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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

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Tiradas familiares #8 (B - memória seletiva)

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Filha, hoje ao almoço: "Sabiam que hoje só nos lembramos de 40% do que se passou ontem?"

 

Não, não sabia. Longe vai o tempo em que os ensinamentos cá em casa eram dados num só sentido...

Fiquei, portanto, a saber que, quando digo que tenho memória seletiva, é mesmo verdade! Pelos vistos, todos temos. O meu problema é que, por vezes, seleciono mal o conteúdo daqueles 40%... Mas isso já é outra estória...  

 

 

 

Pediram-me o nome da minha mãe...

 

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Perdi a minha mãe em fevereiro último, inesperadamente.

Perder a mãe deixa um vazio enorme, uma angústia tremenda. A vida segue o seu rumo mas, volta e meia, a tristeza invade os nossos corações. A forma como tenho lidado com essa tristeza tem sido procurando sentir a presença dela no meu dia-a-dia. Foi por isso que espalhei fotos dela pela casa. É assim que lhe dou todos aqueles beijos que ficaram por dar enquanto ela estava entre nós. É assim que lhe digo todos os dias o quanto gosto dela. Eu dei-lhe muitos beijos, que eu sou bastante beijoqueira, e mimos também, os possíveis por vivermos distantes. Mas a quem perde entes queridos, penso que é inevitável que fique a sensação de que foram poucos os beijos que demos, de que foi insuficiente o carinho que lhes dedicámos.  

 

Hoje pediram-me o nome da minha mãe para preenchimento de uns documentos necessários no trabalho. Surpreendi-me. Já não me lembro da última vez em que o nome da minha mãe me foi solicitado. E poderá parecer estranho, mas senti um consolo tão grande, senti-me tão feliz por escrever o nome da minha mãe. Uma felicidade inexplicável, irracional. Parecia que, por momentos, ela voltou a fazer parte da minha vida, adquirindo uma presença quase física. Foi como um abraço que lhe tivesse dado. Nem sei bem explicar o que senti... O meu coração até disparou. E percebi, melhor, confirmei: ela ainda é, e será sempre, a minha mãe querida. Não está cá mas para sempre estará escrito o vínculo que temos, é uma referência na minha identificação. Logo, a minha identidade estará para sempre ligada a ela, uma ligação de sangue atestada em documentos palpáveis e oficiais. Que orgulho senti em escrever o nome da minha mãe! Oxalá me solicitem muitas vezes o nome da minha mãe... 

 

Coisas bizarras de uma cabeça muito particular... A minha...

Como a minha mãe dizia, meio a brincar meio a sério, numa alusão à relação que acreditava existir entre o mês de nascimento e a sanidade mental das pessoas: "És de Maio. Só podes ter uma faltinha..." (significando maluca, get it?! )

 

Mãe querida, pois tenho. Tenho mesmo, muitas! Mas a minha maior falta hoje és tu! 

Tiradas familiares #6 (B - Medir as palavras)

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Filha: "No fim-de-semana há um festival de música em...  Os nossos amigos X, Y e Z vão e nós também queremos ir. São 15€ cada um."

 

Mãe: "E quem vai atuar?"

 

Filha: "A banda tal, o DJ coiso..."

 

Mãe: "Mas isso não tem jeito nenhum! Querem pagar 30€ para ver isso?"

 

Filha: "Ó mãe, a gente também não vai lá para ver os concertos. Vamos é conviver com os amigos!"

 

Mãe: "Então, isso podem fazer em qualquer lado. Não precisam pagar para o fazer."

 

Filha: "Não, afinal queremos ver os concertos, queremos!" E entredentes, num esgar de desdém, revirando os olhos: "Já me esquecia que contigo temos que medir as palavras..."

 

Espertalhona!

 

Chama-se a isto:

  • Capacidade de adaptação rápida às circunstâncias, jogo de cintura, inteligência emocional

         ou

  • "Troca-tintice" descarada? 

 

 Deixo ou não deixo? 

 

Tiradas familiares #4 (B - Super-mulher)

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Eu, no final do dia de ontem, tão gira, acabada de sair da cabeleireira, cabelo com um brilho esvoaçante, com umas calças brancas e uma camisola estampada com uma estrela a fazer "pendant", para sair com o M....

 

Isto, segundo os meus critérios, claro.  É que os critérios de uma filha adolescente são exigentíssimos.

 

Filha: "Ó mãe, vais sair assim à rua? Pareces a Super-mulher!"

 

E pronto, fiquem a saber que, pelos vistos, ontem à noite eu saí com o M. disfarçada de Super-mulher (ou Mulher-maravilha ou lá o que é). E não é que não me podia assentar melhor esse traje!?...

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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