... 

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Desta vez o meu namorado deu-me mesmo flores, gente! Mas querem saber uma coisa? Não me senti especialmente amada por isso. Continuo a acreditar que no amor (como na amizade), os bons namorados-companheiros-maridos (como os bons amigos) revelam-se todos os dias e muito especialmente na adversidade, às vezes na sala de espera do hospital, sem dia agendado no calendário. Acredito e sei!

 

Quarta:

Uma celebração e uma dica! Hoje é 15 de fevereiro! Aqueles que, como eu, resistiram ao ímpeto consumista de ontem, não se esqueçam que talvez hoje encontrem algumas boas promoções, nomeadamente em chocolates. Mas não exagerem, que estamos-aqui-estamos-em-março, primavera, verão, praia, biquini.

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(Fonte das imagens - à exceção da foto da planta cujo nome eu não sei: https://www.facebook.com/innocenselost/)

 

 

Dia dos namorados é quando o Homem quiser!

Não ligo ao Dia dos Namorados. A sério! E não digo isto por dizer ou para pagar com a mesma moeda ao M, que também não liga e não é nada romântico. Esta é uma das facetas da nossa relação em que fui eu me aproximei do feitio dele. As relações também são feitas de cedências e eu cedi nestas "mariquices" que quase todas as mulheres gostam. Ou seja: eu já valorizei estas datas, quando ainda não percebia que existem outras manifestações de amor muito mais importantes do que oferecer e receber flores, peluches, jóias ou chocolates neste dia (conforme o perfil e a idade dos namorados). Neste dia, há um ano, escrevi um post neste sentido, este: O meu namorado não me deu flores. Na altura acho que ninguém o leu. Podem recuperá-lo agora, que até está engraçadinho, modéstia à parte. Quanto a mim, verifico que me mantenho coerente com as minhas convicções. 

 

Bem, apesar de tudo, hoje é obrigatório fazer um post sobre o dia dos namorados, certo? Então, é isto que eu tenho para dizer. Ah! Restaurantes e programas organizados por outrem neste dia nem pensar! Recuso-me a ser figurante de um filme. É isso que me lembram todos os casais sentados hoje nas mesas dos restaurantes a abarrotar. Sou mesmo muito pouco gaja neste aspeto...

 

Maaaaas, não pensem que eu ando por aí a matar o dia a quem me rodeia, como se fosse um adulto insensível que revela a uma criança que o Pai Natal não existe. Não! E para perceberem o que eu quero dizer, fiquem sabendo que fiz questão de comprar umas embalagens muito giras de chocolates numa loja conhecida da nossa praça. Conseguem imaginar para quê? Hã? Eu digo. Para os meus filhos oferecerem aos seu/sua namoradinho/a. Pois é! Na idade deles também eu valorizava estas "mariquices" e não quero destruir os sonhos dos adolescentes cá de casa. 

 

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Sou muito boa pessoa, mulher e mãe, eu sei. Será que o M se vai lembrar disso e dar-me uma prenda neste dia dos namorados? Será que é este ano que ele me dá flores?  

 

Nota: Quando no título deste post refiro "Homem", entenda-se também a mulher, conforme se adivinha pela opção de colocar a palavra com maiúscula, querendo a mesma referir-se ao ser humano em geral, à Humanidade (olha, esta é feminina!...). Isto só para o caso de haver por aí malta sensível a este pormenor, ao qual eu não dou a mínima relevância. É só opção linguística, a qual não me diminui absolutamente nada na minha condição de mulher. Estão a ver? Daqui a nada, tenho aqui mais dez parágrafos a falar nisto e entretanto já me esqueci do dia dos namorados. Não há nada a fazer... 

 

(Fonte da imagem: própria)

 

 

Em três... dois...um!

 

E pronto! O Dia de Reis encerrou ontem a época festiva. Ainda bem. Voltamos à rotina, desfazemos as decorações de Natal que já acumulam pó. Pelo menos eu já só imagino pó entranhado naquilo tudo. Vou já ali tratar de desaparecer com aquilo tudinho tudinho. 

 

E agora, o que se segue? Agora é estar atento porque a qualquer minuto, brevemente, numa loja perto de si... ta na na na... bugigangas do Dia dos Namorados! 

