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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

Patrão Vs empregado: uma dicotomia incontornável...

 

... ou a eterna "luta de classes", utilizando a expressão que Karl Marx imortalizou.

 

 

Ontem, no fim do dia de trabalho, passei pelo supermercado para comprar pão. Meus amigos, assisti a um raspanete da patroa à empregada, que só visto! Uma situação mesmo muito confrangedora. E fiquei ainda mais marcada por este episódio porque eu, sendo como sou, por um lado defensora da justiça social e contra a exploração e o desrespeito pelos direitos laborais, por outro lado gestora de uma equipa razoável de colaboradores, tive dificuldade em empatizar unilateralmente nesta situação. Ou seja, consegui entender o ponto de vista das duas envolvidas, basicamente. 

 

A questão ali discutida andava à volta de a trabalhadora ter, no dia anterior, saído do trabalho enquanto ainda estavam muitos clientes na loja e a ajuda dela seria, pelos vistos, necessária. Ela alegava já ter saído fora do horário dela e que tinha o filho, mas a patroa dizia que as outras trabalhadoras também tinham filhos e também ajudavam sempre que era necessário.

 

Não conheço outras nuances para esta relação laboral, nem sei se as trabalhadoras são ressarcidas do tempo de trabalho extra ou se recebem um salário justo pelo seu trabalho. Mais tarde em conversa com outras clientes, disseram-me apenas que aquela equipa funcionava como uma família e que a patroa tratava bem as trabalhadoras, para além de que, e isso constato eu, ela própria dá o exemplo ao lado delas a trabalhar. 

 

Se por um lado acredito piamente na importância das garantias dos direitos laborais, nomeadamente no respeito pelo horário de trabalho, como disse, por outro lado também eu lido muitas vezes com quem só faz estritamente os serviços mínimos exigidos, nem mais nem menos, pessoas que acham que basta cumprir o horário de entrada e saída para mostrar zelo na profissão, enquanto outras se empenham e dão contributos relevantes para o serviço. No caso em apreço parecia tratar-se disso: talvez uma situação de salários iguais para empregadas com níveis de dedicação ao trabalho diferentes.

 

Para terminar, dois comentários:

  1. Uma nota para a frontalidade da patroa e a preocupação com a promoção de igualdade de direitos e deveres entre todas as trabalhadoras. Todas têm que trabalhar para além do horário porque todas têm filhos e se isso não serve como argumento para umas também não pode servir para  outras. Faz sentido. Proteção da maternidade e justiça social é assim...  Justíssimo! 
  2. Independentemente da sua justeza (ou não), o facto de aquele raspanete ter sido dado em frente à meia dúzia de clientes que lá estavam àquela hora pareceu-me uma humilhação deliberada e gratuita para com a trabalhadora. É caso para dizer: não havia necessidade... 

 

 

Poesia, Religiões, Doutrinas e Dogmas

Se calhar já todos conhecem, mas eu só agora dei de caras com este pedacinho de sensibilidade e lucidez. Achei bonita, de tão simples, esta forma de  dizer não à intolerância religiosa e ao fanatismo religioso, à hipocrisia e à arrogância dos que acham que têm um lugar ao pé de Deus porque o veneram em orações mas não em ações, aos que se dizem cristãos mas são incapazes de manifestar atitudes cristãs para com os seus semelhantes. Isto tudo dito ao jeitxinho brasileiro, gentxi. Jóia!

 

Uma menina ainda, Anamari Souza. Lembra-me eu quando era da idade dela, com o sentido de justiça e o questionamento constante das convenções e dos dogmas. Isso sempre fez parte de mim, sim. Em tudo, e no que diz respeito a religião também. Li a Bíblia (Antigo e Novo Testamento) por volta dos 14 anos, por auto-recriação, porque quis e porque me questionava sobre aspetos daquilo que me ensinavam na catequese. E sabem uma coisa? É um grande livro com uma grande narrativa, que mistura a componente histórica com ficção e o fantástico. Todos deviam ler. 

 

 

 

Os bezerros é que abocanham as tetas das vacas em cenários bucólicos!

 

O título parece saído de um romance de António Lobo Antunes, passo a arrogância de comparar uma frase minha à escrita desse grande escritor. Digo isto porque aparenta não fazer sentido, mas acabarão por perceber que faz todo o sentido. Senão, leiam o episódio que tenho hoje para vos contar. Acreditem: isto é verídico, aconteceu mesmo! 

 

Ainda estou incrédula com o que vi ontem, ao final do dia, no supermercado. Eu vi, com estes olhos que a terra há de comer, uma mãe e uma filha que devia ter uns 3 anitos. Pareceu-me uma mãe extremosa, à distância em que as observei, estava eu na charcutaria e elas na padaria. A criança agia como qualquer criança, sempre a falar "mãe isto e mãe aquilo" e a esticar os braços em direção à mãe, a exigir atenção, pensei eu. A mãe, sempre com muita paciência, ouvia e respondia como que implorando que a criança tivesse também, ela própria, paciência. Mas a criança não dava descanso.

 

Até que se calou, em algum instante entre o meu pedido de fiambre e o de queijo ou enquanto eu pedi à menina para verificar a data de validade do queijo fresco. A mãe cedeu e deu-lhe finalmente o que ela queria, pensei. E como é que eu me apercebi do que ela realmente queria, como foi? Apercebi-me porque a mãe caminhava agora na minha direção, a empurrar o carrinho e a criança sentada dentro do dito cujo, a abocanhar o mamilo da mãe, mãe esta que tinha sacado a mama para fora da roupa e caminhava assim com a filha pendurada nela com a maior naturalidade. Conseguem imaginar a cena?

 

Fiquei chocada, a sério!  Eu amamentei os meus filhos, acho a amamentação a coisa mais natural do mundo e não vejo problema nenhum em que as mães o façam em público, de forma recatada, para suprir as necessidades alimentares dos filhos bebés. É humano que isso aconteça. Agora esta mãe levou a discussão para todo um outro nível. Aquilo não se tratava de alimentar um filho! O que aquela mãe fez foi ceder a um capricho de um "bebé" grande mimado que articula perfeitamente o discurso e já tem idade para entender as regras da vida em sociedade e, mais, que já tem idade para comer a sopa ou um naco de pão! E ainda circular em público naqueles preparos, como se fosse a cena mais natural do mundo? Alto lá!

