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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

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Uma sátira sobre esperança e fé

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Agora que o ano letivo está a acabar, partilho uma estória inspiradora sobre esperança e fé, com o desejo de que todos os vossos entes queridos em idade escolar tenham muito bons resultados. Se não for o caso, contem-lhes este exemplo de vida, que talvez sirva para reflexão e também de inspiração para o próximo ano letivo. Cá vai, então!

 

O Joãozinho era um menino muito distraído nas aulas e com dificuldades de aprendizagem. Por isso, como é óbvio, tinha más notas e a professora estava sempre a ralhar com ele. 

 

Um dia, a mãe dele, habituada a ouvir queixas da professora, foi mais uma vez à escola para saber como se estava a comportar. A Professora foi peremptória em dizer mais uma vez à mãe que o seu filho era um desastre, que tinha notas muito baixas e que ela nunca tinha visto um menino assim em toda a sua carreira.

 

A mãe desta vez ficou tão chocada com o teor do que lhe disse a professora que tirou o seu filho da escola e, inclusive, mudou com ele de terra. Foi da província para Lisboa. Já não suportava aquilo.

 

25 anos depois, essa mesma professora foi diagnosticada com uma grave doença no coração, quase incurável. Foi aconselhada por vários médicos a fazer uma cirurgia ao coração. No entanto, este tipo de operação só um médico em Lisboa era capaz de fazer. Apesar de não ter grandes esperanças, a professora decidiu tentar. Foi para Lisboa e num hospital lá foi operada com sucesso pelo tal médico.

 

Quando abriu os olhos depois da cirurgia, viu um belo e jovem médico à sua frente, a sorrir para ela. Ela queria agradecer-lhe, mas não conseguiu falar. De repente, a sua cara tornou-se azul, levantou a mão, tentou gritar sem conseguir e num ápice morreu.

 

O médico ficou chocado, a tentar entender o que tinha acontecido de errado. Nesse momento, olhou para o lado e viu que o João, que trabalhava no hospital a fazer limpezas, tinha desligado os equipamentos de suporte da tomada do quarto, para ligar o seu aspirador e limpar o corredor.

 

Pensavam que o Joãozinho se tinha tornado médico, não é? Tá bem, tá! Não estudem, e veem como é que é!

 

(Este texto é uma adaptação de um que encontrei em http://smartdireito.com.br/pequeno-conto-de-esperanca-e-fe-parte-2/

 Fonte da imagem: https://pt.pinterest.com/explore/piadas-do-jo%C3%A3ozinho-933214800729/)

 

 

Ó meu menino, meu menino...

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Querem conhecer estratagemas de filhos adolescentes? Querem ir-se preparando, se for caso disso? Então apertem os cintos, que hoje vão conhecer o estratagema do século. Já a seguir, aqui neste post.

 

Não é que o meu filho engendrou um esquema todo rebuscado para não estudar, um dia destes?! Tinha assuntos urgentes a tratar no telemóvel, o pobre coitado, e os estudos não o deixam viver e tem uma vida triste e não pode fazer nada do que gosta e os amigos estão sempre no computador a jogar e com os telemóveis até às tantas da noite e ele não pode (palavras dele). Um infeliz... 

 

Ia ter teste de História. Carradas de matéria para estudar e ele teima em não sair do nível 4. O gajo tem o problema de achar sempre que já sabe tudo e depois não é bem assim. É calaceiro até à última casa.

 

Depois de dado o contexto, a sequência de acontecimentos foi a seguinte:

 

O pai entra no quarto do filho, diz-lhe para estudar e retira-lhe o telemóvel, colocando-o no móvel do hall de entrada, onde eles habitualmente ficam de noite. É fácil perceber porquê. O telemóvel exerce uma atração terrível e não se coaduna com momentos concentrados de estudo. O pai faz, portanto, o seu papel e fica descansado.

 

Dali a uns minutos, a mãe, melhor investigadora do que um agente do FBI, vai ao quarto do filho para ver se estava tudo a correr bem com o estudo. Aparentemente, estava tudo controlado, e até se delicia a ouvir "quero mesmo estudar aqui concentrado", até que...