 

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(Fonte: https://www.facebook.com/innocenselost/?ref=ts&fref=ts)

 

 

 

O meu namorado não me deu flores…

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O meu “namorado” de há 25 anos, mais uma vez, não me deu flores. Ele não é dessas coisas! Nunca foi um homem romântico, nem é dado a manifestações públicas de carinho. Antigamente eu ressentia-me com isso e fazia questão de que esse ressentimento fosse bem notado. Como nunca fui uma pessoa amorfa, fazia birras, beicinho, “pés-de-vento”, ao ponto de ele se sentir na obrigação de aceder ao meu desejo adolescente de ter uma atenção especial no dia 14 de fevereiro. Ou seja, quando o fez – quando registou de alguma forma este dia, admito que foi mesmo por obrigação. Hoje, genuinamente, já não ligo a esta data. Mas tenho que reconhecer que ele não é, neste aspeto, realmente, o namorado perfeito…

 

E, no entanto, ele é o melhor namorado, marido, pai dos meus filhos, companheiro, amigo, amante, que eu poderia ter tido.

Porque sei que me continua a amar com todos os meus defeitos, assim como eu o amo a ele;

Porque eu não sou fácil e ele atura as minhas neuras e mudanças de humor, sem vacilar;

Porque me é e sempre foi fiel (uma mulher sabe!);

Porque ainda me faz sentir desejada e sexy, tantos anos e alguns quilos e rugas depois;

Porque não é nada egoísta no que diz respeito à nossa vida sexual e porque me ensinou a adorar ser mulher e a viver a minha sexualidade de forma plena;

Porque gosta da vida familiar, é caseiro e não troca um fim de tarde ou serão em família por uma ida ao café para beber cervejas e contar piadas de gajas (só vai ver a bola, mas é cada vez mais raro fazê-lo e quando vai, leva o filho ou vamos mesmo todos, já que todos gostamos de futebol);

Porque foi ele que, encenando uma aparente normalidade no ato, me cortou o cabelo quando este começou a cair com os efeitos da quimioterapia, enquanto eu chorava e ele (acredito que a chorar por dentro) tentava desvalorizar esse momento tão duro para mim, como certamente o é para qualquer mulher;

Porque me ajudou (por acaso, foi ele e os meus filhos!) a escolher a peruca que usei durante mais de 6 meses durante os tratamentos, e cuja visão e cheiro ainda hoje não suporto, mas que tenho cuidadosamente guardada, escondida no fundo do armário, para qualquer eventualidade;

Porque nunca deixou de me desejar, nunca permitiu que eu me sentisse feia, mesmo careca, inchada e com todas as outras marcas dos tratamentos;

Porque me acompanhou a todos os médicos e consultas e permaneceu junto de mim durante os dias infindáveis de tratamentos na dura batalha contra o cancro; ainda hoje me continua a acompanhar a todos as deslocações que se relacionem com o meu estado de saúde;

Porque há 5 anos, na perspectiva de poder ter que vir a fazer uma mastectomia (o que não veio a acontecer), me disse que isso não era importante para ele, que essa eventualidade não mudaria nada no que ele sentia por mim e que o importante era que eu ficasse curada, mesmo que o caminho fosse esse (não me esqueço de relatos e das leituras que fiz de testemunhos de tantas mulheres abandonadas por bestas nesta fase tão difícil, quando elas mais precisam de apoio e de se sentir amadas!);

Etc, etc, etc...

 

Pois é, o meu namorado não é perfeito! Não me dá flores no Dia dos Namorados!... Mas é o melhor namorado do mundo nos restantes dias do ano, desde há 25 anos, e eu não podia ter um namorado melhor! Bem, e sem qualquer humildade digo: acho que também faço por merecê-lo.

 

Nota final: A foto é ilustrativa do nosso Dia dos Namorados de hoje: em família, os quatro, em pijama, embrulhados em mantas, a ver um filme sobre a 2ª Guerra Mundial, “Jacob, o mentiroso”, com o Robin Williams (é habitual fazermos sessões cinéfilas educativas para os filhos). Não há flores que paguem isto!

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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