 

Acredito que a aspirante a vaca no prado percebeu a minha incredulidade e guardou a mama dentro do vestido, sem que eu proferisse qualquer palavra. Certamente percebeu! Sou transparente demais e fiquei literalmente de boca aberta, sobrolho franzido e olhos fulminantes. 

 

Não sei... Às vezes acho que sou uma valente besta insensível que não consegue ter empatia por uma criança de 3 anos (ainda se tivesse 3 anos e meio, podia criticar!...) que quer o conforto da mama da mãe (sim, porque leite não tinha de certeza!), nem com aquela mãe ruminante que faz tudo para que a sua cria se sinta feliz.  Sou mesmo uma pessoa e uma mãe má...

 

 

Ainda o "Amar pelos dois"...

 

Umas quantas notas mentais:

 

Sou só eu...

...que acho ridículo este argumento de quem não gosta da canção?

"Ah, e tal, apesar de gostar que Portugal tenha ganho, acho que a música não é música de festival da canção".

Mas o que significa ser uma música de festival da canção? É ser como aquelas azeiteiras com muitos brilhos e luzes e efeitos especiais e fogo de artifício (nas palavras do Salvador)? Eu acho que esta sim, é uma música de festival. Porque o que deve estar presente nas músicas de festival é uma melodia e uma mensagem bonitas, e esta tem-nas. É um festival da CANÇÃO, ou não é? A qualidade da canção é que deve ser avaliada e não todo aquele espalhafato que se viu noutras atuações. E mais nada!

 

Sou só eu...

...que passo os dias, desde o fim-de-semana, a cantarolar mentalmente esta música? É que volta e meia lá está o meu cérebro a cantar para si próprio, a toda a hora. A isto é que se chama uma música ficar no ouvido! 

 

Sou só eu...

...que achei manifestamente exagerada aquela receção aos Sobral no aeroporto? Até fiquei incomodada de perceber que quase sufocavam os irmãos. Pareceu-me notar algum enfado e terror nas caras deles e tudo! E com razão! Compreendo a alegria dos tugas (eu também fiquei muito feliz!), mas não precisavam  caminhar para cima deles daquela maneira! Prezar a distância higiénica é o mínimo que se exigia!

 

Sou só eu...

...que sinto como se já conhecesse a melodia? Estranho!... Naaa... Deve ser só impressão... Só faltava agora aparecer por aí alguém a reclamar de plágio... Isso é que era mesmo muito mau... 

 

(Foto: http://www.noticiasmagazine.pt) 

 

 

Curtas e grossas #1

Sobre a tolerância de ponto de hoje:

Concordo.

Acho que o Governo, apesar de laico, teve uma atitude de respeito pela religião dominante do país, logo, pela maioria do povo português. 

 

Quanto ao  argumento (a meu ver, justo) de quem discorda com a tolerância, de que os trabalhadores do setor privado não usufruem da mesma e deveriam usufruir:

Acho que seria mais profícuo para essas pessoas queixosas que dirigissem o seu sentimento de injustiça (perfeitamente justificável) e dispendessem as suas energias junto das suas entidades patronais para que essas sim dessem tolerância também, já que o Estado não tutela privados. Just saying...   

 

 

A astenia da Primavera

 

Já se depararam certamente com artigos como este que veiculam a ideia de que esta é a época em que nos sentimos mais cansados, apresentando-nos as possíveis causas para esse cansaço, alegando ainda que as mesmas podem ser explicadas pela ciência. 

 

A palavra que melhor define este estado é a "astenia": "sensação generalizada de debilidade e de falta de vitalidade, que se sente tanto a nível físico como mental. Impede-nos de realizar certas tarefas que faríamos com a maior das facilidades e pode surgir por diversos motivos."

 

Isto para dizer o quê?

 

Não sei se é psicológico, mas o que é certo é que tenho realmente andado com pouca energia, apática. Aliás, cá em casa andamos todos um bocadinho assim. Só puxamos é para a cama. Ainda num dia do fim-de-semana, deitei-me a seguir ao almoço e acabei por dormir a tarde quase toda. Eu que nunca fui de dormir a sesta! Nem pareço eu!...

 

E eu preciso urgentemente encontrar energia. Tenho projetos em mãos para os próximos tempos aos quais tenho que me dedicar com a força habitual. Tenho mesmo que dar a volta a isto... De acordo com o tal artigo, o pior mês é o de abril. Talvez maio traga a tal energia de que preciso...

 

(Foto retirada do artigo citado)

 

 

Mulheres e Homens e o autoconceito ao nível da forma física.

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Há diferenças entre homens e mulheres ao nível do autoconceito da forma física? Qual é a representação que uns e outros têm da sua própria imagem corporal?

 

Alguém que conheço, um “rapaz” da minha idade, uma vez, em conversa sobre o envelhecimento e o aumento de peso e outras manifestações corporais da passagem do tempo, disse-me que continuava a ver-se tal e qual como era aos vinte e tal anos, apesar de saber que na realidade, vinte anos volvidos, já não é nada assim. A representação que ele tem dele próprio, apesar de racionalmente ter consciência das marcas deixadas pela idade, é a de um jovem adulto atlético. Curioso e inusitado, não é? Ou nem tanto?

 

Será da forma que ilustra o cartoon humorístico que partilho que se processa a perceção da própria imagem para a maioria dos homens? Com as mulheres sei eu que não funciona assim, como também confirma o cartoon. Nós tendemos a ver-nos com mais defeitos do que aqueles que na realidade temos. A visão do nosso reflexo no espelho pode interferir negativamente em todo um dia, uma semana, uma vida. A beleza é manifestamente sobrevalorizada para (e pelo) sexo feminino. “Cristina, não vais levar a mal, mas beleza é fundamental”. Quem se lembra? Cantado por uma mulher, ironicamente! Enquanto os homens podem ter uma barriguinha que isso até é considerado sexy, nas mulheres é um drama. E por isso passamos a vida a lutar contra a nossa própria natureza e nesse aspeto, e à conta disso, somos complexadas e infelizes grande parte das nossas vidas. Mesmo as que dizem que não!...

