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M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

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Tiradas familiares #12 (B/E - O banho)

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Esta tirada poderia ter acontecido com qualquer um dos meus filhos, e efetivamente, cada qual com as suas especificidades, mas têm sido sempre muito parecidos no que diz respeito ao banho. Mas desta vez passou-se com ele.

 

Filho (à tarde, antes de uma festa): "Vou tomar banho!"

Mãe: "Outra vez? Ainda tomaste há bocado!"

Filho: "Sim, mas agora tomo outra vez para ir a cheirar bem..."

 

O curioso disto tudo é que estamos a falar de pessoinhas que, até há bem pouco tempo, reclamavam sempre que tinham que tomar banho e que não tinham a higiene pessoal como uma prioridade! Foram do 8 para o 80! Nada que eu não estivesse à espera, já que tinha tido os testemunhos de amigas com filhos mais velhos que me diziam que todos passavam por estas fases. 

 

 

 

Tiradas familiares #11 (E - Depilação)

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Ontem, assim a frio, sem aviso:

 

Filho: "Mãe, todos os meus amigos fazem a depilação. Eu não posso ser o único a não fazer."

Eu: "Depilação? Não penses nisso! Isso não tem jeito nenhum. Os homens não precisam de se depilar."

Filho: "Mas TODOS se depilam. Até o X."

Eu (quando faltam argumentos): "Mas esse é tão peludo que parece um macaco. Tem mesmo que se depilar!"  

 

O que é certo é que estou acagaçada que o gajo insista em se depilar todo como um daqueles metrossexuais com sobrancelhas arranjadas e tudo. Ai, as sobrancelhas, então!... Até tenho pesadelos com isso! Meu rico filho! 

 

 

Tiradas familiares #10 (E - Popularidade)


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Afirmação repetida inúmeras vezes, em vários contextos, pelo filho: "Todos me conhecem e eu conheço toda a gente lá na escola. Todos gostam de mim! Sou mesmo social!"

 

E é isto! 

 

Comentário:

 

E não é que me parece que é mesmo verdade... É mesmo popular, o gajo!

 

Lembrar-me-ei sempre daquele dia em que estava à espera dele e da irmã ao pé da escola, para os levar para casa, no final de um dia de aulas. Perto estava um grupo de quatro ou cinco adolescentes (rapazes e raparigas) a conversar. Não pude evitar ouvi-los e claro que as conversas, infelizmente, eram as típicas de uma geração (não todos, mas seguramente a maioria) que não diz nada de jeito e a forma como adorna o seu discurso é com recurso sistemático a gíria e calão.

 

Foi exatamente por causa do calão com fartura que a certa altura, percebendo que eu podia ouvir o que diziam, sussurra um: "Chiu! Vê lá o que dizes. Está ali a mãe do ... (Acho graça, porque ele é conhecido pelo apelido de família e não pelo primeiro nome - uma tendência que surgiu dentro das quatro linhas, no futebol).

 

Ou seja: eu não era eu, nem a mãe da minha filha que frequenta a mesma escola, nem a mulher do M (que todos conhecem cá no burgo devido à notoriedade que advém da sua ocupação).  Não! O que obrigaria aqueles jovens a filtrar o discurso seria o facto de estar ali não eu, mas a mãe do meu filho. Vejam bem! 

 

Como o tempo passa! O meu caçula parece já ter encontrado o seu lugar na comunidade. E o meu, pelos vistos, é ser mãe dele... 

 

 

Tiradas familiares #9 (B - Promessas de campanha)

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Diálogo tido à hora de almoço entre o pai e a filha, a propósito de ela fazer parte de uma lista para a Associação de Estudantes da escola:

 

B: "Tenho uma reunião da lista hoje. Vamos combinar que pessoa do Secret Story vamos tentar trazer cá e isso assim..."

 

M: "Não façam isso. Isso não tem jeito nenhum. Vocês têm é que apresentar propostas de medidas que os alunos queiram para a escola."

 

B: "Ó pai! Não é nada assim! Os alunos querem é música nos intervalos e ofertas como doces, pessoas famosas a visitar a escola e coisas dessas. Promessas todas as listas fazem, mas toda a gente sabe que não é para cumprir!"

 

E é isto... Tanta confiança na política por parte da nossa juventude! 

 

Tiradas familiares #8 (B - memória seletiva)

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Filha, hoje ao almoço: "Sabiam que hoje só nos lembramos de 40% do que se passou ontem?"

 

Não, não sabia. Longe vai o tempo em que os ensinamentos cá em casa eram dados num só sentido...

