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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

Factos extraordinários sobre os blogs

Nesta comunidade todos queremos ter aceitação, que nos leiam, que comentem as nossas produções, aumentar o número de visualizações, obter destaques, criar empatia com os restantes moradores, e mais um sem-número de coisas boas. É humano que assim seja, a não ser que sejamos solitários ou misantropos por natureza. Mas nesse caso não estaríamos aqui e manteríamos antes um diário em papel com direito a cadeado e tudo, cujas páginas preencheríamos com o mais recôndito de nós próprios no refúgio da nossa reclusão. 

 

Sim, nós gostamos de ter atenção. No entanto, e apesar disso, pode acontecer o facto extraordinário de termos um aumento exponencial de visualizações no blog num determinado dia e preferirmos não ter tido. Acreditam nisto? Pois, eu pensava não ser possível... Mas, ontem para mim foi esse dia...  Vejo hoje nas estatísticas do Sapo que tive por aqui muitos leitores, resmas de visualizações, mas... Sei que entendem o que quero dizer.

 

Não me interpretem mal. Agradeço a todos os que me visitaram, que foram solidários comigo. Quero-vos cá e agradeço o facto de vos ter sempre por cá. Dão alento a uma vida cinzentona. Mas mesmo assim eu gostaria de apagar os acontecimentos dos últimos dias aqui no bairro. Aquela não sou eu. Nunca quis deixar que a blogosfera me fizesse mal. Detesto ser "pequenina". Já tenho e tive a minha dose de ralações e sofrimento. Aqui não! 

 

Por isso, deixo-vos uma promessa: 

 

Prometo que, a partir de agora, só escrevo e comento sobre assuntos pouco polémicos, nomeadamente: o tempo, as novelas, o tempo, decoração, moda, o tempo, reality shows, culinária, o tempo, casamentos, batizados, o tempo, ...

 

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Nãããã!!!!  Logo agora que eu estava a equacionar fazer a rubrica sobre sexo à segunda? Nem pensar! MUUAAAAHHHH!!!

 

 

 

 

Que cena surreal me haveria de acontecer!

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 (Era assim que devia ter sido o diálogo, mas infelizmente foi como relato no post abaixo)

 

Estou de boca aberta!  A blogosfera a imitar o mundo real... Espetáculo! 

 

Uma pessoa cria empatia com determinada pessoa e até tem por ela alguma consideração e estima, mesmo não a conhecendo pessoalmente. Vai daí, a pessoa, à mínima coisa, remove-se de nossa seguidora, que é a mesma coisa que, em linguagem não blogueira, nos bater com a porta na cara. Resta-me perceber porquê. Seria qualquer coisa que eu disse? Eu nunca ofendi por aqui ninguém, muito menos essa pessoa. Dali é que eu não esperava isto! Que cena! 

 

Bem, vejamos: ou a pessoa é púdica e se indignou com a minha brincadeira sobre sexo ou então, aposto, apesar de se dizer defensora da democracia, não aceita o pluralismo democrático e afinal, ao contrário do que diz defender, não acredita num sistema em que se possa livremente partilhar uma opinião devidamente fundamentada sobre determinado assunto.

 

Para mim, democracia exige diálogo, e para haver diálogo tem que haver maturidade e uso de argumentações lógico-racionais. Confronto de ideias é salutar. Não pode é ser confundido com confronto pessoal, que é o que me parece ter acontecido aqui. Como é que alguém que defende a democracia não concebe o diálogo desta forma?

 

Bem, dei voltas à cabeça e parece que a culpa foi do Fidel.  Isto porque eu tive a infelicidade de ensinar relembrar factos históricos, querendo provar (mas mesmo muito pela rama!) que os episódios históricos estão enquadrados em determinado contexto, que nada é linear, que a história não é só branca ou só preta. Pronto, já sou uma extremista de esquerda e anti-democrata defensora de déspotas. Ora, eu até disse que o Fidel, sendo um ditador, não pode no entanto ser comparado a um Hitler ou a um Staline! Nunca, em momento algum, defendi as ditaduras, nem de direita nem de esquerda, como se pode ver quando coloquei Staline e Hitler num patamar diferente do de Fidel. O problema é que parti do princípio de que a interlocutora perceberia o meu ponto de vista porque saberia quem foi Staline, já que assumidamente não sabia bem quem foi Fidel, assim como não conhecia minimamente a história do povo cubano e do grande bordel que era Cuba antes da revolução, dominada pelos americanos. 

 

Mais uma vez a natureza humana me surpreendeu e o confronto com esse facto magoou-me um bocado. Que cena marada! Pensei que aqui poderia conversar civilizadamente, mas pelos vistos há quem não aceite um resquício que seja de questionamento às próprias ideias defendidas com fraca sustentação e argumentação pueril. 

 

Querem um conselho? Não pretendam ter um diálogo de adultos por aqui opinando sobre temas relacionados com política e visão do mundo porque poderão cair numa cena surreal como eu caí, em que a pessoa grande defensora da democracia não sabe ouvir uma opinião contrária (ou até só complementar) à sua (ironia no seu melhor!) e, à falta de argumentos, "bloqueia-vos". Afinal quem é a grande democrata? Quem é a radical e quem é a moderada? Como costumo dizer: o que vale é que eu tenho uma autoestima elevadíssima, senão ficaria deprimida... 

 

Não voltarei a este registo (desculpem-me, que vocês não merecem isto! ) nem a falar neste assunto, que não vale a pena. Mas tinha que fazer o contraditório de uma cena que parece saída de um filme italiano. Desculpem. Se soubesse das repercussões de simples comentários, não teria comentado nada, para evitar isto. Mas como é que eu ia adivinhar que aquele post não aceitava comentários? Não sou bruxa! Como eu gosto dos vossos comentários pendam eles para que lado penderem, desde que não sejam ofensivos, pensei que poderia enriquecer aquela discussão com um comentário meu. Estava errada, pelos vistos.