 

... ouve-se um barulho quase inaudível, como um vrum vrum abafado, semelhante ao sinal de mensagem dos telemóveis. 

 

"Que barulho foi este? Tu tens aqui o telemóvel? O pai não to tirou?" 

 

Filho atrapalhado. "Hummmm..."

 

A mãe procura debaixo da roupa da cama, de onde vem o som. Lá está um telemóvel, o telemóvel do filho, sem a capa. "Mas ainda agora o vi no hall de entrada!", pensa para consigo. Dirije-se ao hall e lá está um telemóvel em tudo igual, com a respetiva capa. O estratagema que ele montou e pôs em prática foi: depois de o pai lhe tirar o telemóvel, colocou a capa do telemóvel num velho igual que ele teve mas já não funciona, colocou-o no lugar do verdadeiro e ficou com este último escondido no quarto ao pé dele. Assim, todos passaríamos pelo telemóvel no hall e acharíamos que ele estava (concentradíssimo, sócio) a estudar como se não houvesse amanhã, sem distrações de qualquer tipo.

 

Grande estudo para História que iria acontecer ali, sempre a cair mensagens, como verifiquei depois, com o telemóvel confiscado ao pé de mim...

 

Resta-me saber quantas vezes é que ele já nos enganou desta forma. Ele diz que foi a primeira, mas tenho as minhas sérias dúvidas.

 

De falta de criatividade, malandrice e engenho é que ele não pode ser acusado... Lembro-me de o meu maior estratagema ser ler às escondidas da minha mãe, pela noite dentro, com uma luz muito fraquinha, para não levantar suspeitas. Se calhar sou míope por causa disso... Que totó que eu era, perto do meu filho. 

 

Acho que ainda me vou rir disto, mas por enquanto não! Não, mesmo! 

 

Moral da história: Podes enganar um homem/pai, mas enganar uma mulher/mãe já são outros quinhentos.  

 

 

Começou a época

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 (Créditos na imagem)

 

 

Falo de futebol, pois claro.

 

Hoje de manhã lá fui eu assistir ao jogo do meu "Messi". Está a jogar bem que se farta, o gajo! Sai ao pai, que também jogou à bola na equipa cá da terra, tal como o filho agora joga. Diz quem sabe que ele era bom, um tecnicista. Acho que o filho faz justiça à habilidade do pai. Até já foi chamado para fazer um treino no Benfica, atenção! Já jogou na posição de avançado, mas agora está a jogar a médio. Distribui jogo, é uma espécie de patrão da equipa. Hoje marcou um golo de fora da área, um "chapéu" irrepreensível. Que orgulho! 

 

Adoro ir à bola ver o meu filho. E ele adora jogar à bola. Joga aqui na equipa da terra, uma terra pequena onde não há assim tantos jogadores e muitos deles, uns após outros, foram saindo para outras equipas de terras maiores aqui à volta. Agora a equipa do meu filho está com dificuldade em ter jogadores suficientes e corre o risco de não conseguir cumprir a época. Estou triste por isso, porque sei que ele também ficará, se tiver que deixar de jogar. Estou triste e indignada com a atitude dos pais que se deixaram levar pelos caprichos dos filhos em querer ir jogar para outras equipas, deixando os companheiros de equipa de longa data, da equipa onde desde sempre frequentaram as escolinhas de futebol, em perigo de ficar sem jogar. E tudo só por vaidade de ir para uma terra maior. Acabaram por ir todos para equipas de cidades, mas que estão na segunda e terceira divisão distrital, deixando a equipa cá da terra que, vejam bem, está na primeira divisão distrital. Ainda se fossem jogar no campeonato nacional, com o sonho de virem a ser jogadores profissionais de futebol, eu até entendia... Agora assim... Alguns até têm ficado no banco! Inteligentes!!! Vá-se lá perceber?! 