 

Acredito que, de um modo geral, por pressão da própria sociedade, a obsessão com a imagem física está presente ao longo de toda a vida de qualquer mulher! Se as rugas, as gorduras localizadas e a celulite próprias da condição feminina aparecem, ou é um drama que temos que erradicar com cremes e dietas e outras mezinhas, ou deixamo-nos vencer por elas mas vivemos eternamente tristes na nossa pele! Temos vergonha de mostrar o corpo, usamos roupas largas e pouco reveladoras, recusamo-nos a usar a balança da casa de banho para não ver o ponteiro a subir, deixamos de tirar fotos, principalmente planos aproximados. Um drama!

 

Quanto aos homens, acredito que se se vêem como uma mulher se vê, é porque têm o cromossoma x hiperdesenvolvido, o que é o mesmo que dizer que são um bocadinho para o efeminado.  E pronto, com isto limitei a possibilidade de ser contrariada nesta teoria. Há por aí algum que se atreva a dizer que se vê com defeitos? Bem me parecia... (Um bocadinho de nonsense para rematar a conversa... Falta de imaginação... 

 

 

Uma adesão conturbada ao Twitter

 

Hoje conto-vos um pequeno episódio familiar recente. Só quem lida com adolescentes é que vai saber que situações destas acontecem... Enfim, acabei por me rir com tudo isto. 

 

Por questões relacionadas com o trabalho, necessitei criar uma conta pessoal de twitter. No minuto seguinte, sem exagero, tive que enfrentar a minha filha em pânico porque a mãe criou uma conta de twitter.

 

 

Não faças isso, mãe!

E agora o que vai ser de mim?

E os meus amigos agora vão gozar comigo!

Pelo menos não os sigas, para eles se sentirem à vontade de publicar o que quiserem!

Por favor! 

 

E eu...

   

 

E o pai...

 Cria também uma conta de Twitter para mim! 

 

E ela...

   (Chorou, literalmente! Lágrimas grossas rolaram pela cara. Juro!)

 

Bem, lá tive que prometer que não seguiria os amigos dela. Mas a ela e ao irmão seguiria garantidamente! "Está bem! A mim pode ser, aos meus amigos é que não. Olha, a F até já me mandou uma msg a dizer que tu tinhas aderido ao Twitter e agora já não podia escrever palavrões." 

 

  Pensando bem, até estaria a praticar uma boa ação... 

 

E eu que pensava que o Twitter era uma rede social mais virada para o público adulto e para a informação... Cenas sérias... Afinal, os jovens tomaram conta daquilo para usar até de alguma irreverência. Pelos vistos, aqui no meio onde os meus filhos se inserem o Facebook é para os cotas e o Instagram começa também a cair em desuso. O Twitter é que está a dar. 

 

O que é certo é que eu tenho andado sempre uns passos atrás dos meus filhos nesta coisa das redes sociais. Tanto a adesão ao Facebook, como ao Instagram, como agora ao Twitter surgiram depois das deles. Só aqui com o blog é que marco a diferença. Pelo que sei, eles nunca administraram um blog. Mas não ponho as mãos no fogo!

 

Quanto ao Twitter ainda estou a tentar perceber o conceito e só pretendo utilizá-lo para me manter informada sobre a atualidade e para fins profissionais. Mas uma coisa já me pareceu: fora os utilizadores profissionais da informação, está mais direcionado para quem tem alguma dificuldade com palavras polissilábicas, com construção frásica, com literacia e com reflexões profundas com alguma complexidade. Frases curtas, monossílabos, abreviaturas, lugares-comuns, banalidades, trivialidades,... Agora percebo porque este é o meio preferido de Trumps e afins. Estarei enganada? Talvez... Ainda não tive tempo para aprofundar.   

 

 

Desmotivação

 

 

Continuo sem disponibilidade e, confesso, muito por via disso, cada vez mais desmotivada para participar desta comunidade. Não consegui sequer fazer a rubrica habitual da segunda-feira. Também não se perdeu grande coisa!  Nesse âmbito, presentemente falta-me inspiração em toda a linha, tal é o meu cansaço, se é que me faço entender... 

 

Tenho a impressão que a minha presença aqui está por um fio. Tenho pena pelas pessoas fantásticas que quase conheci. Quase, na medida em que aqui ninguém se conhece verdadeiramente. Tenho sido obrigada a investir mais na minha vida real porque verifiquei que tanto em termos familiares como profissionais essa necessidade manifesta-se cada vez mais incontornável. Não estava a conseguir conciliar tudo, vindo cá com aquela frequência que pratiquei nos últimos meses. Acho mesmo impossível que a família e o emprego não se ressintam com uma atividade tão assídua como a que eu tinha. E não é tanto o escrever. Isso faço em poucos minutos. É mais o acompanhar a comunidade, o comentar e responder aos comentários. Não consigo mesmo, lamento. Só se fizesse vida disto. Mas atenção! Tenho lido algumas coisas da comunidade, o que tenho podido. 

 

Vamos ver como este sentimento vai evoluindo... Abracinhos a todos! 

 

 

 

 

Dia Internacional da Mulher

 

Mais de vinte anos após a Declaração e Plataforma de Ação de Pequim aprovada na 4ª Conferência Mundial sobre as Mulheres (Pequim, 1995), a necessidade de um compromisso global para alcançar a igualdade de género mantém-se. Eu até sou das que gostariam que o Dia Internacional da Mulher não se celebrasse. Seria bom sinal. Mas, infelizmente, ainda existem razões para que a data não passe em branco: 

 

  • Porque não há justiça salarial para as mulheres na medida em que, em muitos casos, a mulher continua  a auferir salários mais baixos em relação ao homem, mesmo nos mesmos empregos e desempenhando trabalho igual;

 

  • Porque a emancipação económica da mulher ainda tem um caminho a percorrer, na medida em que uma menor percentagem das mulheres tem emprego remunerado em comparação com os homens;

 

  • Porque as mulheres, segundo li algures, continuam a fazer até três vezes mais trabalho não remunerado do que os homens, nomeadamente as tarefas familiares e domésticas, sendo que Portugal está no topo dos países da OCDE com maior disparidade entre homens e mulheres na realização de tarefas domésticas;

 

  • Porque ainda há países e comunidades em que a mulher não tem direito à educação;

 

  • Porque ainda se ouvem, em pleno séc. XXI, declarações criminosas como a do eurodeputado Janusz Korwin-Mikke, no Parlamento Europeu, que afirmou que as mulheres devem ganhar menos do que os homens porque são mais pequenas, fracas e menos inteligentes. 

 

  • Porque ainda se praticam barbaridades contra as mulheres, como a mutilação genital feminina.