 

Pensando bem, era tão melhor eu estar hoje aqui a escrever sobre sexo outra vez... Sempre provou ser um assunto um bocadinho mais consensual... E convenhamos, é muito mais interessante. 

 

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Era para ficar por aquilo que escrevi acima. Mas já vi que tenho vindo a ser descrita pela tal pessoa como tendo sido muito inconveniente nos comentários que fiz (aliás, não fui só eu a atacada!), causadora de todas as desgraças, e como tal, copiei para aqui aquilo que eu comentei e que tanta celeuma levantou. Tanto mais havia para dizer, mas isto foi ipsis verbis, o que escrevi à pressa (3 comentários, que para mim faziam parte de uma conversa cordial), entre comentários do outro lado esses sim algo exasperados. 

 

Maria Mocha  26.11.2016  21:17

Sim, passam-se lá necessidades em larga medida por causa dos EUA. 
Fidel foi um revolucionário que retirou Cuba da ditadura e sempre teve o o apoio do seu povo. Naquilo que dependia dos cubanos, cuba está na vanguarda: veja-se a saúde. O que prejudicou Cuba foi o boicote americano. Portugal, por exemplo, sempre teve relações amigáveis com Cuba. Agora a História é muitas vezes reescrita, ai isso é. E as televisões têm grande culpa nisso.
Morreu um revolucionário que lutou pela libertação do seu país e que o liderou em circunstâncias muito difíceis. 

 (...)

Maria Mocha  26.11.2016  23:24

Não te quero convencer de nada, Cátia. Só lembrar que a História é uma mas há sempre mais do que uma visão da mesma, apesar de passar na TV quase exclusivamente uma delas. Se um dia tiveres curiosidade, pesquisa sobre este assunto. Há documentários muito interessantes, que também fazem a ligação ao Che Guevara, claro. 
Beijinhos.

 (...)

Maria Mocha  27.11.2016  11:25

Há ditadores e ditadores... A explicação para os acontecimentos históricos não pode ser linear. Não foi nenhum Hitler ou Staline, convenhamos. Até o papa lhe reconhece a figura importante que foi. Libertou o seu país do jugo americano. A história não pode ser apagada. É só isto. De resto, cada um tem direito à sua opinião. 
Beijinhos e bom domingo.

 

Digam-me de vossa justiça. Ofendi alguém? Não publicarei comentários a este post se não quiserem, mas elucidem-me por favor. O que foi isto afinal? Tenho lá culpa que a pessoa esteja farta do seu blog e do nome dele e que lhe corrijam erros de Português! Agora tenho que pagar por a vida correr mal aos outros, qual bode expiatório dos problemas alheios? Olha agora!...

 

Das eleições americanas, do lugar das mulheres na escala social e mais uma salganhada de coisas

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 (Créditos na imagem)

 

Não vou escrever sobre Republicanos e Democratas, que não lhes reconheço assim tantas marcas diferenciadoras. Vou contar-vos é sobre uma teoria que tenho sobre as eleições americanas serem um bom barómetro do lugar das mulheres na escala social, nos EUA e quiçá no mundo. Senão, vejamos:

 

De acordo com as sondagens, parece que está tudo encaminhado para a eleição da Hillary Clinton. Mesmo assim, dos males, o menor... 

 

Desde que se soube que ela era a candidata do partido democrático que eu sei que tinha boas hipóteses de ganhar. Aliás, acredito nisso desde que o Barack Obama foi eleito pela primeira vez Presidente dos Estados Unidos da América. Desde essa altura que digo ao M: "o próximo Presidente dos EUA será uma mulher!" Conseguem perceber porquê?

 

Sigam o meu raciocínio, que eu sou uma grande socióloga e analista política. 

 

Todos conhecemos alguma coisa sobre o passado dos EUA e a sua história de racismo, quanto mais não seja por termos visto westerns, os velhinhos filmes de cowboys e índios, ou a série Norte e Sul (isto, quem já por cá andava em 1985), que abordava a Guerra Civil Americana (1861-1865) entre o Norte industrial e o Sul agrícola e escravagista, ou ainda o clássico do cinema E tudo o vento levou, ou até por nos lembrarmos de ver referências àquelas avantesmas do Ku-Klux-Klan vestidas de branco em forma de funil que achavam que eram de uma raça superior e andavam de noite a vandalizar casas e a matar niggers

 

Ainda estão aí? Eh, rapaziada paciente! 

 

Ora, se num país com esta história sanguinária de cariz racial, acabou por ser eleito um presidente negro, está ou não aberto o caminho para poder também ser eleita uma mulher? Por isso é que eu digo que a mulher é a última na escala social, atrás dos homens brancos em primeiro lugar e dos homens negros a seguir. Faz sentido ou não? Se num país onde ainda existe tanto racismo e xenofobia (é ouvir os discursos do Trump, muito aplaudidos pelos setores mais conservadores da sociedade americana!) pôde ser eleito um negro (ainda por cima de origem muçulmana), tudo leva a crer que agora os eleitores pensem "let's get crazy, man!" e despachar a mulher também, até porque lhe devem isso (repararam no boné da Hillary no cartoon?). Será uma espécie de prémio de consolação para o "sexo fraco". Das duas uma: ou é isso ou o Trump é mesmo um candidato reles que não é para ser levado a sério e então a Hillary simplesmente "gets lucky" por ter um adversário como ele. 

 

E pronto, com a eleição da mulher fica o assunto resolvido por uns bons anos e ainda se alimenta mais a convicção de que os EUA são a tão citada "land of opportunity" onde até se respeitam as "proud Mary" celebradas na intemporal canção dos Creedence Clearwater Revival.

