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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

Os bezerros é que abocanham as tetas das vacas em cenários bucólicos!

 

O título parece saído de um romance de António Lobo Antunes, passo a arrogância de comparar uma frase minha à escrita desse grande escritor. Digo isto porque aparenta não fazer sentido, mas acabarão por perceber que faz todo o sentido. Senão, leiam o episódio que tenho hoje para vos contar. Acreditem: isto é verídico, aconteceu mesmo! 

 

Ainda estou incrédula com o que vi ontem, ao final do dia, no supermercado. Eu vi, com estes olhos que a terra há de comer, uma mãe e uma filha que devia ter uns 3 anitos. Pareceu-me uma mãe extremosa, à distância em que as observei, estava eu na charcutaria e elas na padaria. A criança agia como qualquer criança, sempre a falar "mãe isto e mãe aquilo" e a esticar os braços em direção à mãe, a exigir atenção, pensei eu. A mãe, sempre com muita paciência, ouvia e respondia como que implorando que a criança tivesse também, ela própria, paciência. Mas a criança não dava descanso.

 

Até que se calou, em algum instante entre o meu pedido de fiambre e o de queijo ou enquanto eu pedi à menina para verificar a data de validade do queijo fresco. A mãe cedeu e deu-lhe finalmente o que ela queria, pensei. E como é que eu me apercebi do que ela realmente queria, como foi? Apercebi-me porque a mãe caminhava agora na minha direção, a empurrar o carrinho e a criança sentada dentro do dito cujo, a abocanhar o mamilo da mãe, mãe esta que tinha sacado a mama para fora da roupa e caminhava assim com a filha pendurada nela com a maior naturalidade. Conseguem imaginar a cena?

 

Fiquei chocada, a sério!  Eu amamentei os meus filhos, acho a amamentação a coisa mais natural do mundo e não vejo problema nenhum em que as mães o façam em público, de forma recatada, para suprir as necessidades alimentares dos filhos bebés. É humano que isso aconteça. Agora esta mãe levou a discussão para todo um outro nível. Aquilo não se tratava de alimentar um filho! O que aquela mãe fez foi ceder a um capricho de um "bebé" grande mimado que articula perfeitamente o discurso e já tem idade para entender as regras da vida em sociedade e, mais, que já tem idade para comer a sopa ou um naco de pão! E ainda circular em público naqueles preparos, como se fosse a cena mais natural do mundo? Alto lá!

 

Acredito que a aspirante a vaca no prado percebeu a minha incredulidade e guardou a mama dentro do vestido, sem que eu proferisse qualquer palavra. Certamente percebeu! Sou transparente demais e fiquei literalmente de boca aberta, sobrolho franzido e olhos fulminantes. 

 

Não sei... Às vezes acho que sou uma valente besta insensível que não consegue ter empatia por uma criança de 3 anos (ainda se tivesse 3 anos e meio, podia criticar!...) que quer o conforto da mama da mãe (sim, porque leite não tinha de certeza!), nem com aquela mãe ruminante que faz tudo para que a sua cria se sinta feliz.  Sou mesmo uma pessoa e uma mãe má...

 

 

Ó meu menino, meu menino...

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Querem conhecer estratagemas de filhos adolescentes? Querem ir-se preparando, se for caso disso? Então apertem os cintos, que hoje vão conhecer o estratagema do século. Já a seguir, aqui neste post.

 

Não é que o meu filho engendrou um esquema todo rebuscado para não estudar, um dia destes?! Tinha assuntos urgentes a tratar no telemóvel, o pobre coitado, e os estudos não o deixam viver e tem uma vida triste e não pode fazer nada do que gosta e os amigos estão sempre no computador a jogar e com os telemóveis até às tantas da noite e ele não pode (palavras dele). Um infeliz... 

 

Ia ter teste de História. Carradas de matéria para estudar e ele teima em não sair do nível 4. O gajo tem o problema de achar sempre que já sabe tudo e depois não é bem assim. É calaceiro até à última casa.

 

Depois de dado o contexto, a sequência de acontecimentos foi a seguinte:

 

O pai entra no quarto do filho, diz-lhe para estudar e retira-lhe o telemóvel, colocando-o no móvel do hall de entrada, onde eles habitualmente ficam de noite. É fácil perceber porquê. O telemóvel exerce uma atração terrível e não se coaduna com momentos concentrados de estudo. O pai faz, portanto, o seu papel e fica descansado.