 

  • Etc etc etc.

 

Neste dia 8 de março, é pois importante celebrarmos mais um Dia Internacional da Mulher, reconhecendo a centralidade da exigência do cumprimento dos direitos das mulheres. Porque os direitos das mulheres são direitos humanos. 

 

Sisters, conhecem a campanha internacional "Não Me Calo"? Hoje, mulheres de 48 países vão parar no #8M e as mulheres portuguesas juntam-se à paralisação mundial neste Dia da Mulher, com manifestações em Lisboa (Rossio), Coimbra e não sei se noutros locais. Se quiserem conhecer melhor a iniciativa/greve, saibam mais em https://www.facebook.com/8MPortugal/. Eu já decidi. Será um dia de trabalho normal no emprego (felizmente, neste aspeto, não me posso queixar da carreira profissional que construí e valorizo-a), mas não farei tarefas domésticas, porque estas calham-me maioritariamente a mim no resto do ano. Estou em greve! Hoje os homens que se amanhem. Tenho dito!

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Da hipocrisia e do moralismo bacoco

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Sabem qual é uma das características do ser humano que eu abomino? A hipocrisia e/ou desonestidade intelectual! Ah como eu detesto gente hipócrita e intelectualmente desonesta! E se for aliada a moralismo bacoco e puritanismo, ainda pior. 

 

Ontem, se bem se lembram, não consegui inserir o vídeo da passagem de modelos de malas no post. Daí ter colocado o link. No entanto, no Facebook do blog, achei que enriqueceria o post se colocasse o vídeo a acompanhar o texto. Foi o que fiz. Sabem quanto tempo lá se aguentou? Uns míseros minutos. O Facebook, certamente com a denúncia de alguém, eliminou o vídeo rapidamente antes que alguém visse a coisa mais natural do mundo de que "metade" da humanidade é feita. E não satisfeito, o FB ainda me obrigou a declarar por minha honra que não tinha mais imagens de nudez nas minhas publicações. Quase me senti uma depravada... 

 

Quase! Porque rapidamente pensei: mas que mal tem a nudez? Pelo amor da santa, eu não publiquei cenas de sexo explícito. Nem tão pouco de sexo! Eram só homens nús! Então quando as mulheres desfilam com aquelas rendas e transparências que deixam adivinhar tudo, já pode ser, não é? Homens nús, pelos vistos, é que não. Curiosa esta lógica, quando estamos a um dia de celebrar o Dia Internacional da Mulher...  

 

Mas que retrocesso civilizacional é este? Tão puritanos que eles são! Ainda se os modelos tivessem o instrumento levantado em riste, até aceitava. Agora, a nudez só por ser nudez é vergonhosa? Não querem que as crianças vejam? Que ignorantes! Trata-se de anatomia humana. Aprende-se na escola. E eu vejo todos os dias publicações no FB que atentam muito mais à moral e bons costumes e que não envolvem nudez nem sexo. 

 

(Fonte da imagem: https://www.zazzle.pt/hipocrisia+cartoes+postais)

 

 

Habemus Papam!

 

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Gosto deste Papa. Um Papa que chama os bois pelos nomes, que não cede a hipocrisias. Um Papa que me parece estar a tentar credibilizar a própria Igreja, a renová-la e aproximá-la das reais preocupações dos povos, nomeadamente dos pobres e desfavorecidos. Uma espécie de regresso às origens, àquilo que a Igreja tem na sua génese defender e nem sempre tem defendido.

 

Ontem o Papa deixou mais uma vez a sua marca, ao criticar a hipocrisia de muitos que se dizem católicos mas que na sua vida e na sua relação com os outros e com o dinheiro não praticam os mandamentos do cristianismo.  Fala em exploradores, empresários que não dão salários dignos aos empregados, pessoas que têm negócios sujos e se aproveitam dos outros.

 

Eu cá lembrei-me também dos ratos de sacristia que a mim me "dão nos nervos", porque por norma são maus como as cobras. Conheço alguns. Pensam que são santos por frequentarem a Igreja, assistirem à missa e confessarem-se. Até assumem um certo ascendente moral em relação ao comum dos mortais, pecadores, como eu. E depois são tão, mas tão, mauzinhos para as outras pessoas. Tantas carapuças devem ter assentado como uma luva, ontem... 

 

Partilho então a notícia que encontrei aqui (e a foto também é daí, já agora):

 

"O papa Francisco criticou esta quinta-feira "a vida dupla" de algumas pessoas que se dizem "muito católicas", mas depois fazem "negócios sujos" e "aproveitam-se das pessoas".

"O que é um escândalo? É dizer uma coisa e fazer outra, é a vida dupla. 'Eu sou muito católico, vou sempre à missa, pertenço a esta ou à outra associação, mas a minha vida não é cristã, não pago com justiça aos meus empregados, aproveito-me das pessoas, faço negócios sujos'", criticou o papa, durante a missa da manhã na sua residência de Casa Santa Marta.

Francisco disse, citado pela Radio Vaticana, que "muitos católicos são assim" e que, por isso mesmo, causam "escândalo".

"Quantas vezes ouvimos, todos nós, no nosso bairro e noutras partes, 'para ser um católico como esse, era melhor ser ateu'? É esse o escândalo. Destrói-nos, deita-nos por terra", lamentou.

Francisco deu como exemplo o caso de um empresário católico que estava de férias numa praia do Médio Oriente enquanto os trabalhadores da sua companhia, quase falida, ameaçavam fazer uma "greve justa" porque não recebiam os salários.

O papa recordou que isto acontece "todos os dias" e que, para nos darmos conta disso, "basta ver o telejornal ou ler os jornais"."

 

 

Dia dos namorados é quando o Homem quiser!

Não ligo ao Dia dos Namorados. A sério! E não digo isto por dizer ou para pagar com a mesma moeda ao M, que também não liga e não é nada romântico. Esta é uma das facetas da nossa relação em que fui eu me aproximei do feitio dele. As relações também são feitas de cedências e eu cedi nestas "mariquices" que quase todas as mulheres gostam. Ou seja: eu já valorizei estas datas, quando ainda não percebia que existem outras manifestações de amor muito mais importantes do que oferecer e receber flores, peluches, jóias ou chocolates neste dia (conforme o perfil e a idade dos namorados). Neste dia, há um ano, escrevi um post neste sentido, este: O meu namorado não me deu flores. Na altura acho que ninguém o leu. Podem recuperá-lo agora, que até está engraçadinho, modéstia à parte. Quanto a mim, verifico que me mantenho coerente com as minhas convicções. 