 

E assim se vão legitimando, na terra do tio Sam, com Hillary ou com Donald, mais ataques e guerras contra países inimigos da América que, esses sim, pelo menos alguns deles, não respeitam as mulheres... e têm petróleo! (Nota-se muito que não morro de amores pelos americanos?)

 

As eleições são já amanhã, dia 8. Se eu não acertar na previsão, é bem feita, que prognósticos devem ser feitos só no fim, como dizia o outro! Por isso, se não acertar, fica combinado que me mortificarei com um cilício, autoflagelando-me à chicotada qual membro convicto da Opus Dei, essa digna organização também ela muito respeitadora do género feminino!  

 

 

 

Do tamanho da audiência...


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Cada vez me convenço mais disto!

Não importa quantas pessoas nos ouvem (e lêem!). 

Não importa não ter um grande número de seguidores.

Não importa não termos aquele destaque que poderíamos (e às vezes mereceríamos) ter.

O que importa é sabermos que temos valor. E eu sou valiosíssima! E vocês aí desse lado também são, que uma pessoa valiosa só segue pessoas com igual ou superior valor!  

 

Lembram-se destes estados de alma? Pois... Estou na fase boa! Já deu para perceber. Talvez o facto de ser sábado tenha alguma coisa a ver com isso... 

 

 

Bom fim-de-semana, pessoal!

 

 

A importância relativa da Educação Física na formação de um "Doutor".

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 (Foto em http://www.arlindovsky.net/)

 

Hoje umas breves notas, a propósito da notícia que circula nas redes sociais de que as avaliações da disciplina de Educação Física vão passar a contar para o acesso ao ensino superior. Não conheço a proposta nem os seus contornos. Por isso, deixo só uma opinião pouco amadurecida, reflexo do primeiro impacto que me causou. 

 

Começo por dizer que é uma medida que vai ser aplicada aos meus filhos. Nesse aspeto, tudo bem, que eles são os dois bastante atléticos. Quanto a isso, estou portanto descansada.

 

Mas e os que não são? Vai-se cortar as pernas a alunos exemplares que poderiam ir para o curso que quisessem e chegar a ser úteis à sociedade só porque não têm destreza para o desporto? Atenção, eu acho que se deve valorizar a atividade desportiva, mas porque é que Educação Física ha de ser importante como requisito para alguém que quer ser juiz ou advogado ou médico ou engenheiro ou professor (excluindo daqui os de Educação Física, claro!)?

 

Não sei se concordo com a medida. Tenho até bastantes dúvidas. O que dizer sobre a aplicação desta medida a uma pessoa com deficiência ou doença que impeça o bom desempenho físico? Espero e acredito que se tenha em conta situações dessas. Senão, o que nos estão a dizer? Que um coxo, um cego, um maneta ou um paraplégico não podem ser doutores? A essas pessoas que já têm tantas dificuldades de integração, podemos em consciência dificultar-lhes ainda mais a vida? Não, deve estar certamente tudo pensado...

 

Se não se acautelar esse aspeto, pergunto: o que é que se pretende com isto? "Limpar" as universidades de pessoas "diferentes", na senda da raça perfeita?

 

 

Inteligência aliada a boa condição física e temos o ideal de estudante universitário! Mente sã em corpo são! Muito bem, sim senhor! 

 

Não consigo é evitar que a minha mente faça aqui um paralelismo com aquele episódio infeliz da história mundial que todos conhecemos... 

 

 

 

Por um fio...

Nunca tinha assistido a um ataque de pânico em ninguém... até ontem.

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E agora estão a pensar que eu acabei por escolher a opção 2 nesta situação que relatei, que dei um tareão verbal em alguém, que a pessoa até ficou com problemas psiquiátricos e teve uma crise de ansiedade perante a minha brutalidade, insensibilidade e falta de compaixão.

Não, desengane-se quem pensa mal de mim!  

A situação não teve a ver com aquilo e, além disso, aí eu escolhi a opção 1: reneguei a situação urinária com a qual acordei, fui para o trabalho, estacionei e corri para a casa de banho porque resisti com muita dificuldade, durante todo o percurso, a encostar o carro e fazer o serviço numa valeta, bebi durante o dia mais de 2 litros de água, a sensação de infeção foi amainando e eu, entre as idas constantes à casa de banho, fiz muito daquilo (de urgente!) que havia para fazer. É assim esta vossa amiga! Não aprende a preservar-se um bocadinho. 

 

Quanto ao ataque de pânico, foi horrível! 

 

Somos tão vulneráveis... O cérebro é mesmo um mundo desconhecido e incontrolável e a nossa saúde mental é mesmo muito ténue. Em muitos casos está por um fio e nós nem nos apercebemos. Fui pesquisar, embora já adivinhasse que era assim, e confirmei que as mulheres são entre duas a três vezes mais propensas a este distúrbio de ansiedade levada ao extremo.

 

O descontrolo mental completo da jovem não foi bonito de se ver: gritos, repetição de palavras impercetíveis e um discurso incoerente, tremores, falta de sensibilidade nos membros, olhar vidrado, suores,... Uma pessoa aparentemente sã, de repente, fica irreconhecível parecendo personagem de um qualquer filme rodado numa casa de saúde mental, vulgo casa dos doidos. Acabou por ter que ir para o hospital, ala de psiquiatria. Por portas travessas, fiquei a saber que havia ali também um problema de bulimia já instalado e que este era o seu segundo episódio de transtorno de pânico, como também é chamado na literatura da especialidade. 