 

Dali a uns minutos, a mãe, melhor investigadora do que um agente do FBI, vai ao quarto do filho para ver se estava tudo a correr bem com o estudo. Aparentemente, estava tudo controlado, e até se delicia a ouvir "quero mesmo estudar aqui concentrado", até que...

 

... ouve-se um barulho quase inaudível, como um vrum vrum abafado, semelhante ao sinal de mensagem dos telemóveis. 

 

"Que barulho foi este? Tu tens aqui o telemóvel? O pai não to tirou?" 

 

Filho atrapalhado. "Hummmm..."

 

A mãe procura debaixo da roupa da cama, de onde vem o som. Lá está um telemóvel, o telemóvel do filho, sem a capa. "Mas ainda agora o vi no hall de entrada!", pensa para consigo. Dirije-se ao hall e lá está um telemóvel em tudo igual, com a respetiva capa. O estratagema que ele montou e pôs em prática foi: depois de o pai lhe tirar o telemóvel, colocou a capa do telemóvel num velho igual que ele teve mas já não funciona, colocou-o no lugar do verdadeiro e ficou com este último escondido no quarto ao pé dele. Assim, todos passaríamos pelo telemóvel no hall e acharíamos que ele estava (concentradíssimo, sócio) a estudar como se não houvesse amanhã, sem distrações de qualquer tipo.

 

Grande estudo para História que iria acontecer ali, sempre a cair mensagens, como verifiquei depois, com o telemóvel confiscado ao pé de mim...

 

Resta-me saber quantas vezes é que ele já nos enganou desta forma. Ele diz que foi a primeira, mas tenho as minhas sérias dúvidas.

 

De falta de criatividade, malandrice e engenho é que ele não pode ser acusado... Lembro-me de o meu maior estratagema ser ler às escondidas da minha mãe, pela noite dentro, com uma luz muito fraquinha, para não levantar suspeitas. Se calhar sou míope por causa disso... Que totó que eu era, perto do meu filho. 

 

Acho que ainda me vou rir disto, mas por enquanto não! Não, mesmo! 

 

Moral da história: Podes enganar um homem/pai, mas enganar uma mulher/mãe já são outros quinhentos.  

 

 

E agora mais um conflito.

Passaria pela cabeça de algum de nós, há uns anos atrás, não cumprir com um compromisso que tivéssemos firmado com o nosso pai/mãe como contrapartida para termos o que queríamos? Obter o benefício e não fazer a nossa parte e simplesmente justificarmos que nos esquecemos? Eu não faria isso certamente, acagaçada que o meu pai me chegasse a roupa ao pelo. 

 

Para mim, isto acontecer não é uma coisa qualquer. Significa não sermos confiáveis, honestos. Para mim é pior do que se um filho me mandasse à merda, porque na realidade é isso que faz quando não obedece a uma ordem minha, ainda por cima negociada. Se calhar sou só fundamentalista no papel de mãe... Levo tudo muito a sério, diz o M e eu sei que é verdade. Mas, caramba, estamos a formar as pessoas mais importantes das nossas vidas, a nossa melhor obra-prima. Qual é o escultor que não quer esculpir a obra perfeita? 

 

E agora? Agora, mais um conflito! É a história recente da minha vida. Conflitos atrás de conflitos. Educar devia ser algo pacífico, mas não é. Só é pacífico quando na verdade se desiste de verdadeiramente educar, quando se escolhe não ver que os adolescentes são pródigos em agir como bestas inconsequentes, egoístas e egocêntricas. Educar dá trabalho e é uma maçada.

 

Bem, mas como eu gosto de sofrer (deve ser isso, porque educar implica sempre uma certa dose de masoquismo), nos próximos dias teremos uma filha com o site das séries que gosta de ver bloqueado no pc e a loiça por sua conta, que era o trabalho de dois minutos que ela tinha que fazer para ver a tal série (teria sido tão fácil cumprir...), ontem à noite enquanto esperava pela hora da festa a que iria porque, note-se, não quis ir connosco e com o irmão ao convívio de que vos falei ontem

 

Sei que ser adolescente não é fácil, mas ser mãe de adolescente também não é e hoje a esta mãe só lhe apetece chamar-lhes bestas. Hoje esta mãe não consegue, nem quer, dourar a pílula da maternidade, lamento. 

 

Medidas drásticas!

Hoje teve que ser! 