 

Bem, apesar de tudo, hoje é obrigatório fazer um post sobre o dia dos namorados, certo? Então, é isto que eu tenho para dizer. Ah! Restaurantes e programas organizados por outrem neste dia nem pensar! Recuso-me a ser figurante de um filme. É isso que me lembram todos os casais sentados hoje nas mesas dos restaurantes a abarrotar. Sou mesmo muito pouco gaja neste aspeto...

 

Maaaaas, não pensem que eu ando por aí a matar o dia a quem me rodeia, como se fosse um adulto insensível que revela a uma criança que o Pai Natal não existe. Não! E para perceberem o que eu quero dizer, fiquem sabendo que fiz questão de comprar umas embalagens muito giras de chocolates numa loja conhecida da nossa praça. Conseguem imaginar para quê? Hã? Eu digo. Para os meus filhos oferecerem aos seu/sua namoradinho/a. Pois é! Na idade deles também eu valorizava estas "mariquices" e não quero destruir os sonhos dos adolescentes cá de casa. 

 

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Sou muito boa pessoa, mulher e mãe, eu sei. Será que o M se vai lembrar disso e dar-me uma prenda neste dia dos namorados? Será que é este ano que ele me dá flores?  

 

Nota: Quando no título deste post refiro "Homem", entenda-se também a mulher, conforme se adivinha pela opção de colocar a palavra com maiúscula, querendo a mesma referir-se ao ser humano em geral, à Humanidade (olha, esta é feminina!...). Isto só para o caso de haver por aí malta sensível a este pormenor, ao qual eu não dou a mínima relevância. É só opção linguística, a qual não me diminui absolutamente nada na minha condição de mulher. Estão a ver? Daqui a nada, tenho aqui mais dez parágrafos a falar nisto e entretanto já me esqueci do dia dos namorados. Não há nada a fazer... 

 

(Fonte da imagem: própria)

 

 

Domingo na bola ("Alservando..." # 2)

No domingo, a seguir ao almoço, decidimos ir ver o jogo do Benfica com o Nacional. Todos os anos vamos ver pelo menos um jogo do glorioso. E aí vai a gente, toda lampeira, quase em cima da hora e sem saber se haveria bilhetes disponíveis nas bilheteiras. Bem, sabíamos que na "candonga", às portas do estádio, costuma haver...

 

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Apanhámos algum trânsito ali ao pé deste grandioso edifício que podem ver na imagem acima. Afinal, a malta não vai a Lisboa só para ver o Benfica, que isso é para os adeptos fanáticos. Com o trânsito no "para arranca" ainda deu tempo para tirar uma fotografia a este outro grande edifício. Não se vê muito bem, porque está um bocado tapado pelo prédio aqui em frente, mas digam lá se o edifício... da NOS não é bonito! 

 

E lá chegámos a tempo ao estádio da luz. Afinal havia bilhetes nas bilheteiras. E conseguimos sair vivos das investidas dos vendedores de autocolantes e cachecóis. Uma senhora espetou-me um autocolante ao peito e pediu-me uma moeda, ao que eu respondi que não lhe tinha pedido autocolante nenhum. Arrancou-me aquilo com uma gáspea que só visto! Fiquei também a saber que a frase "A culpa é do Benfica" já domina os cachecóis à venda a 5€. Ser tricampeão aparentemente já não chega para os cachecóis... 

 

Lá dentro, durante o jogo, nada de novo: um público que vai para ali aliviar a tensão acumulada, com "foda-ses" e "cabrões" e "filhos da puta" e assobios sempre que há alguma decisão do árbitro contra o Benfica. Passei o jogo a levar com os impropérios e o fumo do tabaco de um indivíduo mesmo à minha frente. Ao lado dele, uma senhora também muito fumadora que só sabia dizer numa voz esganiçada muito provavelmente aquilo que ela conhece do futebol, que é que se chuta uma bola. Sempre que um jogador do Benfica tinha a bola, "chuta chuta chuta" e "aiiiii" e "iiihhhh" e "ohhhh", e levantava o braço numa espécie de saudação nazi sempre que em uníssono se ouvia "Benfiiiiica". 

 

Ó ali em baixo um dos cigarros assassinos! A voz assassina da mulher está mesmo ao lado, mas é baixinha, não se vê. A mulher, claro! A voz era outra estória... Ainda hoje ecoa nos meus ouvidos. 

 

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Isto para dizer que cada vez me convenço mais que a maior parte das pessoas não vai ao futebol pela beleza do desporto em si, mas sim para obter um conforto de ver a sua equipa ganhar. E se não ganhar, pelo menos é uma forma de descarregar o stress. Parece uma batalha campal. Uma arena romana, onde lá em baixo lutavam os gladiadores e o povo assobiava e apontava a mão fechada com o polegar para baixo de vez em quando ao coitado do árbitro, como se fazia quando se desejava a morte do gladiador derrotado, em pleno império romano.

 

Eu aprendi a gostar de futebol vendo os jogos do meu filho ao fim-de-semana, desde os seus seis anos. Aliás, desde pequena convivi com futebol porque o meu pai levava-me à bola ao domingo, de vez em quando. Mas não gosto nada destas coisas que dominam o futebol. Quanto ao Benfica, ganhou por 3-0, como sabemos, e voltou a liderar a tabela. Vamos lá ver se se aguenta lá até ao final do campeonato. Espero que sim. Mas não sonho com isso de noite...

 

 

 

 

Será que coloco demasiado de mim?

 

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Hoje levanto aqui uma questão que ecoa na minha cabeça enquanto membro desta comunidade. Nas alturas em que penso em algo para abordar aqui no blog, invariavelmente equaciono se devo ou não devo fazê-lo. Tudo é sufragado pela minha consciência. É a velha questão da autocensura...

 

Não é que seja meu apanágio fazer textos de estilo demasiado lamechas emotivo e intimista, salvo raras exceções. No entanto, tudo o que transmito aqui pela escrita, ou mesmo nas entrelinhas (haja quem saiba ler o que não está escrito, e já aconteceu haver) vem do mais profundo do meu ser. Não finjo ser o que não sou. Não passo uma imagem diferente daquilo que sou. Vocês talvez me conheçam melhor do que algumas pessoas (apenas) fisicamente próximas. Só não me conhecem a cara. E isso talvez seja o menos importante, na realidade.