 

O ser humano continua a surpreender-me. Para mim estas que descrevo são atitudes de labregos, de pacóvios que se sentem inferiorizados ou envergonhados das suas raizes rurais.  Eu teria vergonha é de ensinar os meus filhos a ter atitudes destas, a olhar só para os seus umbigos. Por isso é que, cada vez mais, os jovens são seres insatisfeitos, narcisistas e sem empatia pelos sentimentos dos outros. A deslealdade, a traição (para mim é disso que se trata!) permitida pelos pais, hoje é no futebol,... amanhã será em quê? 

 

O futebol, como outros desportos coletivos, é uma atividade tão importante para o crescimento dos miúdos, ao nível físico, mas também ao nível social, em termos de aprendizagem de valores, da vivência do espírito de equipa, da noção do coletivo, do respeito pela autoridade. Estes pais que estiveram tão dispostos a fazer todas as vontades aos filhos (neste caso, até as promoveram!), estragam tudo num ápice. Ignorantes! Por estas e por outras é que vou perdendo a fé na humanidade...

 

Mas, por outro lado, sinto-me feliz de ter um filho que, com tudo isto a acontecer, não se deixou influenciar e nunca sequer sugeriu mudar de equipa. Um filho que é leal à sua equipa de sempre, mesmo correndo o risco de ficar sem jogar. Meu rico filho! 

Conversas entre pais e filhos adolescentes sobre pokémons e outros problemas da vida moderna...

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 (imagem retirada do Pinterest)

 

Família regressada das férias no norte ontem à noite e eu, hoje, com o dia reservado a pôr tudo em ordem cá em casa para poder iniciar o trabalho amanhã. Hoje tem sido só a fazer máquinas de roupa, secar, apanhar, porque quanto a passar a ferro, ela vai ficar pacientemente à espera que eu esteja para aí virada. Mas não é sobre vida doméstica que quero falar hoje.

 

Hoje tenho que deixar aqui um pequeno apontamento sobre a viagem de carro de regresso a casa de ontem, sobre a importância que ela teve para mim e acredito que para nós enquanto família. Uma simples viagem de carro que se constituiu como um marco que eu espero venha a ser muito importante na convivência e paz familiar.

 

Factos:

Ontem, inesperadamente (porque normalmente esse é o meu papel!), o M. aproveitou parte das cerca de 3 horas de viagem de carro entre o Minho e a casa onde escolhemos viver a maior parte do ano e onde têm sido criados os nossos filhos, para ter uma conversa muito séria com eles sobre crescimento saudável, valores, educação. Iniciativa dele, ele que eu tanto “acuso” de ser um bocado passivo no seu papel de pai e de manifestar falta de disponibilidade para os filhos (obrigações no emprego, etc)! Parece que finalmente me ouviu e fez tudo aquilo que eu tenho vindo a insistir para que fizéssemos, e que basicamente tem sido uma “luta” mais minha do que dele. É, nem tudo são rosas num casamento de 18 anos. Nem tudo são rosas no dificílimo papel de pai/mãe. Aliás, eu assumo que as maiores fontes de conflito entre mim e o M. (principalmente desde que os nossos filhos chegaram à adolescência) são aspetos relacionados com eles, com opções nossas e métodos usados na sua educação. Sim, todos sabemos o que dizem os livros e blá blá blá, e seria muito mais apelativo traçar aqui um cenário idílico desta difícil tarefa de educar filhos (pelo menos, para quem se importa!), mas não seria honesto da minha parte. A verdade é que, principalmente com a chegada da adolescência, tornou-se difícil incutir-lhes aquilo que entendemos inclusivamente ser o melhor para eles, para enfrentarem o mundo da melhor maneira. Continuo a achar que a adolescência é tramada! Mesmo tramada!

 

Mas acredito que priorizar na nossa vida acelerada a educação dos filhos dará inevitavelmente frutos e o M. parece começar a perceber também. Ontem foi mais um passo importante nesta caminhada a dois, melhor dizendo, a quatro.

