Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

M(ã)emórias da Maria Mocha

Blogue pessoal que aborda o universo feminino, maternidade, adolescência, resiliência, luta e superação do cancro, partilha de vivências, vida familiar e profissional... e alguma reflexão com humor à mistura.

Visita à casa cor-de-rosa

 

Já fiz a minha visita anual à casa cor-de-rosa! Eu, que nunca gostei muito de cor-de-rosa, passei a ter esta cor tão intrinsecamente ligada à minha história de vida dos últimos anos…

 

“Como é que tem andado esta rapariga?”

 

Reconheci logo a mesma voz doce e ao mesmo tempo incisiva que há cinco anos me disse que eu tinha um cancro na mama. E nessa altura disse-mo sem margem para dúvidas, enquanto as lágrimas já prevenidas me rolavam pela cara. Disse-mo com o sofrimento cansado de quem já deu essa notícia mais vezes do que desejaria. Mas eu até já sabia… Soube-o desde que palpei uma protuberância estranha na mama, algumas semanas antes, deitada na minha cama, sozinha, a recuperar de uma infeção urinária, no dia 26 de abril de 2010. Soube-o desde o início! É mesmo verdade! O nosso organismo avisa que algo não está bem. No meu caso sinto como se o meu corpo, ao obrigar-me a parar e a centrar-me em mim própria, me tivesse criado as condições para eu descobrir o que se estava a passar. Em boa hora o fez!

 

“Estou viva, doutor!”

 

Sorriu, enquanto se encaminhava para a cadeira que o esperava ao pé de mim, deitada a aguardar a segunda parte do exame, a ecografia mamária. É nesse momento, nas frações de segundo em que o doutor entra na sala, que eu avalio a sua expressão, vindo de analisar a mamografia já feita. Desta vez pareceu-me logo bem-disposto. Aquietei-me. Quando está enigmático, como aconteceu em 2012, quando tive que repetir a mamografia, o tempo para e os minutos que se seguem são eternos e de um sofrimento atroz. Indescritível! A consciência da hipótese, sempre em aberto, de ter que passar por tudo outra vez é terrível! E essa consciência está comigo sempre, todos os dias da minha vida, desde 2010.

 

Invariavelmente, de há cinco anos a esta parte, todos os anos por esta altura volto à casa cor-de-rosa. E este dia passou a ser o dia do aperto no coração, o dia em que sou pequenininha, o dia que não me deixa esquecer que a qualquer momento a vida dá uma volta de 180° e, quando menos esperamos, a única certeza que temos é que não valemos nada, não controlamos coisíssima nenhuma, porque o bem mais precioso, que é a nossa vida, não a temos nas nossas mãos. Há cinco anos que tenho que lidar com o sentimento de sobrevivência, um sentimento que me confere alguma sobranceria sobre o comum dos mortais, mas que também me obriga a conviver com um fantasma que me acompanhará o resto dos meus dias. E viver com o fantasma do cancro é tão difícil!… Só quem passou por esta triste experiência é que pode avaliar. Pior do que viver com este fantasma só mesmo sucumbir a ele. E isso eu não posso permitir que aconteça!

 

“Estou viva, doutor!”

 

1009909_347482232089169_2233836616866624652_n.jpg

5 comentários

  • Imagem de perfil

    Maria Mocha 29.12.2016

    Vieste ler este "velhinho"...
    Continua a ser dos posts mais genuínos que escrevi.
    Obrigada, querida. Gosto muito de ti.
  • Imagem de perfil

    a mãe dos PP's 29.12.2016

    Eu também gosto muito de ti e agora ainda te admiro mais
  • Imagem de perfil

    Maria Mocha 29.12.2016

    É engraçado como criamos empatia com pessoas que nunca vimos.
  • Imagem de perfil

    a mãe dos PP's 29.12.2016

    Verdade. Eu acho que nos entenderíamos muito bem
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Mais sobre mim

    foto do autor

    DIREITOS DE AUTOR (Decreto-Lei n.º 63/85 com as posteriores alterações)

    Maria Mocha é o pseudónimo de uma mulher que, de vez em quando, gosta de deixar os pensamentos fluir pela escrita, uma escrita despretensiosa, mas plena dos sentimentos e emoções com que enfrenta a vida. Assim, as criações intelectuais da Maria Mocha publicadas (textos, fotos) têm direitos de autor que a mesma quer ver respeitados e protegidos. Eventuais créditos de textos ou fotos de outros autores serão mencionados. Aos leitores da Maria Mocha um apelo: leiam, reflitam sobre o que leram, comentem, mas não utilizem indevidamente conteúdos deste blog sem autorização prévia da autora. Obrigada.

    Calendário

    Janeiro 2016

    D S T Q Q S S
    12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930
    31

    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Mensagens