 

Mesmo assim, qual é a quantidade qb de nós próprios que podemos ou devemos imprimir aos nossos escritos para serem lidos por todos quantos tenham interesse neles? Nunca vos aconteceu pensar em algo para relatar mas recuar porque, ponderando bem o assunto, acham que é pessoal demais para partilhar com "desconhecidos"? Não me levem a mal mas, salvo raras exceções, e apesar da simpatia que possamos nutrir uns pelos outros, é o que acabamos por ser quase todos, uns dos outros - meros desconhecidos. Podemo-nos cruzar na rua, podemo-nos sentar ao lado no cinema, podemos até frequentar a mesma cabeleireira e não fazemos a mais pequena ideia da nossa "relação" na blogosfera. O que se chama a isso?

 

Até onde é razoável ir? Nós não somos uma ilha e tudo o que mostramos de nós aqui (e quem diz aqui, diz nas redes sociais em geral) arrasta necessariamente consigo outras pessoas que fazem parte das nossas vidas. Eu pergunto: é a atitude mais acertada colocarmos a nossa vida e a dos nossos nas mãos de quem não conhecemos? Partilhar momentos da vida, sentimentos, estados de alma, tudo o que temos de mais precioso? É que eu tenho uma confissão a fazer: cada vez que dou mais um bocado de mim, sinto algo que só consigo descrever como uma angústia inexplicável, como se perdesse mais uma pequenina parte de mim. Estranho, eu sei... 

 

Gostava, acima de tudo, de perceber se cada um de vocês sente o mesmo, se há algum tipo de empatia com o que estou a partilhar ou se se estão a marimbar para estas questões. Não se inibam de me chamar doida varrida dona de um discurso sem sentido. Ou então sejam brandos comigo. Pensem antes em mim como aquela a quem a mãe faleceu neste dia, há um ano, e logo tudo faz muito mais sentido. 

 

(Foto: própria, recordando a minha mãe)

 

 

O que é que vai ser: amor ou sexo?

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 (Créditos na imagem)

 

Nos comentários do post da última segunda-feira, vieram à baila as expressões fazer Amor e fazer Sexo. E como eu tenho uma visão muito própria sobre isso, vamos lá partilhá-la. 

 

Não tenciono desenvolver o assunto nos termos habituais, por exemplo abordando a questão do sexo com amor ou sexo sem amor, ou a crença de que os homens é que praticam mais sexo sem amor, enquanto as mulheres não. Não sei se ainda é verdade ou não. Por acaso, comigo o sexo só com amor. Só com um elevado grau de intimidade. E a verdadeira intimidade vem do conhecimento profundo do outro, dos sentimentos que se nutrem pelo outro. Mas, como em tudo, as pessoas são diferentes e assim é que tem que ser. Tudo é aceitável desde que satisfaça as duas partes. Ou as três, ou as quatro,... 

 

Mas uma coisa é certa. Nunca da minha boca saiu a expressão "fazer amor" a propósito da relação sexual. "Fazer amor" é uma expressão que nunca me soou bem para legendar algo que é acima de tudo carnal. Tenho mesmo aversão a articular essas palavras. É meloso. Não consigo. Fazer amor? Não! Amor acontece quando se dá um mimo, um beijo de boa noite, quando se leva o pequeno-almoço à cama, quando se cuida em caso de doença, quando se apoia nas dificuldades, quando se partilha alegrias e tristezas, quando se dá um abraço apertado, quando se diz um "amo-te" sentido, e pode acontecer ou não quando se faz sexo.

 

A "pessoa" deve fazer mesmo é sexo puro e duro com o companheiro(a)!  Se houver amor, melhor, mas o sexo continua a ser algo visceral, acima de tudo fisiológico e não se compadece com linguagem melosa, eufemismos e regras de etiqueta. Isso é à moda antiga (espero eu!), em que o homem tratava com "respeito" a mulher em casa e, por isso, ia às putas meninas com as quais, essas sim, podia satisfazer as fantasias e a líbido, desrespeitando-as à vontade. 

 

Até vou mais longe. Vou afirmar algo que nunca ouvi ninguém dizer antes, mas trata-se de uma convicção que esta cabeça maluca tem vindo a formar.

Vem bomba!  

Cá vai!

Quem diz que faz amor, certamente não fode faz sexo como deve ser (com exceção dos meus ricos leitores que estejam a ler isto e o digam,...  Mas agora, depois desta desconstrução, vão certamente deixar de dizer ).  A linguagem do sexo tem que ser mais crua, picante, obscena, com um código próprio. Não deve ser a mesma que usamos à mesa, a não ser que a mesa seja usada para outro fim que não seja comer... literalmente, comida .  

 

Também pode e deve haver fantasia, perversão e até "ordinarice" entre pessoas que se amam. Não há cá faltas de respeito por causa disso. Por outro lado, se alguém quiser convosco "fazer o amor", acreditem: é uma nódoa. Eu cá não ia gostar nada de ter um homem que me dissesse "vamos fazer amor?" Estragava logo o clima, arruinava o momento.

 

Faz-me lembrar de um casal senhorio de uma casa onde morei, nos tempos da faculdade, em que ele e ela se tratavam por Sr. e Sra. M. Acreditam nisto? Como é que eles se relacionariam na cama? Um dos divertimentos, meus e das minhas colegas de casa, era imaginá-los nesses preparos, a pedirem por favor e com licença para foderem procederem ao ato. O que nós nos ríamos a imaginar esse cenário!... 

 

E pronto, sempre a desconstruir paradigmas, a guru do sexo hoje fica-se por aqui. Agora digam de vossa justiça. Qual é a linguagem que preferem? Querem melosamente fazer amor ou libidinosamente fazer sexo?

 

Já agora, tentem contornar a censura no boneco lá em cima, adivinhando as palavras que faltam. Foi fácil? Então passaram no teste da gíria sexual. Estão aptos a aplicá-las logo que possam. 

 

Boas fodas relações sexuais! (Estão a ver? A etiqueta e a linguagem técnica aqui têm algum jeito?

