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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

E agora mais um conflito.

Passaria pela cabeça de algum de nós, há uns anos atrás, não cumprir com um compromisso que tivéssemos firmado com o nosso pai/mãe como contrapartida para termos o que queríamos? Obter o benefício e não fazer a nossa parte e simplesmente justificarmos que nos esquecemos? Eu não faria isso certamente, acagaçada que o meu pai me chegasse a roupa ao pelo. 

 

Para mim, isto acontecer não é uma coisa qualquer. Significa não sermos confiáveis, honestos. Para mim é pior do que se um filho me mandasse à merda, porque na realidade é isso que faz quando não obedece a uma ordem minha, ainda por cima negociada. Se calhar sou só fundamentalista no papel de mãe... Levo tudo muito a sério, diz o M e eu sei que é verdade. Mas, caramba, estamos a formar as pessoas mais importantes das nossas vidas, a nossa melhor obra-prima. Qual é o escultor que não quer esculpir a obra perfeita? 

 

E agora? Agora, mais um conflito! É a história recente da minha vida. Conflitos atrás de conflitos. Educar devia ser algo pacífico, mas não é. Só é pacífico quando na verdade se desiste de verdadeiramente educar, quando se escolhe não ver que os adolescentes são pródigos em agir como bestas inconsequentes, egoístas e egocêntricas. Educar dá trabalho e é uma maçada.

 

Bem, mas como eu gosto de sofrer (deve ser isso, porque educar implica sempre uma certa dose de masoquismo), nos próximos dias teremos uma filha com o site das séries que gosta de ver bloqueado no pc e a loiça por sua conta, que era o trabalho de dois minutos que ela tinha que fazer para ver a tal série (teria sido tão fácil cumprir...), ontem à noite enquanto esperava pela hora da festa a que iria porque, note-se, não quis ir connosco e com o irmão ao convívio de que vos falei ontem

 

Sei que ser adolescente não é fácil, mas ser mãe de adolescente também não é e hoje a esta mãe só lhe apetece chamar-lhes bestas. Hoje esta mãe não consegue, nem quer, dourar a pílula da maternidade, lamento. 

 

5 comentários

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    Maria Mocha 12.11.2016

    Estou maravilhada com o que escreveste, Mula! Permite-me que cite esta parte:

    "Por isso, acho que estás a ser muito boa mãe, ainda que por vezes ela vá sentir que não e te possa dizer "quando eu for mãe nunca vou ser assim!" Vai pois... vamos todos ser aquilo que não queríamos que a nossa mãe fosse connosco, já dizia o Miguel Araújo "vais ser mais D. Laura do que ela!"

    Se soubesses a quantidade de vezes que já ouvi isso da boca dos meus filhos!!! Acham que, ao contrário de mim, vão deixar os filhos fazer (ou não fazer) tudo. Ingénuos...
    Adoro as músicas do Miguel Araújo, e essa em particular. É tão verdade. acabamos sempre por ser parecidas com a nossa mãe. E eu já disse isso à minha filha muitas vezes.
    Obrigada. Beijinhos.
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    Mula 12.11.2016

    Sabes que a psicologia dá conta da existência de ódio, sim, leste bem, do ódio aos pais. Da vergonha dos pais. Todos passam por isso, e sei que doi muito ouvir o que eles dizem, mas... faz parte ser assim, o melhor é fazer ouvidos moucos. Faz parte da idade não compreender, e não querer compreender. Eu em casa tive uma educação relativamente rígida, por vezes até demais. Sempre fui boa menina, mas fui uma adolescente complicada. Ainda hoje sei que em algumas coisas tive razão, que noutras - na maioria das vezes - nem tanto. O problema é que os adolescentes não sabem dar o verdadeiro valor aos pais... Mas um dia, um dia vão chegar lá... E só aí é que vão compreender. Eu tenho perfeita noção que vou ser tão ou mais mãe galinha que a minha mãe... Que apesar de tudo a minha mãe deixava-me aos 11 anos dormir em casa de amigas e não sei se eu iriei conseguir deixar, por exemplo xD ahahahahah
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    Maria Mocha 12.11.2016

    Engraçado pores as coisas tão a cru, pores o dedo na ferida... Mas é verdade o que dizes. Também eu fui boa menina, mas momentos houve em que tive ódio, em que discordei da educação dos meus pais, em que tive até vergonha deles. Faz parte. Tenho que me lembrar disso mais vezes, sempre que vir esses sentimentos agora nos meus filhos.
    Olha que eu até não sou assim tanto galinácea: deixo-os dormir em casa de amigos, deixo-os sair à noite esporadicamente (o que eu dizia que nunca permitiria aos 14 anos!). Enfim, nós adaptamo-nos aos tempos e às circunstâncias.
    Beijinhos.
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    Mula 12.11.2016

    Por isso te disse, sou educadora, não sou mãe, os pais têm muitos mais sentimentos envolvidos que os educadores e tendem a ver as coisas de um modo mais romantizado, porque se nos dizem "eu não quero ser assim" nós ficamos obviamente magoados, tomamos aquilo como pessoal... Não há como ser diferente. É mais fácil um educador mandar uma criança para o castigo, do que a um pai ou uma mãe. Porque com os pais as crianças podem fazer a chantagem emocional, os olhinhos de carneiro mal morto e obviamente os pais derretem-se e o sentimento de cumprir o que é devido - o castigo - ameniza. E muitas das vezes o que é que acontece? "pronto, está bem, mas se voltares fazer isso, bla bla bla... " a criança ganha terreno... e aprende que existem formas de contornar os castigos...

    Verdade! Desejo ter esse estômago para me adaptar... mas vejo o mundo tão perigoso, que acho que no meu tempo não o era... (ou talvez fosse só mais inocente e não o via) que me dá tanto medo de ter filhos... que acho que quando os tiver vou ter tendência a querer protege-los de tudo e de todos, e nunca os podemos proteger de tudo!

    Boa sorte Maria!
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