 

Tudo isto eu vi. E, mesmo não tendo relação próxima com a jovem, não consegui evitar chorar por ter visto o que vi. Sou assim: choro com a mesma facilidade com que rio. Estava debilitada ou então instalou-se em mim a certeza de que eu própria tinha muitas vezes razões para estar naquele estado, não fosse eu esta força da natureza linda e maravilhosa que sou. 

 

Este foi um dia difícil, daqueles em que quando acordo já sinto dentro de mim que coisas más estão para vir. E vêm! Ontem foi um desses dias. Hoje espero uma melhoria significativa. Estou com motivação para adiantar mais trabalho e, quem sabe, desbloquear mais umas situações difíceis. Afinal, é sexta-feira! Eu tudo posso e de tudo sou capaz à sexta-feira! 

 

Uma nota final para pedir desculpa a quem espera ler sempre por aqui estórias bonitas polvilhadas de humor e descontração. Infelizmente, a vida das pessoas reais às vezes não permite esse registo quando os blogs pretendem ser genuínos como este. Traduzindo: sou uma bosta de blogger, é o que é! 

Assim é que se fazem homens!

 

 

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Aviso já à cabeça que não sou uma pessoa nada antiquada nem púdica! Até sou bastante "mente aberta". Eu própria já fiz muitas asneiras na vida, mas por ter uma cabeça no sítio, nunca fiz nada de que me envergonhasse muito nem que comprometesse o caminho que defini para mim. Sou assim, uma pessoa de ideias fixas bem definidas e casmurra determinada com'ó caneco. Posto isto, posso dizer ao que venho.

 

Hoje venho contar-vos a conversa de ontem à hora de almoço, entre colegas, no trabalho. Uma das colegas, e amiga, contava as suas peripécias do último fim-de-semana por terra de estudantes. Não, não falámos da praxe. Isso seria outra discussão que daria pano para mangas. Ela tinha ido ver os festejos da receção ao caloiro. A sua filha ingressou este ano na faculdade, e então, ela e restante família, lá foram assistir aos desfiles e essa coisa toda que acontece por esta altura e das quais eu já só tenho uma vaga memória, que já foi há tanto tempo e já se passou tanta "vida adulta" na minha vida que quase limpei isso tudo. Adiante. 

 

Contava então a minha amiga as imagens que ainda a perseguem dos festejos, e que só não a levaram à cama porque não é púdica tal e qual como eu e porque tem uma filha orientadinha com a qual não se tem que preocupar, já que tem aversão àqueles exageros doentezzz e depravadozzz.

 

Ora então ela e a família fizeram centenas de quilómetros para assistir a quê?, perguntam vocês. Pois é claro que assistiram àquilo que todos nós sabemos que acontece nestas festas estudantis:

  • gente a emborcar cervejas à doida como se não houvesse amanhã,
  • ambulâncias de apoio à festa num vai-vem atarefado de sirenes num ti-nó-ni constante,
  • cenas maradas como a daquela jovem que teve necessidade de fazer o seu xixi, coitada, que a cerveja tinha que sair por algum lado, e então toca de agachar e fazer o serviço ali no meio da rua com os Srs. Doutores a rodeá-la com as capas, mas a jovem com as nalgas espetadas perfeitamente visíveis aos olhos da multidão.

 

E para este espetáculo degradante levam os estudantes as famílias com os seus banquinhos e estes ficam embevecidos a ver o cortejo passar. E eu pergunto: é isto que esta juventude tem para mostrar às gerações mais velhas como marca mais identificativa da sua própria geração? E atenção, que estes são aqueles que tiram cursos...

 

Digo-vos uma coisa: eu cá fiz muita merda nesta idade (quem não faz?), mas pelo menos tinha algum decoro e não punha os meus pais a assistir de palanque. É que não havia mesmo nexexidade! Será que já não se apanham bebedeiras, e outras coisas que tal, às escondidas dos pais, como deve ser, como manda a lei? 

 

E ainda não acabou... No meio deste cenário todo, a certa altura a minha amiga ouve alguém a seu lado, sentada no seu banquinho, a tentar justificar aquilo a uma senhora mais velha. A apreciação da minha amiga é que deveria ser uma mãe de um estudante a explicar a razoabilidade das cenas que estavam a assistir à perplexa e angustiada avó desse mesmo estudante. Dizia ela:

 

- "Mãe, isto faz-lhes bem. É assim que se fazem homens!" 

 

Cá está! Mais uma prova de que o ser humano consegue encontrar argumentos muito improváveis quando quer convencer alguém... ou convencer-se a si próprio!

 

Eu cá, que volto a lembrar que não sou antiquada nem púdica, questiono-me: de que forma é que se fazem Homens, jovens que entram em coma alcoólico e que mijam no meio da rua como os burros e as mulas perante a anuência e gáudio dos pais e restantes familiares? Eventualmente, tornar-se-ão, mas vaticino que não será certamente por fazerem estas figuras...

 

Não, repito, eu não sou antiquada nem púdica. Eu se calhar estou é a ficar velha. Velha e preocupada porque daqui a uns aninhos poderei estar eu sentada num daqueles banquinhos a assistir ao cortejo e a tentar justificar o injustificável...

 

 (E, no entanto, alguns de vocês acharão que eu sou antiquada e púdica... mas não sou! )

 

Parceria editorial? Desta é que não estava à espera!

 

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Nunca vou à caixa de correio que tenho associada a este blog. Criei-a na altura da criação do blog e serviria só para receber as suas notificações. No entanto, como no blog também temos as notificações bem visíveis, achava eu que a tal caixa era desnecessária e nunca lá ia. Por uma situação que ainda terei oportunidade de aqui contar, fui lá e encontrei, entre outras, uma missiva que não esperava mesmo nada.

 

Dei de caras com uma proposta de parceria editorial, vejam bem! 