Fiquei, portanto, a saber que, quando digo que tenho memória seletiva, é mesmo verdade! Pelos vistos, todos temos. O meu problema é que, por vezes, seleciono mal o conteúdo daqueles 40%... Mas isso já é outra estória...  

 

 

 

Tiradas familiares #7 (E - A importância do telemóvel)

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Um aviso:

Não, não se ponham a adivinhar o que aí vem. Como dizem os ingleses, "you wouldn't see this coming..."

 

Situação:

 

Os filhos vão a um concerto, aquele de que falava aqui. (Sim, afinal foram...

 

A mãe, precavida: "Filho, não leves o telemóvel. Ainda o perdes." (A irmã levava o dela na sua mala, por isso havia forma de nos contactarmos, caso fosse necessário)

 

Resposta do filho: "Ó mãe, tenho que levar. O telemóvel é importante para quando não queremos estabelecer contacto humano!"

 

Olha para o gajo! Já conhece a manha! 

 

Realmente, temos aqui um paradoxo interessante: um instrumento que foi inventado para aproximar as pessoas, hoje pode ser usado para as afastar... 

Tiradas familiares #6 (B - Medir as palavras)

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Filha: "No fim-de-semana há um festival de música em...  Os nossos amigos X, Y e Z vão e nós também queremos ir. São 15€ cada um."

 

Mãe: "E quem vai atuar?"

 

Filha: "A banda tal, o DJ coiso..."

 

Mãe: "Mas isso não tem jeito nenhum! Querem pagar 30€ para ver isso?"

 

Filha: "Ó mãe, a gente também não vai lá para ver os concertos. Vamos é conviver com os amigos!"

 

Mãe: "Então, isso podem fazer em qualquer lado. Não precisam pagar para o fazer."

 

Filha: "Não, afinal queremos ver os concertos, queremos!" E entredentes, num esgar de desdém, revirando os olhos: "Já me esquecia que contigo temos que medir as palavras..."

 

Espertalhona!

 

Chama-se a isto:

  • Capacidade de adaptação rápida às circunstâncias, jogo de cintura, inteligência emocional

         ou

  • "Troca-tintice" descarada? 

 

 Deixo ou não deixo? 

 

Tiradas familiares #5 (B/E - Deveria ser considerado crime!)

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Enquadramento:

 

Os dois filhos há um dia de castigo. 24 horas de sofrimento atroz! 

Razão: ontem a mãe chegou a casa no final de um dia de merda (podia dizer de cão, mas até esses têm dias melhores), cansada, e encontrou a casa de pernas para o ar pela enésima vez. Desde camas por fazer, a janelas todas escancaradas, a loiça de todas as refeições do dia e os restos da comida em cima da mesa da cozinha, roupa e lixo espalhados, "you name it"! Todas elas visões de cenários que conferiam à nossa casa as características mais de uma pocilga do que propriamente de um lar de uma família minimamente asseada. 

 

Resultado: ralhete seguido de castigo. Arrependimento? Pouco ou nenhum!

 

O castigo: ficar em casa durante o dia de hoje e nada de telemóveis, playstation e pc. E assim se passou o dia de hoje, com um ou dois telefonemas a comunicar que já deveriam ter acesso aos "gadgets" todos porque já tinham feito a cama e preparado os livros para o início das aulas. Temos pena, mas o castigo é consequência do que não fizeram ontem, por isso não pode ser aliviado só porque cumpriram hoje a vossa obrigação. Em educação parental (pelo menos segundo o meu conceito) requere-se observância de três coisas: arrependimento, assimilação e continuidade. Não observei nenhuma de forma consistente!

 

Há uns minutos, cheguei a casa. As reivindicações continuaram, mas a mãe é mais teimosa do que eles e mantem-se firme e hirta. Até que:

 

Filho: "Mãe, hoje fiz a cama, arrumei os livros, li e depois fiquei o resto do dia a olhar para o teto sem nada para fazer. Foi uma seca! Isso que tu fizeste não se faz, não deveria ser permitido! Deveria ser considerado crime!"

 

Filha: "Ele tem razão!" (são cada vez mais cúmplices na "adolescentite", sempre contra a autoridade dos pais)

 

É o quê??? Ouvi bem?

 

Comentário: Parece que estou a criar verdadeiros ativistas dos direitos humanos. Ainda os vejo um dia numa ONG, num  partido político ou num sindicato. 