 

Mais uma vez cheguei a casa e mais uma vez a filha no computador a ver uma série qualquer. "Pretty little liars", acho eu. Alguém conhece? Ganhou uma obsessão com esta série que é uma coisa por demais e que lhe rouba tempo infindável de estudo.

 

Ela está no 10º ano e já não é brincadeira. Se quiser lutar por uma média confortável para entrar no curso que preferir, tem que começar já a trabalhar para isso. Todos sabemos isso, certo? E tudo isto eu lhe repito vezes sem conta, como é óbvio. Sem sucesso, aparentemente. Diz-me que não me preocupe, que vai ter 20's e tudo! Sabemos que não é assim tão fácil, mas vá-se lá conseguir convencê-la disso, com aquele apelo constante da tal série na qual está viciada?!

 

Hoje decidi então pôr um ponto final. Ora bem, ela vê a tal série porque instalou um programa chamado "Popcorn Time" ou qualquer coisa assim, através do qual tem acesso aos episódios que quiser. Sim, porque parece que a série ainda não passou na televisão portuguesa. Vai daí, eu, toda esperta, aproveitei agora ao fim da tarde que ela foi para a explicação de Matemática e toca de ir tentar desinstalar o tal programa. Tentar eu tentei, mas era o desinstalavas! O tal Popcorn é tão bom ou tão mau, que não permite remover do pc / desinstalar. Nunca me aconteceu tal coisa! Porque será? 

 

Como não desisto à primeira, e enquanto não percebo a razão de não conseguir remover o bicho, só me restou definir uma palavra-passe para se entrar no computador! Resolvido! Pronto, agora só lá entra quando eu quiser! 

 

Sim, eu sei! É verdade! O ideal seria ela e ele cumprirem os ensinamentos da mãe, obedecerem cegamente aos meus conselhos, blá blá blá. Mas a verdade é que não tenho filhos perfeitos. Haverá filhos perfeitos? E comigo, se não vai a bem, vai a mal! Desistir é que não desisto! Quando voltar a ter confiança nela, devolvo-lhe o controle do uso do computador. Simples!

 

Isto hoje está mesmo tudo do avesso cá para os meus lados! É que, como se não bastasse isso, na minha labuta de volta do pc, ainda fui obrigada a ver conversas de chat esquecidas abertas do filho com uma menina que me deixou preocupada pelo cariz quase sexual das mesmas. Agora tenho também que ter uma conversinha com ele. Ai que isto de educar adolescentes é tão difícil! SOCORRO! 

Coisas de gajas (e de mães)...

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Acho que já referi que tenho pena de não ter nascido rica. Bem, sou rica em muitos aspetos mas não seguramente em bens materiais. Tenho o necessário, felizmente. Mais até do que alguma vez pensei vir a ter.

 

Por isso, por não ser rica, sou daquelas que, como qualquer gaja que se preze, gosta de aproveitar todas as pechinchas, saldos, promoções, descontos, talões, eu sei lá. Gaja que é gaja não tem preconceitos em relação a isto! Faz-me um bem tremendo, ao nível psicológico, comprar uma peça por um preço inferior ao inicial. Sim, porque há artigos que eu adoro mas não sou capaz de comprar pelo preço inicial, muitas vezes simplesmente porque acho até imoral fazê-lo. E como eu tenho um gosto refinado e costumo embeiçar-me por coisas caras (lá está, deveria ter nascido rica!), muitas vezes acabo por comprar peças que tinha andado a namorar, com desconto, e sinto-me a mulher mais esperta à face da terra! E esta prática também ajuda a evitar o sentimento de culpa, porque muitas vezes não são artigos de primeira necessidade aqueles que ambicionamos, como a generalidade dos exemplares do sexo feminino admitirão. E as que não admitirem terem esta faceta "shopaholic" é porque muito provavelmente não gostam de si próprias e não suportam o seu reflexo nos espelhos dos provadores. Quem, por exemplo, não passou já por fases em que comprar roupa é um suplício porque sentimos que nada nos assenta bem? Eu já, muitas vezes! Agora, por regra nós gajas gostamos de compras e não acho que este seja um discurso machista. Homens e mulheres são diferentes, ponto. E ainda bem! Por acaso, parece-me que têm vindo a dissipar-se as diferenças neste âmbito, mas é mais no sentido de os homens cada vez serem mais vaidosos e parecidos connosco neste aspeto. 