 

Data já de setembro e a proposta apresentada pela empresa X é de, basicamente, publicar um post neste meu humilde blog sobre dicas de decoração ou outro assunto a combinar. Este post publicado no meu blog seria partilhado no Facebook da empresa X, que alegadamente conta com mais de 90.000 likes (por acaso, eu fui lá bisbilhotar e, segundo me parece, a não ser que seja possível adulterar essa informação, tem na realidade perto de 90.000). 

 

Ou seja: estava implícito no "negócio" que seria muito bom para mim, pois ganharia notoriedade ao estar associada a uma empresa aparentemente com algum peso no mercado. 

 

Mas aqui esta vossa amiga é por natureza muito desconfiada e acredita na máxima de que "quando a esmola é grande, o pobre desconfia". Tenho por hábito dissecar bem as situações e contextos antes de tomar decisões. E há aqui qualquer coisa que não faz muito sentido.

 

Senão, elucidem-me:

 

Porque é que uma empresa com tanta visibilidade iria recorrer a mim, uma pobre blogger quase desconhecida, para publicitar a sua marca (da dita empresa) no meu blog? É que a tal empresa não é propriamente de beneficência, ok?! Por isso, tem que ter algum interesse com a parceria, certo? Quer divulgar a marca, angariar potenciais clientes, como é óbvio!  

 

E seria comigo que iria consegui-lo? Algo aqui não bate certo, não concordam? Porque é que esta empresa (ou outra qualquer) haveria de querer angariar clientes através de mim, que não tenho peso nenhum por aqui?

 

Então, outra questão se me levantou: Será que eu não sou assim tão insignificante como penso? Querem ver que já não sei quem ganharia mais com a parceria?! Querem ver que eu, se quisesse, teria poder negocial aqui?  Sei lá! Nem quero saber. Fico-me pelas conjeturas... Mas uma coisa eu sei e digo: eu não nasci ontem! 

 

Ainda não respondi. Mas por princípio acredito, como o cão do cartoon, que os contributos e as contrapartidas nas parcerias (e aqui refiro-me exclusivamente às transações comerciais puras, não a outras desencadeadas por companheirismo e amizade, nomeadamente entre bloggers) não podem ser unilaterais ou altruístas. Por outro lado, procurar dividendos também poderia desvirtuar a minha participação neste mundo... É complicado. 

 

Uma coisa é certa: por estas e por outras, tenho que visitar mais a caixa de correio de agora em diante. Senão ainda me escapa uma daquelas propostas irrecusáveis... 

 

Qual é a vossa opinião sobre isto? Como decidiriam? Já vos aconteceu? 

 

 

 

 

 

De bandeja...

Celebra-se hoje, 17 de outubro, desde 2000, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

 

Os temas da pobreza, da justiça social, das diferenças de oportunidade e o facto de a escola e a educação serem (ou não) um veículo de inclusão social e atenuação das diferenças sociais são temas caros para mim. Eu própria, profissionalmente e na vida, sou fruto da escola pública. Não teria a carreira que tenho, não fosse a escola. Felizmente, nasci num contexto em que se valorizava o conhecimento, mas onde o dinheiro não abundava. Tive sorte de ter pais esclarecidos e com visão e eu própria soube dar valor à escola como meio privilegiado de ascensão social. Isto, naquele tempo, há 20 anos atrás... Hoje está cada vez mais difícil, eu sei.

 

Neste âmbito, há algo que me preocupa. Verifico que é opinião cada vez mais generalizada que as diferenças de oportunidade são inevitáveis no mundo em que vivemos, assim como vejo que a crença no exclusivo da “meritocracia” ganha cada vez mais adeptos. Conceito este que é utilizado, no fundo, para justificar que todos têm as mesmas oportunidades através do mérito pessoal, quando a questão não é assim tão linear, a meu ver. É que, segundo esta visão meritocrática, o sucesso escolar ou profissional, dependeria única e exclusivamente do esforço individual de cada um. Mas será que isto é verdade, na maioria dos casos?

 

A propósito deste assunto, partilho um trabalho de um ilustrador australiano, Toby Morris, que de forma simples, mas a meu ver brilhante, didática e até humorística, desconstrói a idéia meritocrática de que o esforço individual é suficiente para se ser bem sucedido na escola, no emprego, na vida. Chama-se no original “On a Plate”, que teve a tradução livre de “De Bandeja”. Encontrei-o neste link. Leiam a banda desenhada até ao fim! Vale a pena!

 

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Dúvidas existenciais.

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 (Créditos na imagem)

 

Há por aqui demasiada competitividade! Muitas vezes dissimulada, mas há! Às vezes sinto-me como se estivesse numa corrida com todo o tipo de atletas, desde os que se fartam de treinar e vão nos primeiros lugares, aos mandriões que "couldn't care less" (também os há!), aos que até rasteiras passam para se safarem.

 

Acredito que muitos sentirão o mesmo que eu vou relatar, deixar-se-ão dominar pelo mesmo tipo de expetativas e passarão pelas mesmas dúvidas que eu. Alguns não irão admitir nem nunca terão humildade e ombridade para falar disso abertamente e de uma forma transparente. Mas isso já são outros quinhentos... Digam o que disserem, isto é uma realidade. Aqui há competitividade, como em tudo na vida. Nem que seja connosco próprios, como é o meu caso. Às vezes desmedida e ridícula! Afinal, estamos a falar da blogosfera e não propriamente da minha carreira. Confuso? Eu explico.

 

Tem vindo a avolumar-se em mim (para além de determinadas zonas circundantes do meu próprio corpo... pfff), a preocupação sobre a relação recente que estabeleci com o blog. Sim, sinto como se tivéssemos uma relação. Estranho, não é? Mas é uma relação que, como muitas, me parece que se está a tornar pouco saudável... 

