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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

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Ainda sobre o dia de ontem...

As mamas estão mesmo porreiras, pá!!! Muito obrigada por todos os vossos pensamentos positivos, pelas vossas palavras amigas num dia que é sempre muito complicado para mim. 

 

Acredito que esteja desculpada de ter vindo ontem tão tarde anunciar o desfecho positivo dos exames. Estive a gozar o prato. Eu e o M (ele nunca me falta nestas alturas), depois dos exames, fomos passear nos jardins de Belém. Estivémos por lá um bocado. Foi o suficiente para, ao observar os pequenos grupos de pessoas sentados nos bancos e na relva a desfrutar da natureza, perceber que me falta aquilo. Raio de vida estúpida a que levamos, que nem sequer temos tempo para gozar momentos de descontração, destes, com a natureza como pano de fundo. Só corremos, trabalhamos, vivemos ansiosos e, sem darmos conta, a vida passou-nos ao lado. Que inveja daqueles que conseguem levar uma vida mais calma em comunhão com a natureza...

 

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Bem, mas o intuito que nos levou a Belém foi mesmo o belo do pastel. Um mimo depois de um dia difícil. E que bem que soube, depois de toda a ansiedade das horas anteriores!

 

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Ganhei mais um ano! Como dizia ontem alguém, caminho para sete anos depois do prazo expirado. 

 

Não sei se na altura leram, mas já deixei claro aqui o quanto confio no médico que me avalia as mamas anualmente. Confio, admiro-o e estou-lhe eternamente grata. Foi ele que me disse sem rodeios que eu tinha cancro e foi ele que aconselhou o tratamento neoadjuvante que eu deveria fazer antes da cirurgia para poupar a mama, que eu segui escrupulosamente, tendo tudo corrido conforme previsto, tanto que hoje quase nem se nota a cicatriz. 

 

Perguntou-me como tenho andado. Pergunta sempre. Ontem confidenciei-lhe que tenho andado muito ansiosa ultimamente e ele surpreendeu-me com uma resposta que eu não esperava. 

"Mas você é tão forte! Como é que anda assim?"

"Como é que o doutor sabe que eu sou forte?"

"Então você, durante os tratamentos de quimioterapia, nem sequer deixou de trabalhar..."

 

Como é que ele se lembrava disto, seis anos volvidos e com tantas pacientes que lhe entram no consultório? Talvez fosse tão simplesmente uma anotação que ele tivesse na minha ficha e que tivesse lido antes de entrar no consultório, mas eu fiquei com o coração a transbordar (ainda mais) de carinho por aquele médico. Escolhi acreditar que ele se lembrava da minha história tão parecida com tantas outras histórias. Escolho acreditar que ele é um exemplo da humanização que se quer na relação médico-paciente. Sim, tenho a certeza de que ele se lembrava!

 

 

Quarta-feira de cinzas e de renascimento.

Sobre o dia de hoje:

 

É quarta-feira de cinzas (é assim que se chama, não é?) e, como tal, terminou a autorização para as grandes manifestações de alegria, porque começa a quaresma com toda aquela tradição religiosa que felizmente vai caindo em desuso. Eu ainda sou do tempo em que, na minha terra, na quaresma, não se podia, por exemplo, comer carne hoje e nas sextas-feiras seguintes, que antecedem a Páscoa, tradição que na minha casa se cumpriu escrupulosamente, até determinada altura. Depois começámos a perceber que quem pagava ao padre, à igreja, o podia fazer (comer carne, entenda-se). Ou seja, podia-se comprar o pecado. Pecava-se, mas reservava-se na mesma um lugar no céu com a dízima. Não sei se entretanto as regras mudaram ou se foi de nossa iniciativa, o que é certo é que, lá em casa, deixámos de ligar à imposição de jejuar mas nunca pagámos nada a ninguém. Cá está uma daquelas coisas que afasta fiéis... se o povo puxar um bocadinho pela cabeça. 

 

Àparte as questões religiosas, hoje é mesmo quarta-feira sem riso e alegria, para mim, pelo menos até mais logo. É dia de ir fazer a mamografia anual e ficar a saber se ganhei mais um ano. Não se choquem. É mesmo assim. Depois de se ter cancro, contamos os anos daquilo a que os médicos chamam de sobrevida. Eu já conto seis. Este é sempre, como se adivinha, um dia de grande nervosismo e ansiedade. Desejem-me sorte.

 

Hoje inicia-se também aquele mês que marca para mim o início do florescimento pessoal, em que me começo a encher de vitalidade. Março da Primavera, março também da minha primeira incursão na maternidade. Como as flores do campo que começam agora a despontar nas bermas e valados dos nossos caminhos, também eu hoje posso ser fénix renascida das cinzas desta quarta-feira. Se tudo estiver bem mais logo, a partir de agora tudo só pode melhorar.  Acredito! 

 

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 (Imagem: Pinterest)

 

 

 

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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