 

Ora, em época de saldos já avançada e com a nova coleção já a enfeitar muitas montras, é a altura ideal para fazer umas comprinhas baratinhas. E eu fiz! Fui descobrindo umas lojas maneirinhas nos últimos anos, nos passeios por lá e nas paragens para as refeições, nas viagens para o minho, onde encontro sempre peças lindíssimas. Até já tenho paragens obrigatórias! Nesta última estada no norte, descobri uma loja, em Braga, onde comprei as pulseiras da foto e até nem foi em saldo, porque me pareceu um preço aceitável. Posso dar o nome da loja ou o link do site para quem queira espreitar, embora, como se costuma dizer, não tenha comissão. 

 

E assim chegamos às pulseiras. Ora aqui temos uma coisa de gaja-mãe à qual eu ainda não tinha aderido: adornar-me com símbolos das minhas crias e da minha condição de mãe. Agora já posso ostentar a minha maternidade no pulso! Ainda por cima com peças diferentes das habituais, que normalmente são pendentes em fios ou pulseiras. Giras, não são? Já me sentia uma espécie rara sem uma coisa destas, desde que parece que se convencionou que mãe que é mãe ostenta réplicas ornamentais dos seus rebentos... Pronto, assim já todos sabem que tenho muito orgulho em ser mãe de um casalinho. Poderia haver dúvidas em relação a isso, sei lá!... 

 

Eu não avisei que ia falar de coisas de gajas (e de mães)? 

 

PS: Só para provar que sou mesmo muuuiiiito esperta, o vestido que se adivinha na foto foi comprado também em saldos. Tinha um preço inicial de cerca de 100€ e eu comprei por 25€. Toma! 

Conversas entre pais e filhos adolescentes sobre pokémons e outros problemas da vida moderna...

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 (imagem retirada do Pinterest)

 

Família regressada das férias no norte ontem à noite e eu, hoje, com o dia reservado a pôr tudo em ordem cá em casa para poder iniciar o trabalho amanhã. Hoje tem sido só a fazer máquinas de roupa, secar, apanhar, porque quanto a passar a ferro, ela vai ficar pacientemente à espera que eu esteja para aí virada. Mas não é sobre vida doméstica que quero falar hoje.

 

Hoje tenho que deixar aqui um pequeno apontamento sobre a viagem de carro de regresso a casa de ontem, sobre a importância que ela teve para mim e acredito que para nós enquanto família. Uma simples viagem de carro que se constituiu como um marco que eu espero venha a ser muito importante na convivência e paz familiar.

 

Factos:

Ontem, inesperadamente (porque normalmente esse é o meu papel!), o M. aproveitou parte das cerca de 3 horas de viagem de carro entre o Minho e a casa onde escolhemos viver a maior parte do ano e onde têm sido criados os nossos filhos, para ter uma conversa muito séria com eles sobre crescimento saudável, valores, educação. Iniciativa dele, ele que eu tanto “acuso” de ser um bocado passivo no seu papel de pai e de manifestar falta de disponibilidade para os filhos (obrigações no emprego, etc)! Parece que finalmente me ouviu e fez tudo aquilo que eu tenho vindo a insistir para que fizéssemos, e que basicamente tem sido uma “luta” mais minha do que dele. É, nem tudo são rosas num casamento de 18 anos. Nem tudo são rosas no dificílimo papel de pai/mãe. Aliás, eu assumo que as maiores fontes de conflito entre mim e o M. (principalmente desde que os nossos filhos chegaram à adolescência) são aspetos relacionados com eles, com opções nossas e métodos usados na sua educação. Sim, todos sabemos o que dizem os livros e blá blá blá, e seria muito mais apelativo traçar aqui um cenário idílico desta difícil tarefa de educar filhos (pelo menos, para quem se importa!), mas não seria honesto da minha parte. A verdade é que, principalmente com a chegada da adolescência, tornou-se difícil incutir-lhes aquilo que entendemos inclusivamente ser o melhor para eles, para enfrentarem o mundo da melhor maneira. Continuo a achar que a adolescência é tramada! Mesmo tramada!

 

Mas acredito que priorizar na nossa vida acelerada a educação dos filhos dará inevitavelmente frutos e o M. parece começar a perceber também. Ontem foi mais um passo importante nesta caminhada a dois, melhor dizendo, a quatro.