 

Vir cá, debitar qualquer coisa, tornou-se uma rotina, quase um vício, uma obsessão.  Estou convencida de que estou completamente curvada a esta atividade e que o blog, monopolizador, me retira demasiado do meu tempo livre, que por si já é reduzido.

 

Estabeleci a meta perfeitamente conciliável de fazer um post por dia, mas acho que essa decisão está a ser uma forma de tirania do blog para comigo própria. Porque é que haveria de definir metas por aqui? Também aqui, Maria??? A arte da criação, neste espaço, devia surgir ao sabor da inspiração e vontade, não ao ritmo do relógio, obedecendo a um horário definido. A gestão por objetivos e metas já eu pratico na vida real. Não quero que este espaço seja um prolongamento dessa vida que tanto stress me traz. 

 

Não sei... Acho que algo não está completamente bem neste meu comportamento dos últimos tempos. Gosto de cá vir, de interagir com os outros, mas não gosto de ter interesse excessivo no número de visualizações que acumulei desde a última vez ou no número de comentários que tenho ou nas curvas de performance (desempenho, vá! Eu e os estrangeirismos...) das estatísticas e não gosto mesmo nada de ficar dececionada porque achava que tinha um post tão maneirinho e o Sapo não destacou. Só para terem uma ideia mais aproximada, dei por mim a obrigar-me a visitar e/ou ler e/ou comentar "on a daily basis" todos os blogs que sigo (em muitos casos não obtendo do outro lado a mesma reciprocidade, pois claro, que as pessoas têm mais o que fazer, nomeadamente olhar só para o seu umbigo blog). Dei por mim a anotar diariamente os números da evolução do blog no Blogs de Portugal e a ficar triste nos dias em que estagnava. O que é isto? É subverter perfeitamente o objetivo inicial para uma pessoa que só se queria divertir, desabafar. Definitivamente, não estou cá para competir nem para ser dominada por isto ou viver disto! 

 

Acho que tenho que impor mais "conta, peso e medida" a esta atividade. Pelo menos libertar-me das amarras das malditas expetativas. Senão, vou sentir como se isto fosse outro emprego e perde a graça toda. 

 

É fim-de-semana! É altura de VIVER! Vivendo fica muito mais fácil criar aqui conteúdo espontâneo, daquele que não é tirado com forceps.

 

Bom fim-de-semana!  "Advirtam-se"! 

 

 

 

Mais um post para ficar escondido na gaveta?

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 (Cartoon Grizzly studio)

 

Sou uma blogger muito "suis generis" (singular, vá!). Apesar de obviamente não ser um exclusivo meu, sofro exageradamente de um mal que tolhe a criatividade a qualquer blogger ou aspirante a blogger ou espécie de blogger:

 

A maldita da autocensura!

A mesma besta que sempre me perseguiu na vida, acompanhou-me para aqui qual sombra. Tenho uma enorme insegurança e indecisão em relação ao que posso, devo, quero, escrever e partilhar por aqui. Apesar de o cartoon não ilustrar na perfeição a minha situação, uma vez que nem são as pessoas próximas que lêem o que escrevo porque não sabem do estaminé, continuo mesmo assim a ponderar, filtrar tudo o que vos trago. Porquê? Por consideração e estima a todos os que me seguem e porque acho que não merecem que eu despeje por aqui o meu lixo emocional e mental. E atenção que eu tenho sempre muito lixo para despejar. O lixo que trago (haverá certamente algum!) é trazido inadvertidamente.

 

Mas voltando à besta: este cuidado, este filtro constante, traz-me muitos dissabores. Só eu é que sei o que sofro com isto! Pobre de mim!

 

É ela que faz com que faça e refaça, escreva e reescreva, por vezes o mesmo post. De cada vez que leio alguma coisa que escrevi, encontro defeitos e razões mil para alterar coisas. O pior é que às vezes isto acontece depois da publicação e, por isso, não é de admirar lerem qualquer coisa desta vizinha e quando voltarem a ler pensarem que é outro post qualquer. Garanto que não é esquizofrenia nem bipolaridade, ok?

 

É ela que me faz manter vários posts na gaveta, para nunca publicar. O efeito pretendido é alcançado porque ao escrevê-lo desbobino o que me dá na real gana, e fico aliviada. Mas fica fechado para ninguém ver. E, sei lá!, às vezes poderia ter interesse para alguém... Há gostos para tudo...

 

É ela que me impede de gritar bem alto meia dúzia de palavrões (neste caso, leia-se escrever em caps lock). É verdade: não costumam ver por aqui nem alhos nem aquelas palavras começadas por F e P (lá estou eu!), mas se eu as escrevesse todas as vezes que me apetece, acho que era banida da comunidade. No mínimo pensariam que cresci e fui criada numa casa de hábitos duvidosos, o que não é verdade, que eu até cresci a ser obrigada a ir à missa ao domingo, porra! 

 

É ela que me impede de alertar outrem para alguns erros ortográficos que me fazem eriçar os pelos das pernas. Sim, estou subliminarmente a assumir que neste momento não tenho a depilação feita, mas convenhamos, a época que iniciou é mais propícia ao desleixo e como não sou nada que se pareça com um macaco e este até deverá ser para a gaveta, who gives a fuck? 

Cá está outra vez! Mesmo indo para a gaveta, sai o palavrão em inglês. E bem que senti formigas nos dedos para escrever "que se foda", mas não consegui... 