 

Então, muito rapidamente, a conversa que me deixou nas minhas sete quintas versou principalmente sobre dois aspetos essenciais:

  • A necessidade de eles serem mais autónomos e responsáveis: colaborarem mais com as tarefas domésticas, passarem a gerir uma mesada (num e noutro caso, avaliamos como sendo culpa nossa eles serem pouco expeditos, já que fazemos tudo por eles, principalmente eu, o que poderá significar que estamos a criar totós que não têm autonomia, iniciativa, esperteza nenhumas);
  • A importância de não permitirmos que se tornem pessoas vazias de conteúdo, sem cultura, “caçadores de Pokémons” ou vegetais agarrados a um computador ou a um telemóvel dias a fio. Conversámos com eles sobre uma característica que consideramos preocupante na juventude atual: a ignorância, o desconhecimento do mundo, o facto de não lerem e não terem curiosidade pelo conhecimento, as obsessões com futilidades, a desvalorização do esforço e do trabalho, a desonestidade intelectual.

 

Esta é uma geração com a qual nos devemos seriamente preocupar. O que esperar de crianças, jovens e até adultos cuja actividade de eleição é caçar seres virtuais!? Explicámos-lhes que é por os amarmos muito que não queremos isso para eles. Terá valido a pena? Não sei, mas o sentimento de dever cumprido, a dois, em sintonia, como vem nos livros, a forma como ouviram as palavras e os ensinamentos dos pais, faz-me criar expetativas de estarmos a formar bons seres humanos.

 

Atenção! Quanto às pedras no caminho neste papel difícil de educador, faço também “mea culpa”: assumo que tenho muitos defeitos na educação dos meus filhos, nomeadamente ser demasiado controladora, como diz o M. Admito que não são raras as vezes em que me considero a pior mãe à face da terra. E isso acontece sobretudo porque lhes  desejo o impossível: uma vida perfeita…

 

 

Aprender a ser mãe

Aprender a ser mãe! É mesmo isso! Hoje, com filhos já adolescentes, tenho cada vez mais convicção de que não soube e não sei ser mãe!

Acabei de ler um artigo do Jornal I (http://ionline.pt/496459?source=social) e pareceu-me que a autora me conhece de algum lado. É que ela descreve-me a mim como mãe, com a triste diferença de que eu ainda não atingi a maturidade que a autora diz ter atingido. Gostava de alcançar esse patamar de descontração, mas não consigo. Continuo a pensar que consigo mudar o mundo, que os meus filhos ainda vão ser um bocadinho mais ambiciosos, responsáveis, arrumados, focados, obedientes. Será que tenho que desistir? É mesmo inevitável que eles mantenham certas características que, no meu coração de mãe, sinto que os vão prejudicar na sua vida futura? Devo mesmo deixá-los aprender com os próprios erros? Conheço essas teorias psicológicas e educacionais todas, mas custa tanto, quando não aceitamos menos do que a idealização de uma vida perfeita para os nossos filhos...

 

 

 

Escola, memorização e inteligência

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Chegada da viagem de regresso a casa, a fazer a ronda pela net. O jantar ha de ser pizza, portanto "tá-se bem"! Nos últimos dias não tenho usado o portátil e continuo a orientar-me melhor no pc do que no tlm. Sou uma cota de acordo com os meus filhos, portanto.

A minha "cria" mais velha amanhã tem uma ficha de avaliação e como não estudou nada durante a estada no norte (o que é compreensível, porque ela e o irmão vão lá tão poucas vezes que têm que aproveitar todos os momentos para socializar e brincar com os primos!), tem agora que o fazer. Escolheu fazê-lo ao pé de mim, na cozinha. Está mesmo aqui à minha frente. Há momentos pareceu-me distraída. Chamei-a à atenção. Como é habitual, disse-me que já sabia tudo (às vezes até sabe!). Perguntei-lhe porque é que, então, no 1º período ainda não tinha tido 5 à disciplina em questão. Respondeu-me que compreendia a matéria porque era fácil e até tinha feito apontamentos, só que não sabia tudo de cor, e a Escola não valorizava a inteligência, mas sim a memorização. Insisti para que estudasse mais um pouco, mas não contra-argumentei porque, apesar de ser do meio, também partilho um bocado essa opinião e até tenho tentado contrariar isso. 

Mas o que retirei desta conversa foi mais uma evidência de que a minha filha é um ser pensante que já formula opinião própria e demonstra espírito crítico! Que delícia!   Um dia falo aqui do feminismo dela...

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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