 

 

 

Tiradas familiares #4 (B - Super-mulher)

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Eu, no final do dia de ontem, tão gira, acabada de sair da cabeleireira, cabelo com um brilho esvoaçante, com umas calças brancas e uma camisola estampada com uma estrela a fazer "pendant", para sair com o M....

 

Isto, segundo os meus critérios, claro.  É que os critérios de uma filha adolescente são exigentíssimos.

 

Filha: "Ó mãe, vais sair assim à rua? Pareces a Super-mulher!"

 

E pronto, fiquem a saber que, pelos vistos, ontem à noite eu saí com o M. disfarçada de Super-mulher (ou Mulher-maravilha ou lá o que é). E não é que não me podia assentar melhor esse traje!?...

Tiradas familiares #3 (E - Autoestima)

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Filho: "Mãe, hoje vou jantar fora com os meus amigos."

Mãe: "Vais? Quem decidiu?"

Filho: "Eu sei que quando sou eu a ter a ideia, todos querem!" (apresentando a sua expressão de "sou o máximo!")

 

Comentários que me apraz fazer:

 

  1. Já não sei bem quem manda cá em casa!
  2. Posso ser uma péssima mãe, mas não me posso queixar de não ter incutido bastante confiança, autoestima e elevado autoconceito nos meus filhos!  

Tiradas familiares #2 (E - Há vírus e vírus...)

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Hoje, na realidade, partilho uma história com várias tiradas. Há tiradas à fartazana, cá em casa! Eu avisei...

 

Contextualização:

 

  • Filho viciado no jogo de computador LOL;
  • Se permitíssemos (o que não fazemos, obviamente!), jogar jogos de computador seria a sua ocupação quase exclusiva tanto em férias como no período das aulas (Mas seria mesmo à doida, uma coisa mesmo desregrada);
  • O seu sonho é ter o quarto todo artilhado com ratos e pc (parece que é a motherboard ou lá o que é) cujo valor ascende respetivamente às dezenas e milhares de euros, com um monitor quase do tamanho da nossa televisão da sala, com um teclado que dá luz, melhor do que o que ele já tem (já tem porque um amigo muito à frente nestas andanças lho deu, na sequência de ter ganho um ainda mais psicadélico), com um móvel adequado a toda esta parafernália "com estante com X prateleiras e mais isto e mais aquilo, que a minha secretária até já está velha e riscada" (para isto até andou a pesquisar, em lojas da especialidade online, o que melhor se adequava à coisa).

 

Fez 14 anos enquanto estávamos em férias, na praia. E logo depois fomos para o norte e, por isso, não comprámos a prenda de anos dele, com a devida explicação de que, se fosse um computador, seria melhor comprá-lo ao pé de casa por causa de manutenção, etc. Claro também deixámos claro que não seria nada daquilo que ele queria. Mas, fosse como fosse, praticamente todos os dias ouvimos queixas.

 

Ele: "Vocês ainda não me deram prenda de anos e eu tive 6 "cincos" e o resto tudo "quatros" e vou para o quadro de excelência! E tenho colegas que tiveram negativas e têm isto e aquilo..." 

 

E eu:"Se calhar foi por terem isso tudo que tiveram más notas!..." 

 

Ontem, telefonema durante a tarde:

 

Ele, aflito: "Mãe, estava a jogar LOL, cliquei num link porque dizia que havia um desconto e apagou tudo. Desinstalou o jogo, eu voltei a instalar, mas agora não consigo entrar no jogo. Escrevi para lá, mas isto aconteceu a um amigo meu e ele ficou pr'aí 3 semanas sem conseguir jogar."

 

E pronto, questão resolvida! Acabou-se!

 

Moral da história: há vírus que contribuem positivamente para a saúde mental das pessoas. Ou seja, há vírus que fazem bem à saúde!   

 

 

Tiradas familiares #1 (B - Igualdade de géneros)

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Esta família é fértil em tiradas que têm tanto de inspiradas e passíveis de reflexão como de desconcertantes e humorísticas. Por isso, vou começar a trazer para aqui esse repertório, acima de tudo para mais tarde, cá em casa, recordar(mos). 

 

O que inspirou esta ideia foi aquela frase da minha filha, num dos meus momentos dedicados à jardinagem, em agosto, no minho:

Ela, indignadíssima, do alto da sua condição de mulher: "não tens vergonha de estar aqui a jardinar enquanto o pai está lá dentro deitado?"

 

E pronto, hoje fico-me por esta pérola já partilhada, uma das suas tiradas em defesa da emancipação feminina e da luta pela igualdade de géneros. Ora aí está! Criei uma feminista!

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Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

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