Voltando aos erros ortográficos: sim, admito que tenho um problema com isso. Sou uma nazi da gramática! Para mim, não é assunto de somenos importância e algo quase quase me impele muitas vezes a corrigir erros com ferocidade quase animal, mas contenho-me. E esta é uma sensação tão má que só deverá ser comparável à de quando se está à beira do orgasmo mas ... ups .... Queriam erotismo, né? Sexta-feira e tal, há todo um ambiente propício, uma disposição natural, né? Pois, mas eu pratico a autocensura, lembram-se? 

 

É ela que me acorrenta o discurso não me permitindo tecer algumas considerações sobre quem se arroga de conhecedor-mor destas lides dos blogs e que, com total ausência de autocrítica e humildade, classifica os outros disto e daquilo qual Bobone da etiqueta blogueira ou psicanalista barata, que mais não é do que inveja dissimulada; ou a quem, não sabendo patavina de determinado assunto, tenta menorizar quem é capaz de sobre ele escrever meia dúzia de ideias encadeadas. Tipo: "Todos estão a falar disto ou gostam daquilo, mas eu sou muito à frente e sou diferente e não falo ou não gosto ou é tudo ao contrário, porque eu sou muito mais esperto", quando a realidade é que não sabe que merda ha de dizer sobre o assunto, a não ser que plagiasse alguma coisa encontrada arbitrariamente num qualquer sítio da internet, porque cultura geral não é definitivamente o seu forte. Ufa! E disse merda! Que evolução!

 

E muito mais haveria para dizer, mas o mais certo é agora a seguir ler e nada me soar bem. Refaço? Não refaço? Publico? Não publico? 

 

PS: Li, reli, refiz qualquer coisita e publico. Fuck it! (em Inglês, pois claro!) Este afinal não fica na gaveta. A ver se começo a conseguir fintar a besta... 

 

Estarão os tempos a mudar, Bob?

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 (Getty Images)

 

Percebi bem? O Bob Dylan é Nobel da Literatura?

Uau! Acho bem. Já era tempo de também se valorizar a arte de jogar com as palavras na música! Merecidíssimo, no género! Como cantor "stinks", mas convenhamos que também não é um mero escritor de letras de canções. É um poeta!

 

Parabéns! Estarão os tempos a mudar, Bob? 

 

Deixo a letra da canção que foi, como disse a Joan Baez (outro ícone da música), "a melhor porta-voz de uma geração". Poema atualíssimo hoje também, após esta notícia. 

 

The times they are a-changin'

 

Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall

 

For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin(g)'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'.

 

 

Carta aberta à vizinhança.

 Cara vizinhança do Sapo e arredores:

 

É impressão minha, ou a moda que infesta o Facebook de mandar indiretas (daquelas que nunca acertam o alvo ou acertam em vários porque a carapuça pode assentar a qualquer um e, muitas vezes, até acontece que a quem se dirige é que não chega porque essa pessoa está mas é a cagar para a opinião de alegados invejosos e ressabiados...), a moda de mandar indiretas, dizia eu, e de fazer moralismo bacoco sobre os comportamentos dos outros, alastrou-se à blogosfera? Ou já é tradição antiga? Elucidem-me, que eu gosto de saber com quantas linhas me coso.

 

Não tenho visto isso propriamente nos vizinhos mais próximos (vocês!), mas que os críticos compulsivos andam aí, lá isso andam! Que raio! Às vezes até criticam quem critica, ou seja, fazem críticas a si próprios. Será falta de discernimento, falta de assunto ou regra blogueira? Para me sentir inserida na comunidade, tenho que passar por esta etapa? Então, pronto: aqui têm este post/carta. Eu a criticar quem critica. Que tal? Mas garanto que será o último e foi mesmo porque tenho um problema de regurgitação do pensamento reflexivo: não consigo evitar uns refluxos e umas golfadas em sequência das minhas indignações. Can't keep my mouth shut!, digamos... (Fica sempre bem umas tiradas em inglês...)  

 

Não havia "nexexidade", como dizia o outro... Deixemo-nos de m&$das! O que é que me interessa a mim que me dêem a vossa perspetiva pessoal crítica sobre o vizinho A, B ou C anunciar a nova estação ou fazer ver a sua alegria por ser sexta-feira ou repetir e copiar o assunto X ou Y, tudo assuntos que vocês ao abordar, lá está, acabam também por abordar e passam também a ser alvos das próprias críticas? Chegaram lá? Como vêem trago aqui um assunto altamente complexo e pertinente. É ou não?

 

Meus amigos, hoje em dia já ninguém inventa nada! Nem mesmo os blogs in do pedaço, lamento dizê-lo com toda a frontalidade. Já está tudo inventado!  Além disso, cada um faz com o seu espaço o que bem entender! Há lugar para todos! Quem somos nós para criticar o que quer que seja? E outra coisa: há mais vida para além dos blogs (e, já agora, para além do vosso umbigo!)! Esta faceta das nossas vidas é, em alguns casos, a meu ver, nitidamente sobrevalorizada, não será? O melhor será cada um de nós olhar em volta e ver se não estamos a perder alguma coisa importante na nossa vida na sequência dessa sobrevalorização... 

 

Quero a propósito deste assunto aqui lembrar uma máxima de uma velhinha que sabia as coisas da vida, com aquela sabedoria popular que já é rara nos nossos dias. Dizia ela: "Nós só semos (sim, "SEMOS"!) aquilo que semos. Não semos o que pensemos." Paremos para pensar nisto. Dêmos-lhe ouvidos e contrariemos então os nossos egos, que só lhes fica mal - aos egos - tanta arrogância e sobranceria, ok? 