 

 

Factos extraordinários sobre os blogs

Nesta comunidade todos queremos ter aceitação, que nos leiam, que comentem as nossas produções, aumentar o número de visualizações, obter destaques, criar empatia com os restantes moradores, e mais um sem-número de coisas boas. É humano que assim seja, a não ser que sejamos solitários ou misantropos por natureza. Mas nesse caso não estaríamos aqui e manteríamos antes um diário em papel com direito a cadeado e tudo, cujas páginas preencheríamos com o mais recôndito de nós próprios no refúgio da nossa reclusão. 

 

Sim, nós gostamos de ter atenção. No entanto, e apesar disso, pode acontecer o facto extraordinário de termos um aumento exponencial de visualizações no blog num determinado dia e preferirmos não ter tido. Acreditam nisto? Pois, eu pensava não ser possível... Mas, ontem para mim foi esse dia...  Vejo hoje nas estatísticas do Sapo que tive por aqui muitos leitores, resmas de visualizações, mas... Sei que entendem o que quero dizer.

 

Não me interpretem mal. Agradeço a todos os que me visitaram, que foram solidários comigo. Quero-vos cá e agradeço o facto de vos ter sempre por cá. Dão alento a uma vida cinzentona. Mas mesmo assim eu gostaria de apagar os acontecimentos dos últimos dias aqui no bairro. Aquela não sou eu. Nunca quis deixar que a blogosfera me fizesse mal. Detesto ser "pequenina". Já tenho e tive a minha dose de ralações e sofrimento. Aqui não! 

 

Por isso, deixo-vos uma promessa: 

 

Prometo que, a partir de agora, só escrevo e comento sobre assuntos pouco polémicos, nomeadamente: o tempo, as novelas, o tempo, decoração, moda, o tempo, reality shows, culinária, o tempo, casamentos, batizados, o tempo, ...

 

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Nãããã!!!!  Logo agora que eu estava a equacionar fazer a rubrica sobre sexo à segunda? Nem pensar! MUUAAAAHHHH!!!

 

 

 

 

Que cena surreal me haveria de acontecer!

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 (Era assim que devia ter sido o diálogo, mas infelizmente foi como relato no post abaixo)

 

Estou de boca aberta!  A blogosfera a imitar o mundo real... Espetáculo! 

 

Uma pessoa cria empatia com determinada pessoa e até tem por ela alguma consideração e estima, mesmo não a conhecendo pessoalmente. Vai daí, a pessoa, à mínima coisa, remove-se de nossa seguidora, que é a mesma coisa que, em linguagem não blogueira, nos bater com a porta na cara. Resta-me perceber porquê. Seria qualquer coisa que eu disse? Eu nunca ofendi por aqui ninguém, muito menos essa pessoa. Dali é que eu não esperava isto! Que cena! 

 

Bem, vejamos: ou a pessoa é púdica e se indignou com a minha brincadeira sobre sexo ou então, aposto, apesar de se dizer defensora da democracia, não aceita o pluralismo democrático e afinal, ao contrário do que diz defender, não acredita num sistema em que se possa livremente partilhar uma opinião devidamente fundamentada sobre determinado assunto.

 

Para mim, democracia exige diálogo, e para haver diálogo tem que haver maturidade e uso de argumentações lógico-racionais. Confronto de ideias é salutar. Não pode é ser confundido com confronto pessoal, que é o que me parece ter acontecido aqui. Como é que alguém que defende a democracia não concebe o diálogo desta forma?

 

Bem, dei voltas à cabeça e parece que a culpa foi do Fidel.  Isto porque eu tive a infelicidade de ensinar relembrar factos históricos, querendo provar (mas mesmo muito pela rama!) que os episódios históricos estão enquadrados em determinado contexto, que nada é linear, que a história não é só branca ou só preta. Pronto, já sou uma extremista de esquerda e anti-democrata defensora de déspotas. Ora, eu até disse que o Fidel, sendo um ditador, não pode no entanto ser comparado a um Hitler ou a um Staline! Nunca, em momento algum, defendi as ditaduras, nem de direita nem de esquerda, como se pode ver quando coloquei Staline e Hitler num patamar diferente do de Fidel. O problema é que parti do princípio de que a interlocutora perceberia o meu ponto de vista porque saberia quem foi Staline, já que assumidamente não sabia bem quem foi Fidel, assim como não conhecia minimamente a história do povo cubano e do grande bordel que era Cuba antes da revolução, dominada pelos americanos. 

 

Mais uma vez a natureza humana me surpreendeu e o confronto com esse facto magoou-me um bocado. Que cena marada! Pensei que aqui poderia conversar civilizadamente, mas pelos vistos há quem não aceite um resquício que seja de questionamento às próprias ideias defendidas com fraca sustentação e argumentação pueril. 

 

Querem um conselho? Não pretendam ter um diálogo de adultos por aqui opinando sobre temas relacionados com política e visão do mundo porque poderão cair numa cena surreal como eu caí, em que a pessoa grande defensora da democracia não sabe ouvir uma opinião contrária (ou até só complementar) à sua (ironia no seu melhor!) e, à falta de argumentos, "bloqueia-vos". Afinal quem é a grande democrata? Quem é a radical e quem é a moderada? Como costumo dizer: o que vale é que eu tenho uma autoestima elevadíssima, senão ficaria deprimida... 

 

Não voltarei a este registo (desculpem-me, que vocês não merecem isto! ) nem a falar neste assunto, que não vale a pena. Mas tinha que fazer o contraditório de uma cena que parece saída de um filme italiano. Desculpem. Se soubesse das repercussões de simples comentários, não teria comentado nada, para evitar isto. Mas como é que eu ia adivinhar que aquele post não aceitava comentários? Não sou bruxa! Como eu gosto dos vossos comentários pendam eles para que lado penderem, desde que não sejam ofensivos, pensei que poderia enriquecer aquela discussão com um comentário meu. Estava errada, pelos vistos.

 

Pensando bem, era tão melhor eu estar hoje aqui a escrever sobre sexo outra vez... Sempre provou ser um assunto um bocadinho mais consensual... E convenhamos, é muito mais interessante. 

 

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Era para ficar por aquilo que escrevi acima. Mas já vi que tenho vindo a ser descrita pela tal pessoa como tendo sido muito inconveniente nos comentários que fiz (aliás, não fui só eu a atacada!), causadora de todas as desgraças, e como tal, copiei para aqui aquilo que eu comentei e que tanta celeuma levantou. Tanto mais havia para dizer, mas isto foi ipsis verbis, o que escrevi à pressa (3 comentários, que para mim faziam parte de uma conversa cordial), entre comentários do outro lado esses sim algo exasperados. 