 

Então, muito rapidamente, a conversa que me deixou nas minhas sete quintas versou principalmente sobre dois aspetos essenciais:

  • A necessidade de eles serem mais autónomos e responsáveis: colaborarem mais com as tarefas domésticas, passarem a gerir uma mesada (num e noutro caso, avaliamos como sendo culpa nossa eles serem pouco expeditos, já que fazemos tudo por eles, principalmente eu, o que poderá significar que estamos a criar totós que não têm autonomia, iniciativa, esperteza nenhumas);
  • A importância de não permitirmos que se tornem pessoas vazias de conteúdo, sem cultura, “caçadores de Pokémons” ou vegetais agarrados a um computador ou a um telemóvel dias a fio. Conversámos com eles sobre uma característica que consideramos preocupante na juventude atual: a ignorância, o desconhecimento do mundo, o facto de não lerem e não terem curiosidade pelo conhecimento, as obsessões com futilidades, a desvalorização do esforço e do trabalho, a desonestidade intelectual.

 

Esta é uma geração com a qual nos devemos seriamente preocupar. O que esperar de crianças, jovens e até adultos cuja actividade de eleição é caçar seres virtuais!? Explicámos-lhes que é por os amarmos muito que não queremos isso para eles. Terá valido a pena? Não sei, mas o sentimento de dever cumprido, a dois, em sintonia, como vem nos livros, a forma como ouviram as palavras e os ensinamentos dos pais, faz-me criar expetativas de estarmos a formar bons seres humanos.

 

Atenção! Quanto às pedras no caminho neste papel difícil de educador, faço também “mea culpa”: assumo que tenho muitos defeitos na educação dos meus filhos, nomeadamente ser demasiado controladora, como diz o M. Admito que não são raras as vezes em que me considero a pior mãe à face da terra. E isso acontece sobretudo porque lhes  desejo o impossível: uma vida perfeita…

 

 

Ter filhos adolescentes é tramado!

Tenho tantas dúvidas sobre as minhas competências maternais! A adolescência dos meus filhos põe-me à prova a toda a hora. A qualquer momento, o que parece ser um momento familiar perfeitamente descontraído, descamba numa briga, em tons alterados e acusações mútuas.

 

Eu sei que faz parte da adolescência contestar tudo o que vem dos pais, dar respostas tortas, contrariar, pôr à prova a autoridade, esconder, mentir. E também sei que a minha tendência para criar imagens de situações ideais e exigir depois a sua concretização, não ajuda nada. Idealizo tudo demais e depois só tenho é deceções atrás de deceções. Assim como não ajuda a minha ansiedade e falta de paciência para lidar com as situações. Não consigo contar até dez! Disparo logo. 

 

Que chatice! Amo tanto os meus filhos e, no entanto, às vezes, numa dessas crises familiares, pareceria a um observador externo que nos odiamos. Nos últimos tempos é raro o dia em que não surge um conflito do nada. Seja uma resposta mal dada, seja uma ordem repetida dez vezes e nunca cumprida, seja um teste para o qual não se quer estudar, qualquer coisa despoleta uma briga. Que raio! Os meus pais nunca tiveram que me lembrar da responsabilidade de estudar!

 

Enfim, às vezes sinto que os meus filhos me vêem como uma bruxa má. Nada parecido com o que idealizei para a minha experiência da maternidade... Ingénua, apesar de ter noção da grande responsabilidade que é, pensava que educar seria muito mais fácil do que tem na realidade sido, principalmente nestes últimos anos. Mas eu sinto que, mesmo assim, estou no caminho certo e, por muitos atritos que haja, devo insistir sempre no cumprimento de regras, horários, etc. Ser uma boa mãe, às vezes, é também ser uma mãe má. Não será assim?

 

O certo é que, apesar de tudo, tenho uns bons filhos. Têm os seus feitios difíceis, é verdade! Mas também ninguém sai às pedras da calçada, não é? No fundo, têm uma boa índole, são bons alunos, respeitam os outros e dão-se muito bem um com o outro, o que era algo importante para mim, que cresci com muitas brigas com a minha irmã (que adoro e hoje damo-nos muito bem!) porque os meus pais não souberam perceber e evitar os meus ciúmes excessivos de irmã mais velha.