 

PEACE AND LOVE, my friends! E assuntos de interesse, se faxavor! Até leio de bom grado a opinião de cada um sobre a relação entre Física Quântica e espiritualidade ou sobre o estado da economia mundial. Se tiver que ser, seja... Argh!!!  Ou simplesmente episódios engraçados das nossas vidas ou conselhos práticos. Isso sim! Não estou é para perder o meu precioso tempo a ler considerações morais sobre os outros. Quero conhecer a vizinhança, não o que uns vizinhos pensam dos vizinhos do lado. E, se não tivermos nada de interessante para dizer sobre nós ou para ensinar aos outros (acontece aos melhores!), não nos caem os parentes na lama se nos calarmos um bocado e "ouvirmos" o que os vizinhos têm para dar a conhecer sobre si próprios. Mesmo que não concordemos com a forma como varrem o seu quintal ou não separam o lixo nos caixotes. Sim? 

 

Mas isto é só uma novata por estas bandas a falar... Sei que esta abordagem poderá parecer um bocado rude, mas, que se lixe!, já não tenho idade para ter pudor em dizer o que penso. E por essa mesma razão desandarei daqui pra fora, se começar a ver que isto se torna "tóxico" na minha vida. Toxicidade, não! Já tenho/tive a minha dose... Quero é rir-me e aprender qualquer coisa com todos os que encontro, como tão bem já me têm provado saber fazer.

 

Os que tiveram pachorra para ler as minhas humildes palavras, agora sintam-se à vontade para fazer o gosto ao dedo. Desboquem-se sem dó nem piedade. Sem censura, mas também sem ofensas, como eu gosto! Também não espero outra coisa. Agradecida! 

 

Beijos e abraços,  

Maria.

 

 

PS:

Reparem que me incluo também como objeto da reflexão. Não é necessário lembrar-me, que eu tenho consciência disso, ok? Sou sujeito e objeto da reflexão, portanto também contra mim falo e de futuro pretendo seguir o meu próprio conselho.

Acho que não me safo de vir a ser um caso de estudo de um qualquer estudante de psicologia... ou mesmo psiquiatria...  

 

Era para falar sobre as férias...

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Hoje dediquei o dia à "Sra. Inércia". São poucas as vezes em que eu e ela convivemos e já era altura de a receber cá em casa (apesar de não me faltar o que fazer, nomeadamente lavar o frigorífico que ficou por lavar aquando das limpezas grandes de há algumas semanas! Também não será hoje. Que se lixe!). Adiante... Estou então aqui por casa a organizar pastas com fotos das férias e ocorreu-me que talvez pudesse publicar aqui qualquer coisita sobre as nossas férias, já que devo ser a "blogger" menos assídua e dedicada cá do sítio. Fá-lo-ei certamente, mas não é agora. Ups! Lá estou eu! Este post seria exatamente sobre as férias, mas tenho uma mente errática, uma cabeça com esta mania de encadear pensamentos uns nos outros e, quando me apercebo, já estou noutra dimensão qualquer. Agora divagou para a própria tarefa que me propunha fazer, o ato de escrever o tal post. Enfim, não é fácil ser eu!... 

 

Hoje então, duas notas sobre esta "arte" de blogar (é assim que se diz?). Pode ser que haja por aí alguma alma com insónias logo à noite, que passe por aqui e tenha o problema resolvido. Estamos cá para ajudar!  Se não for a transmitir pensamentos e reflexões motivadores e inspiracionais, pelo menos que consiga inspirar o sono de alguém.  É este, então, o meu contributo de hoje. 

 

Qual é o meu lugar na blogosfera? Como é que eu blogo? Assumidamente, sou verde e amadoríssima nisto dos blogs. E muito honestamente, não pretendo mudar. Possivelmente nem conseguiria, a não ser que largasse o meu emprego e me dedicasse a 100% à arte. Sim, porque é uma arte e eu, manifestamente, não a domino! E também não tenho pretensões, lá está! Como preciso de acabar de criar dois filhos, está obviamente fora de questão iludir-me com este mundo. Além disso, considero que quando se fica obcecado em ser popular neste espaço virtual e fazer disto negócio, salta à vista (pelo menos às mais perspicazes como a minha, modéstia à parte) que os autores sentem a necessidade de fabricar conteúdo e eu não consigo deixar de sentir artificialidade nessas publicações. Torna-se tão evidente para mim que as vidas dessas pessoas soam a falso, a guião de um qualquer filme de qualidade duvidosa. Não há nada mais bonito do que a autenticidade... nos blogs e na vida, diz esta vossa amiga. 

 

Enfim, já percebi que "blogger" que se preze tem que relatar as suas férias em destinos paradisíacos e/ou destinos só acessíveis a bolsos mais recheados, mas que normalmente até terão sido oferecidos por uma qualquer marca, em troca de publicidade. OK! Depois é documentá-las (as férias) com umas fotos irreprensíveis, imaculadas e apelativas. Em alguns casos, tal é a qualidade das fotos e da produção (chega a parecer tratar-se de uma produção fotográfica de moda!) que até me dá a impressão que essas famílias prescindem dos momentos a ser vividos exclusivamente em família e levam atrelados para as suas férias um fotógrafo profissional para captar imagens e momentos. Pretendem ser captações de momentos de espontaneidade na fruição do tempo de descanso em família, mas que a mim, lamento, soam-me a cenas montadas e artificiais, a obrigações, a cumprimento de horários seja para captar aquela luminosidade certa ou para conseguir fotografar sem uma imensidão de gente à volta na praia.  E eu gosto tanto de férias sem horários e obrigações!...

 

Chega por hoje. Quanto às minhas/nossas férias? Euzinha, senhora do meu amadorismo, brevemente publicarei qualquer coisa neste cantinho. Um dia destes, sem pressas... Férias normais, de uma família portuguesa típica como tantas outras, que carrega cadeiras, toalhas, guarda-sóis e farnel para a praia. Basicamente, só faltará o garrafão de vinho! 

 

Beijos,

Maria M.

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