 

Maria Mocha  26.11.2016  21:17

Sim, passam-se lá necessidades em larga medida por causa dos EUA. 
Fidel foi um revolucionário que retirou Cuba da ditadura e sempre teve o o apoio do seu povo. Naquilo que dependia dos cubanos, cuba está na vanguarda: veja-se a saúde. O que prejudicou Cuba foi o boicote americano. Portugal, por exemplo, sempre teve relações amigáveis com Cuba. Agora a História é muitas vezes reescrita, ai isso é. E as televisões têm grande culpa nisso.
Morreu um revolucionário que lutou pela libertação do seu país e que o liderou em circunstâncias muito difíceis. 

 (...)

Maria Mocha  26.11.2016  23:24

Não te quero convencer de nada, Cátia. Só lembrar que a História é uma mas há sempre mais do que uma visão da mesma, apesar de passar na TV quase exclusivamente uma delas. Se um dia tiveres curiosidade, pesquisa sobre este assunto. Há documentários muito interessantes, que também fazem a ligação ao Che Guevara, claro. 
Beijinhos.

 (...)

Maria Mocha  27.11.2016  11:25

Há ditadores e ditadores... A explicação para os acontecimentos históricos não pode ser linear. Não foi nenhum Hitler ou Staline, convenhamos. Até o papa lhe reconhece a figura importante que foi. Libertou o seu país do jugo americano. A história não pode ser apagada. É só isto. De resto, cada um tem direito à sua opinião. 
Beijinhos e bom domingo.

 

Digam-me de vossa justiça. Ofendi alguém? Não publicarei comentários a este post se não quiserem, mas elucidem-me por favor. O que foi isto afinal? Tenho lá culpa que a pessoa esteja farta do seu blog e do nome dele e que lhe corrijam erros de Português! Agora tenho que pagar por a vida correr mal aos outros, qual bode expiatório dos problemas alheios? Olha agora!...

 

Das eleições americanas, do lugar das mulheres na escala social e mais uma salganhada de coisas

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 (Créditos na imagem)

 

Não vou escrever sobre Republicanos e Democratas, que não lhes reconheço assim tantas marcas diferenciadoras. Vou contar-vos é sobre uma teoria que tenho sobre as eleições americanas serem um bom barómetro do lugar das mulheres na escala social, nos EUA e quiçá no mundo. Senão, vejamos:

 

De acordo com as sondagens, parece que está tudo encaminhado para a eleição da Hillary Clinton. Mesmo assim, dos males, o menor... 

 

Desde que se soube que ela era a candidata do partido democrático que eu sei que tinha boas hipóteses de ganhar. Aliás, acredito nisso desde que o Barack Obama foi eleito pela primeira vez Presidente dos Estados Unidos da América. Desde essa altura que digo ao M: "o próximo Presidente dos EUA será uma mulher!" Conseguem perceber porquê?

 

Sigam o meu raciocínio, que eu sou uma grande socióloga e analista política. 

 

Todos conhecemos alguma coisa sobre o passado dos EUA e a sua história de racismo, quanto mais não seja por termos visto westerns, os velhinhos filmes de cowboys e índios, ou a série Norte e Sul (isto, quem já por cá andava em 1985), que abordava a Guerra Civil Americana (1861-1865) entre o Norte industrial e o Sul agrícola e escravagista, ou ainda o clássico do cinema E tudo o vento levou, ou até por nos lembrarmos de ver referências àquelas avantesmas do Ku-Klux-Klan vestidas de branco em forma de funil que achavam que eram de uma raça superior e andavam de noite a vandalizar casas e a matar niggers

 

Ainda estão aí? Eh, rapaziada paciente! 

 

Ora, se num país com esta história sanguinária de cariz racial, acabou por ser eleito um presidente negro, está ou não aberto o caminho para poder também ser eleita uma mulher? Por isso é que eu digo que a mulher é a última na escala social, atrás dos homens brancos em primeiro lugar e dos homens negros a seguir. Faz sentido ou não? Se num país onde ainda existe tanto racismo e xenofobia (é ouvir os discursos do Trump, muito aplaudidos pelos setores mais conservadores da sociedade americana!) pôde ser eleito um negro (ainda por cima de origem muçulmana), tudo leva a crer que agora os eleitores pensem "let's get crazy, man!" e despachar a mulher também, até porque lhe devem isso (repararam no boné da Hillary no cartoon?). Será uma espécie de prémio de consolação para o "sexo fraco". Das duas uma: ou é isso ou o Trump é mesmo um candidato reles que não é para ser levado a sério e então a Hillary simplesmente "gets lucky" por ter um adversário como ele. 

 

E pronto, com a eleição da mulher fica o assunto resolvido por uns bons anos e ainda se alimenta mais a convicção de que os EUA são a tão citada "land of opportunity" onde até se respeitam as "proud Mary" celebradas na intemporal canção dos Creedence Clearwater Revival.

 

E assim se vão legitimando, na terra do tio Sam, com Hillary ou com Donald, mais ataques e guerras contra países inimigos da América que, esses sim, pelo menos alguns deles, não respeitam as mulheres... e têm petróleo! (Nota-se muito que não morro de amores pelos americanos?)

 

As eleições são já amanhã, dia 8. Se eu não acertar na previsão, é bem feita, que prognósticos devem ser feitos só no fim, como dizia o outro! Por isso, se não acertar, fica combinado que me mortificarei com um cilício, autoflagelando-me à chicotada qual membro convicto da Opus Dei, essa digna organização também ela muito respeitadora do género feminino!  

 

 

 

Do tamanho da audiência...


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Cada vez me convenço mais disto!

Não importa quantas pessoas nos ouvem (e lêem!). 

Não importa não ter um grande número de seguidores.

Não importa não termos aquele destaque que poderíamos (e às vezes mereceríamos) ter.

O que importa é sabermos que temos valor. E eu sou valiosíssima! E vocês aí desse lado também são, que uma pessoa valiosa só segue pessoas com igual ou superior valor!  

 

Lembram-se destes estados de alma? Pois... Estou na fase boa! Já deu para perceber. Talvez o facto de ser sábado tenha alguma coisa a ver com isso... 

 

 

Bom fim-de-semana, pessoal!

 

 

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