 

Voltando aos meus filhos, acho que consegui incutir-lhes valores importantes, daqueles que eu gosto de dizer que são um legado familiar ancestral que tem que continuar a passar de geração em geração. Valores dos meus avós, tios, pais. Honestidade, humildade, verticalidade, correção, inteligência, educação sempre foram valores e qualidades que, na minha família, são uma bandeira. E não é só ter essas qualidades pessoais, é também ter vaidade nelas e acenar essa bandeira aos quatro ventos.  E isso para mim chega a ser uma obsessão, admito. A juntar a isto, um bocadinho de esperteza e inteligência emocional para lidar com as situações, assim como perspicácia, também seria bom. Aos meus filhos falta-lhes ainda um bocado disso, para além da responsabilidade. Mas enfim, só têm 13 e 15 anos!

 

Ainda não mencionei que estou com mais disponibilidade para refletir sobre estas coisas porque este fim-de-semana e a próxima semana, ora um, ora outro, vão viajar. Ela já foi, hoje de manhã bem cedo, com uma família amiga e outras amiguinhas e volta segunda-feira. Ele vai em visita de estudo para Espanha toda a próxima semana. Chega ela, sai ele. Durante 7 dias só terei um filho ao pé de mim de cada vez. Já me está a fazer confusão... Eles dão-me cabo da cabeça, mas não sei viver sem eles. Meus ricos filhos!

 

Na escola, apesar de nenhum deles gostar de estudar (quem é que gosta?), vai tudo bem. Ainda não sei é se algum conseguirá integrar o Quadro de Excelência e estou cheia de pena que isso não aconteça. Uma mãe fica orgulhosa, desculpem lá! Por falar em escola, o meu mais novo iniciou o ano menos bem a matemática e olhem só a nota que trouxe para casa ontem! Tem vindo sempre a subir!  Qual é a mãe que não gosta? 

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Bem, vou tentar aproveitar estes próximos dias, que se prevêem de início do tempo bom e que antecedem também o Dia da Mãe, para gerir melhor a relação mãe-filho(s) e "usufruir" melhor de cada um deles... sempre com muitas saudades do outro, claro. 

 

 

 

 

 

 

M(ã)emórias é giro!, não é?

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Um aspeto do meu "refúgio" no minho

 

Hoje, dia 14 de março, oficialmente rebatizo este blog. 

 

Quis, no entanto, que continue com a referência de "Maria Mocha" (já aqui falei da importância desta personagem nas estórias infantis que a minha saudosa mãe me contava), mas introduzi uma espécie de trocadilho que me parece resultar muito bem. Afinal, este canto existe para escrever sobre as minhas preocupações, os meus fracassos e sucessos, as minhas memórias de infância, de vida, de filha, de irmã, de mulher e de mãe. A minha condição de mãe está sempre presente em tudo na minha vida. Não pode, por isso, ficar apartada de tudo isto que por aqui vou rascunhando. Hoje, e desde há quase 15 anos, sou mãe antes de qualquer outra coisa. Não somos todas?

 

M(ã)emórias da Maria Mocha! Porque quero que este blog, um dia, quando eu já não estiver cá, seja um registo das memórias da mãe dos meus filhos, para que eles leiam e me/nos recordem. Porque... Porque sim!

 

Que tal? Faz sentido? Gostava de saber se acham gira ou não a mudança.  Comentem aqui ou no Facebook. Please!!!! 

 

 

Aprender a ser mãe

Aprender a ser mãe! É mesmo isso! Hoje, com filhos já adolescentes, tenho cada vez mais convicção de que não soube e não sei ser mãe!

Acabei de ler um artigo do Jornal I (http://ionline.pt/496459?source=social) e pareceu-me que a autora me conhece de algum lado. É que ela descreve-me a mim como mãe, com a triste diferença de que eu ainda não atingi a maturidade que a autora diz ter atingido. Gostava de alcançar esse patamar de descontração, mas não consigo. Continuo a pensar que consigo mudar o mundo, que os meus filhos ainda vão ser um bocadinho mais ambiciosos, responsáveis, arrumados, focados, obedientes. Será que tenho que desistir? É mesmo inevitável que eles mantenham certas características que, no meu coração de mãe, sinto que os vão prejudicar na sua vida futura? Devo mesmo deixá-los aprender com os próprios erros? Conheço essas teorias psicológicas e educacionais todas, mas custa tanto, quando não aceitamos menos do que a idealização de uma vida perfeita para os nossos filhos...

 

 

 

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DIREITOS DE AUTOR (Decreto-Lei n.º 63/85 com as posteriores alterações)

Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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